quarta-feira, 21 de novembro de 2012

“O APÓSTOLO PAULO E O ESPÍRITO SANTO”


LIÇÃO 08 – 25 DE NOVEMBRO DE 2012


TEXTO ÁUREO
“O qual nos fez também capazes de ser ministros dum Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, e o Espírito vivifica”. 2Co 3.6

VERDADE APLICADA
Paulo, como ministro de Cristo, deseja que seus leitores entendam a nova dispensação do Espírito que chega até os nossos dias.

Objetivos da Lição

1. Entender a dispensação do Espírito Santo demonstrada por Paulo;
2. Conhecer como podemos desfrutar de uma vida vitoriosa sobre o pecado através do Espírito;
3. Mostrar como podemos nos habilitar para o combate espiritual contra o reino das trevas. 

Textos de Referência

Ef 3.1         Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cris­to por vós, os gentios;
Ef 3.2         Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada;
Ef 3.3         Como me foi este mistério manifestado pela revelação, como antes um pouco vos escrevi;
Ef 3.4         Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha com­preensão do mistério de Cristo,
Ef 3.5         O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas;
Ef 3.6         A saber, que os gen­tios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho;

GLOSSÁRIO
Inserção: fazer entrar;
Asseclas: os que seguem, ou fazer parte da comitiva de alguém;
Fragata: navio de guerra à vela

LEITURAS COMPLEMENTARES
  • Segunda feira: Is 63.10,11
  • Terça feira: Mt 1.18
  • Quarta feira: Mt 28.19
  • Quinta feira: Jo 1.33
  • Sexta feira: Jo 14.26
  • Sábado: At 1.2

INTRODUÇÃO
Não se sabe exatamente quando, mas se sabe que, após a conversão de Paulo, ele entendeu que se tratava de uma nova dispensação divina que estava presenciando. E, como tal, ele deveria pregar o evangelho ciente do agir de Deus, diferenciado para essa nova época, que se despontava no horizonte da história. Vejamos alguns principais ensinamentos de Paulo acerca do Espírito Santo nesta lição.

1. ANTIGA E NOVA ALIANÇA
Aos seus leitores de Corinto, Paulo se autodenomina como um dos ministros de Deus de uma Nova Aliança (2Co 3.6). Tal pensamento divide a história religiosa do ponto de vista de um judeu convertido em duas seções: Antiga e Nova Aliança. Foi dessa expressão de Paulo, que se nominou as duas grandes divisões principais da Bíblia de Antigo e Novo Testamento. Essa Nova Aliança é iniciada com a vinda de Jesus, mais especificamente depois de sua morte e ressurreição. Porém é o “Espírito do Deus vivente” que entra em cena atuando no interior dos crentes em Jesus, transformando-os positivamente.

1.1.           O Espírito como escritor (2Co 3.2-6)
2. Pelo contrário, a carta de Paulo é 1) personalizada – nossa carta; 2) permanente – escrita em nossos corações; 3) pública – conhecida e lida por todos os homens. 3. A autenticidade dos coríntios como a carta de Cristo foi autorizada 1) por seu ministério – produzida pelo nosso ministério; 2) por sua origem sobrenatural –  pelo Espírito do Deus vivente; 3) por seu testemunho interno – nas tábuas de carne, isto é, nos corações (cons. Jr. 24:7; 31:33; 32:39; Ez. 11:19; 36:26).
4. Esta confiança (pepoithesis; veja 1:15) é por Cristo. O uso do artigo definido antes de Cristo ("O Cristo"; isto é, "O Ungido") é bastante comum nesta epístola (1:5; 2:12, 14; 3:4; 4:4; 5:10, 14; 9:13; 10:1, 5, 14; 11:2, 3; 12:9). 
5. Nossa capacidade (hikanotes, significando, "aptidão, habilidade, qualificação" – Arndt) é de Deus. O de (ek) indica fonte (como em 4:7,18; Jo. 10:47; 18:36, 37; cons. I Co. 15:10).
6. O qual nos fez também capazes de ser ministros. A nova aliança; (cons. Mt. 26:28; Hb. 8:8, 13) exige um "novo homem" (Ef. 2:15; 4:24) que seja uma "nova criatura" (lI Co. 5:17). Esta pessoa regenerada tem um "novo nome" (Ap. 2:17), guarda um "novo mandamento" (I Jo. 2:7,8), canta uma "nova canção" (Ap. 14:3), espera um "novo céu e nova terra" (lI  Pe. 3:13; Ap. 21:1) onde a "nova Jerusalém" (Ap. 21:2) está e onde todas as coisas são "novas " (Ap. 21:5). 
O contraste entre a letra mata e o espírito vivifica não é um contraste entre o extremo literalismo e o livre manejo das Escrituras (como no método alegórico de interpretação); antes, o contraste é entre a Lei e um sistema de salvação que exige obediência perfeita (cons. Rm. 3:19,20; 7:1-14; 8:1-11; Gl. 3:1-14) e o Evangelho como o dom da graça de Deus em Cristo. Mesmo a Lei, entretanto, pode levar uma alma a Cristo (cons. Gl. 3:15-29; mas o judaísmo degenerado transformou-a em uma massa de formas sem vida (cons. Is. 1:10-20; Jr. 7:21-26). A nova era da "graça e verdade" (Jo. 1:17), já antecipada no V.T. (cons. Ez. 37:1-14; 47:1-12), agora está plenamente realizada na dinâmica dispensação da graça (cons. Jo. 4:23; 6:63; Rm. 2:28; 7:6). (Comentário Bíblico Moody – 2 Corintios)

1.2. O Espírito como ministro (2Co 3.8)
GLÓRIA DESVANECEDORA – GLÓRIA CRESCENTE (2 Co 3:7-11) Esse parágrafo é o cerne do capítulo e deve ser estudado em relação a Êxodo 34:29-35: Paulo não nega a glória da Lei da antiga aliança, pois certamente houve glória na transmissão da Lei e na observância dos cultos no tabernáculo e no templo. O que afirma, porém, é que a glória da nova aliança da graça é extremamente superior, e dá vários motivos para apoiar sua afirmação.
A glória da nova aliança representa vida espiritual, não morte (vv. 7, 8). Quando Moisés desceu do monte, depois de conversar com Deus, seu rosto resplandecia com a glória de Deus. Essa foi uma parte da glória revelada na transmissão da Lei, e certamente tal manifestação impressionou o povo. Em seguida, Paulo argumenta do menor para o maior: se houve glória na transmissão da Lei que trazia morte, quanto não deve haver em um ministério que traz vida Legalistas como os judaizantes gostam de engrandecer a glória da Lei e de minimizar suas limitações. Em sua epístola às igrejas da Galácia, Paulo ressalta as deficiências da Lei: ela não é capaz de justificar o pecador (GI 2:16), não tem poder de conceder oEspírito Santo (GI 3:2), de dar uma herança(GI 3:18), de dar vida (GI 3:21) nem de darliberdade (GI 4:8-10). A glória da Lei é, naverdade, a glória de um ministério de morte.

1.3. Transformados pelo Espírito (2Co 3.12-18)
OCULTAÇÃO – REVELAÇÃO (2 Co 3:12-18) A Bíblia é, basicamente, um "livro de ilustrações", pois emprega símbolos, símiles, metáforas e outros recursos literários para transmitir sua mensagem. Neste parágrafo, Paulo usa a experiência de Moisés e seu véu para ilustrar a liberdade gloriosa e a revelação da vida cristã sob a graça. Paulo vê na experiência de Moisés um significado espiritual mais profundo do que o que nós poderíamos ver ao ler Êxodo 34:29-35.
O acontecimento histórico (vv. 12, 13). Quando fazemos parte de um ministério de glória crescente, podemos ser ousados em nossas declarações, e Paulo não disfarça o seu destemor. Ao contrário de Moisés, Paulo não tem o que esconder.
Quando Moisés desceu do monte onde havia estado em comunhão íntima com Deus, seu rosto brilhava com um reflexo da glória divina. Enquanto Moisés falava com o povo, os israelitas podiam ver essa glória em seu rosto e se impressionavam com ela. No entanto, Moisés sabia que a glória desvaneceria, de modo que, ao terminar de instruir o povo, cobriu o rosto com um véu. Com isso, evitou que vissem a glória desaparecer, pois, afinal, quem deseja seguir um líder cuja glória está sumindo?
O termo traduzido por "terminação", em 2 Coríntios 3:13, tem dois sentidos: "propósito" e "final". O véu evitou que o povo visse o "final" da glória enquanto esta desvanecia. No entanto, também os impediu de entender o "propósito" por trás dessa glória desvanecedora. A Lei havia acabado de ser instituída, e o povo ainda não estava preparado para descobrir que esse sistema glorioso era apenas temporário. Ainda não lhes havia sido revelado que a Lei era uma preparação para algo maior.
A aplicação nacional (w. 14·17). Paulo nutria especial amor por Israel e um desejo ardente de ver a salvação de seu povo (Rm 9: 1-3). Por que o povo judeu rejeitou seu Cristo? Como missionário aos gentios, Paulo vira muitos gentios crerem no Senhor, mas os judeus - seu próprio povo - rejeitavam a verdade e perseguiam Paulo e a igreja.
O motivo dessa rejeição era a presença de um "véu espiritual" sobre a mente e o coração dos judeus. Seus "olhos espirituais" haviam sido cegados, de modo que, ao ler as Escrituras do Antigo Testamento, não conseguiam enxergar a verdade sobre seu Messias. Apesar de as Escrituras serem lidas sistematicamente nas sinagogas, o povo judeu não compreendia a mensagem espiritual que Deus havia lhes dado. A causa dessa cegueira era a própria religião judaica.
Existe alguma esperança para os filhos perdidos de Israel? Sem dúvida! "Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor [crendo em Jesus Cristo], o véu lhe é retirado" (2 Co 3:16).
Em cada uma das três igrejas que pastoreei, tive a alegria de batizar judeus que creram em Jesus Cristo. É impressionante como a mente deles se abre para as Escrituras depois que nascem de novo. Um desses convertidos comentou comigo:
- É como se escamas tivessem sido removidas de meus olhos. Pergunto-me por que os outros não conseguem enxergar o que estou vendo agora!
O véu é removido pelo Espírito de Deus, e os que crêem recebem visão espiritual.
Nenhum pecador - seja ele judeu ou gentio - pode se entregar a Cristo sem o ministério do Espírito de Deus. "Ora, o Senhor é o Espírito" (2 Co 3: 17). Trata-se de uma declaração arrojada da divindade do Espírito Santo: ele é Deus. Os judaizantes que invadiram a igreja em Corinto dependiam da Lei para transformar a vida das pessoas, mas somente o Espírito de Deus tem o poder de realizar uma transformação espiritual. A Lei só traz escravidão, mas o Espírito nos dá uma vida de liberdade. "Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai" (Rm 8:15).
Como nação, o Israel de hoje é espiritualmente cego; mas isso não significa que judeus, como indivíduos, não possam ser salvos. A Igreja de hoje precisa recuperar seu senso de responsabilidade com os judeus. Somos devedores ao povo de Israel, pois por meio dele recebemos todas as nossas bênçãos espirituais. "Porque a salvação vem dos judeus" (Jo 4:22). A única maneira de "quitarmos" essa dívida é compartilhando o evangelho com esse povo e orando por sua salvação (Rm 10:1).
A aplicação pessoal (v. 18). "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito." Este versículo é o ponto culminante do capítulo e apresenta uma verdade tão maravilhosa que me admira tantos cristãos não perceberem sua presença ou, simplesmente, não fazerem caso dela. Podemos compartilhar da imagem de Cristo e ser transformados, "de glória em glória", pelo ministério do Espírito de Deus!
Sob a antiga aliança, somente Moisés subiu ao monte e teve comunhão com Deus; mas sob a nova aliança, todos os cristãos têm o privilégio de desfrutar a comunhão com o Senhor. Por meio de Jesus Cristo, podemos entrar no santo dos santos (Hb 10:19, 20) - e nem precisamos escalar uma montanha!
O "espelho" é um símbolo da Palavra de Deus (Tg 1:22-25). Ao olhar para a Palavra de Deus e ver o Filho de Deus, o Espírito nos transforma à imagem de Deus. No entanto, é importante não esconder coisa alguma de Deus. É preciso ser abertos e honestos com ele sem "usar um véu".
O termo traduzido por transformados é o mesmo usado nos relatos da transfiguração de Cristo (Mt 17; Mc 9) e traduzido por transfigurado. Descreve uma mudança exterior resultante de um processo interior. A palavra metamorfose é uma transliteração desse termo grego. A metamorfose descreve o processo pelo qual um inseto passa do estágio de larva para pupa e, posteriormente, se transforma em inseto maduro. As mudanças ocorrem de dentro para fora.
Moisés refletia a glória de Deus, mas nós irradiamos essa glória. Quando meditamos sobre a Palavra de Deus e vemos dentro dela o Filho de Deus, somos transformados pelo Espírito! Tornamo-nos mais semelhantes ao Senhor Jesus Cristo à medida que crescemos "de glória em glória". Esse processo maravilhoso não pode ser realizado pela observância, mas a glória da graça de Deus continua a aumentar em nossa vida.
É importante lembrar que Paulo apresenta um contraste não apenas entre a antiga e a nova aliança, mas também entre o ministério da antiga aliança e o ministério da graça.
O objetivo do ministério da antiga aliança era obedecer a uma norma exterior, mas essa obediência não tem poder para mudar o caráter humano. O objetivo do ministério da nova aliança é nos tornar cada vez mais semelhantes a Jesus Cristo. A Lei pode nos levar a Cristo (GI 3:24), mas somente a graça pode nos tornar semelhantes a Cristo. Os pregadores e mestres legalistas levam os ouvintes a se conformar com certas normas, mas não têm poder de transformá-los à semelhança do Filho de Deus.
A Lei é o meio pelo qual se realiza o ministério da antiga aliança; o ministério da nova aliança, por sua vez, é realizado pelo Espírito de Deus, que usa a Palavra de Deus.
(Ao falar de "Lei", não nos referimos ao Antigo Testamento, mas sim a todo o sistema legal apresentando por Moisés. Sem dúvida, o Espírito pode usar tanto o Antigo quanto o Novo Testamento para nos revelar Jesus Cristo.) Uma vez que foi o Espírito Santo quem escreveu a Palavra, ele pode nos instruir a respeito dela. Além disso, o Espírito habita em nós e nos capacita a obedecermos à Palavra de todo coração. Não se trata de uma obediência legal motivada pelo medo, mas de uma obediência filial motivada pelo amor.
Por fim, o ministério da antiga aliança redunda em escravidão, enquanto o ministério da nova aliança redunda em liberdade no Espírito. O legalismo condena a pessoa à imaturidade eterna, e os imaturos precisam de regras e de regulamentos para viver (ver GI 4:1-7). Deus não deseja que seus filhos sejam obedientes por causa de um código exterior (a Lei), mas sim em função de seu caráter (que é interior). Os cristãos não vivem debaixo da Lei, mas isso não significa que não têm Lei alguma! O Espírito de Deus escreve a Palavra de Deus em nosso coração, e obedecemos ao Pai por causa da nova o legalismo continua a exercer sua atração sobre as pessoas. Vemos seitas que vão atrás de cristãos professos e de membros da igreja da mesma forma que os judaizantes do tempo de Paulo. Devemos aprender a reconhecer essas seitas e a rejeitar seus ensinamentos. No entanto, também há igrejas que
pregam o evangelho, mas que têm a tendência legalista de perpetuar a imaturidade de seus membros, condenando-os a viver sob a culpa e o medo. Congregações desse tipo gastam tempo demais se preocupando com tudo o que é exterior e deixam de tratar da vida interior. Exaltam as regras e condenam o pecado, mas deixam de engrandecer o Senhor Jesus Cristo. Infelizmente, ainda podemos ver o ministério do Antigo Testamento em algumas igrejas do Novo Testamento.
Em seguida, Paulo explica dois aspectos do próprio ministério: é triunfante (2 Co 1 - 2) e é glorioso (2 Co 3). As duas coisas andam juntas: "Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos" (2 Co 4:1). Quando o ministério envolve a glória de Deus, não desistimos! (Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento: volume 1/Warren W. Wiersbe)

2. ANDANDO NA CARNE OU NO ESPÍRITO
Aos seus leitores de Roma, Paulo ousadamente se inclui no rol dos carentes do agir sobrenatural do Espírito Santo. Ao tratar do relacionamento dos crentes com a Lei mosaica, a comunidade cristã romana mista de judeus e gentios, Paulo procura mostrar que, em Cristo, todos estão livres do conflito que a lei normalmente gera, como uma mulher que, agora viúva, fica livre para casar-se novamente sem impedimento algum. Semelhante ao tópico anterior, Paulo descreve a luta no interior para obedecer à lei, assim se considera um homem carnal, escravo do pecado, um miserável, mas que finalmente, descobriu uma maneira vitoriosa de viver através de Cristo e de acordo com o Espírito Santo (Rm 7.14,24,25).

2.1. A lei libertadora do Espírito (Rm 7.25; 8.2)
7.25. Graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor.
É admirável encontrar esta expressão de arrebatamento triunfante mal saído o apóstolo do seu brado de angústia: "quem me livrará?" Eis a ta, porém: "Somente Deus, mediante Jesus Cristo nosso Senhor! Graças sejam dadasaDeus!" (NEB). Exatamente como esta libertação do pecado em nós pode ser conseguida, descreve-se de modo mais completo no ca­pítulo 8. Por ora, depois de sua breve indicação de que a situação não é desesperada, Paulo faz um retrospecto para resumir o dilema ético de 7:14-24.
De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne da lei do pecado. Não há por que con­siderar esta sentença como fora de lugar. Moffatt a coloca como um parêntese depois do versículo 23, dizendo que "parece ser sua posição original e lógica antes do clímax do versículo 24" — transposição que C. H. Dodd afirma que é "seguramente correta". G. Zuntz acha que "pode ser um acréscimo feito pelo próprio Paulo ou um resumo acrescentado por algum dos primeiros leitores; em qualquer forma, sua posição atual é imprópria e sugere que uma nota marginal foi inserida no texto" (The Text of the Epistles, p. 16). Contudo, a passagem aparece na posição atual em nossas mais antigas autoridades; e é um procedimento precário reordenar as palavras de Paulo no interesse de uma seqüência mais har­moniosa e lógica.
"Eu mesmo" (AV), autos egõ, é expressão enfática: sou "eu por mim mesmo" (AA "eu, de mim mesmo") que experimento esta derrota e frustração, mas "eu", como cristão, não sou deixado entregue a "mim mesmo": "a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus" veio habitar no meu ser interior, e Sua presença e poder fazem uma extraordinária diferença.
8.2. A lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te livrou.
AV: "... me fez livre." Comparar com 2Coríntios3:17: "onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade" e com Gálatas 5:13: "fostes cha­mados à liberdade". Neste passo, "Lei" provavelmente significa "prin­cípio" (ver p. 46). Ê a "lei do Espírito" em contraste com a "lei do pecado que está nos meus membros" (7s23); é a "lei da vida" em contras­te com a "lei da morte". Talvez seja melhor tomar os dois genitivos "do Espírito" e "da vida" como igualmente dependentes de "lei": a lei do Es­pírito e a lei da vida. O Espírito, "por Suas influências determinantes, produz ação dirigida sem o uso de nenhum código" ,15
à parte da menção antecipadora do Espírito em 5:5, onde se diz que Sua vinda inunda do amor de Deus os corações dos crentes (e da breve referência em 1:4 ao "espírito de santidade" em conexão com o fato de haver Cristo ressuscitado dos mortos), este é o primeiro lugar, nesta epís­tola, onde o Espírito de Deus penetra na argumentação. Não é acidental que, com Sua entrada, não se fale mais em fracasso. O conflito entre as duas naturezas prossegue, mas onde o Espírito Santo tem o domínio e a direção, a velha natureza é compelida a recuar.
A redação de AA ("te livrou"), em vez de "me fez livre" (AV), tem a seu favor umas 80 autoridades (inclusas as testemunhas orientais Aleph e B e a testemunha ocidental G), seguidas pelo texto de Nestle-Küpatrick. (NEB: "te libertou"). (Comentario Biblico - Romanos - Introdução e Comentário - F. F. Bruce)

2.2. A nova posição em Espírito: “Filhos de Deus” (Rm 8.12-17)
12. Os crentes estão no Espírito, e o Espírito habita neles. Através dEle receberão corpos glorificados. Estes fatos levara a uma certa conclusão. Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne como se constrangidos a viver segundo a carne (veja Arndt, opheiletes, 2b, pág. 603). 
13. Presumindo que estão vivendo de acordo com a carne, Paulo diz aos seus leitores que vão morrer. Esta é uma morte espiritual. Mas presumindo que pelo Espírito condenam à morte os feitos maus (cons. Cl. 3:9) do corpo, viverão. Os dois "ses" em 8:13 presumem a realidade da coisa declarada. As conclusões seguem-se logicamente. Sua solenidade corresponde à seriedade da ação nas cláusulas com os "ses". Uma vez que a morte espiritual aqui foi encarada como o clímax – o banimento final da presença de Deus – a vida, à que se refere, deve ser a vida glorificada que está à espera do crente.
c) Orientação e Testemunho do Espírito. 8:14-17. 
14. Filhos de Deus são definidos como aqueles que são guiados pelo Espírito de Deus. O Espírito lidera. O verbo está no tempo presente e na voz passiva - todos os que são guiados (conf. Arndt, ago, 3, pág. 14).
15. As frases, espírito de escravidão e espírito de adoção são paralelas. Uma tradução melhor seria: O estado de espírito que pertence à escravidão e o estado de espírito que pertence à adoção. O resultado do primeiro é o medo; o resultado do outro é a capacidade de orar e dirigir-se a Deus como Pai. A palavra Aba é um termo aramaico colocado em letras gregas e transliterado para o português. Significa "Pai". A reunião de ambos, judeu e grego (gentios), em Cristo, vê-se nessas palavras introdutórias de vocativo em oração.
16. O Espírito Santo dá testemunho com o nosso espírito de que somos filhos de Deus. Isto significa na verdade que o Espírito dá testemunho com nosso ego (veja I Co. 16:18; Gl. 6:18; Fp. 4:23). Este testemunho relaciona-se a cada aspecto de nossa personalidade, que participa da estrutura de nosso ego. O testemunho do Espírito é para a pessoa. 
17. Observa-se que os crentes são herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo. Somos herdeiros de tudo que Deus tem para nos oferecer, o que significa que somos co-herdeiros em Cristo, a quem o Pai entregou todas as coisas. Mas, para sermos co-herdeiros com Cristo, significa que temos também de participar dos sofrimentos de Cristo. O tempo está no presente: se com ele sofremos. O sofrimento é o papel que Deus deu a Cristo para desempenhar (Lc. 24:26, 46; Atos 17:3; 26:23; Hb. 2:9, 10). É também uma experiência que Deus tem ordenado aos crentes em Cristo (Mt. 10:38; 16:24; 20:22; I Ts. 3:3; lI Ts. 1:4, 5; lI Co. 1:5; Cl. 1:24; II Tm. 3:12; I  Pe. 1:6; 4:12). Aqueles que são participantes com Cristo no sofrimento, também serão participantes da sua herança na glória (Rm. 8:17): A experiência do sofrimento precede a experiência da glória. (Comentário Bíblico moody – Romanos)

2.3. Ministérios do Espírito para hoje: “esperança e intercessão” (Rm 8.23-27)
23. Não apenas a criação, mas  também os crentes que têm  as primícias do Espírito gemem dentro de si mesmos. As primícias aqui podem ser as bênçãos e mudanças que o Espírito já tem produzido nas vidas dos crentes. Ou pode ser que o próprio Espírito seja considerado as primícias (cons. II Co. 1:22; Ef. 1:14). À luz do contexto, a primeira interpretação parece a melhor. Os gemidos do crente nada têm a ver com murmuração. Antes, é o suspirar de cada um em particular, por ter de viver em um mundo pecador. 
A adoção pela qual o crente espera refere-se à redenção do nosso corpo, sua libertação do pecado e da limitação, cuja pressão estamos constantemente sentindo, enquanto temos nossos corpos mortais.
24. Porque na esperança fomos salvos. A esperança para a qual Deus nos salvou é a libertação do corpo sob a pressão do pecado, e do estado de limitação mortal na qual aguardamos o dia quando, vestidos de imortalidade, veremos a Deus. O que é esperança? Paulo diz que é a confiante expectação das bênçãos prometidas, ainda não presentes, nem vistas. Esta esperança não é o desejo de ter alguma coisa boa demais para ser verdade e improvável de acontecer. O objeto ou a bênção esperada (aqui, a redenção do corpo) é real e distinto, mas ainda não presente. 
25. Mas, se esperamos o que não vemos, com (diá; veja Arndt, III, 1, c, pág, 179)  paciência (ou  fortitude)  o aguardamos. O corpo redimido será um corpo glorificado, livre de todo pecado. Com tal esperança diante dele, o crente aguarda sua realização com fortitude.
e) Ministério Intercessório do Espírito. 8:26, 27. 
26. Semelhantemente, o Espírito ajuda nossa fraqueza. A fraqueza mencionada é a nossa incapacidade de analisar situações e orar inteligentemente sobre elas. Sabemos que esta é a fraqueza mencionada por causa da frase seguinte. Dá-se que o Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis (veja alaletos, Arndt, pág. 34). Às vezes não conseguimos orar porque as palavras não podem expressar a necessidade que sentimos. A ação do Espírito com gemidos inexprimíveis mostra como Deus penetra em nossa experiência através do Seu Espírito. 
27. Deus Pai que investiga os corações (dos homens) sabe qual é a mente do Espírito. Deus conhece toda a reação do Espírito a qualquer situação ou questão. A intercessão que Ele faz em favor dos santos é segundo a vontade de Deus. Estas palavras certamente declaram que a comunicação do pensamento e conhecimento de cada um é partilhada por dois membros da Divindade - Pai e Espírito (isto é, o Espírito Santo). (Comentário Bíblico moody – Romanos)

3. SUA GUERREANDO ATRAVÉS DO ESPÍRITO
Quer aceitemos ou não, estamos envolvidos na maior guerra cósmica da luz contra as trevas; do bem contra o mal. Ao entrarmos na fragata da salvação, estamos em guerra, não existe zona neutra, mas importa que aprendamos a guerrear segundo Deus.

3.1. Não entristeçais o Espírito (Ef 4.30)
4.3.6. Não entristecer o Espírito Santo — v. 30
"E não entristeçais o Espírito Santo de Deus". Essa expres­são não está separada do contexto doutrinário de Paulo. Não é uma frase isolada dentro do texto, mas está diretamente ligada às exortações do novo modus vivendi do homem que está em Cristo. A mentira (v. 25), a ira (v. 26), o furto (v. 28) e a palavra torpe (v. 29) são suficientes para entristecer o Espírito de Deus. Por que razão podemos entristecer o Espírito Santo? Em primei­ro lugar porque Ele habita no crente, e qualquer coisa que seja imprópria ao "novo homem" magoa o Espírito Santo. Qualquer ato físico que profane o nosso corpo, que é templo do Espírito Santo, pode entristecê-lo. Uma das razões por que não devemos entristecer o Espírito que habita em nós está na declaração do próprio texto, que diz: "... no qual estais selados para o dia da redenção". Este selo aqui é a marca de propriedade. É conheci­do e reconhecido pelas características próprias do senhor dessa propriedade, o qual é Cristo. Ninguém pode rasurar ou rasgar esse selo, que é a pessoa do Espírito Santo. Esse selo não é o batismo com o Espírito Santo, nem tampouco o batismo nas águas. Na verdade, esse selo indica o direito de posse de Cristo, para o qual estamos guardados (selados) para o dia da redenção, que é o da sua vinda.
Que tipo de redenção é essa? A redenção deve ser compreen­dida sob três etapas ou tempos distintos. A redenção no passado diz respeito à salvação recebida, isto é, redenção da pena do pecado. A redenção no presente tem um sentido dinâmico, pois ela é conquistada mediante a vitória do "novo homem" contra o poder do pecado que rodeia a vida do crente. A redenção no futuro, para a qual estamos selados, é a liberação total do corpo do pecado através da ressurreição do corpo corruptível num corpo incorruptível, bem como a transformação dos corpos dos crentes no arrebatamento da Igreja (1 Co 15.51-53).
Uma vez entendido o significado da redenção, sabemos que o Espírito Santo não deve ser entristecido, porque Ele opera em nós a vida espiritual. Há o perigo de perder-se o Espírito Santo para sempre com o chamado "pecado imperdo­ável". É o pecado consciente e espontâneo que uma pessoa comete contra o Espírito Santo. É o pecado da rejeição, ou o pecado que uma pessoa pode cometer ao atribuir ao Espírito Santo obras satânicas. (Comentário Bíblico - Efésios - Elienai Cabral)

3.2. Ante a embriaguez, enchei-vos do Espírito (Ef 5.18)
5.8.1.  O sentido duplo do vinho — v. 18
"E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda". Temos aqui uma proibição e uma causa. A Bíblia fala de vinho em três sentidos. Positivamente, o vinho pode ser uma bebida saudável, e, nas regiões vinículas, serve para alimentar e fortalecer fisicamente. Figuradamente, o vinho alegra, aformoseia o rosto. Negativamente, o vinho pode viciar a pessoa que o bebe e, assim, promover desor­dem moral e física. O deus do vinho era Baco. Havia em Éfeso um culto a ele, em que seus adoradores embriagavam-se e incorriam em atos de dissolução. A palavra "contenda" fica melhor traduzida por dissolução, que se entende por licenciosidade e desenfreio.

5.8.2. A razão para encher-se do Espírito — v. 18
"... mas enchei-vos do Espírito". Paulo apresenta uma fonte e uma causa de prazer muito mais forte e saudável que o encher-se de vinho. Ele apresenta um vinho superior, capaz de dar um tipo de alegria permanente, que é a alegria do Espírito. Os adeptos de Baco criam que esse falso deus podia encher-lhes de sua força e influên­cia. Por isso, Paulo lhes apresenta o Deus verdadeiro, o único Deus poderoso, capaz de encher-lhes de sabedoria e de toda a alegria. Alegria que jamais outro deus poderia dar-lhes. "Enchei-vos do Espírito" é um convite e uma ordem para os crentes efésios.

5.8.3. A ordem para encher-se do Espírito — v. 18
A ordem "enchei-vos" dá a idéia de um enchimento progressi­vo, isto é, ir enchendo até transbordar. Russel N. Champlin, em seu O Novo Testamento interpretado (vol. 4, pág. 625), diz: "Um indivíduo pode ter preferência ou pelo vinho ou pelo Espírito Santo, pois uma antítese está em foco aqui: o vinho degenera, o Espírito Santo eleva; o vinho conduz ao deboche, o Espírito Santo enobrece; o vinho nos toma bestiais, o Espírito Santo nos toma celestiais" (2 Co 3.18). (Comentário Bíblico - Efésios - Elienai Cabral)

3.3. Guerreando no Espírito: “Espada e oração” (Ef 6.17.18)
17. Tomai também o capacete da salvação. Novamente, o capacete que é a salvação. 
A espada do Espírito. Não o mesmo tipo de genitivo como o anterior; talvez um ablativo de fonte ou origem. Isto é, a espada fornecida pelo Espírito. Que é a palavra de Deus. A palavra de Deus é uma espada penetrante. Aqui foi usado hrêma, "palavra" com o significado de pronunciamento. Em passagem semelhante, em Hb. 4:12, foi usado  logos, "palavra" com o significado de conceito ou idéia. As Escrituras são ambos, hrêma e logos. Todas as partes da armadura mencionadas acima, até agora são partes defensivas. A espada do Espírito é a única arma ofensiva, além de defensiva.
18. Orando em todo tempo. A palavra de Deus deve sempre ser usada em conexão com a oração da fé (cons. I Ts. 5:17; Cl. 4:2). 
Oração e súplica. A primeira palavra é usada para orações em geral, e a última para pedidos. 
No Espírito. O mesmo Espírito Santo que brande a espada da Palavra, também deve estar ativo em nossos corações. 
Por todos os santos. Paulo não restringiria as orações deles especificamente a seu favor, embora mencione a sua pessoa no versículo seguinte.  (Comentário Bíblico Moody – Efésios )

CONCLUSÃO
O Espírito Santo é quem cuida de fazer a nossa inserção no Reino de Deus, convencendo-nos das nossas injustiças e conduzindo-nos a Cristo Jesus para receber sua justiça. Que faz parte da proposta divina através da Nova Aliança, que nos faz triunfar em Cristo, com seu bom cheiro de vitória.

Fontes:
Bíblia Sagrada – Concordância, Dicionário e Harpa - Editora Betel.
Revista: APÓSTOLO PAULO – Editora Betel - 4º Trimestre 2012 – Lição 08

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

LIÇÃO 07 - “PAULO E SUA MISSÃO ENTRE OS GENTIOS”



18 DE NOVEMBRO DE 2012
TEXTO ÁUREO
“Para o que (digo a verdade em Cristo, não minto) fui constituído pregador, e apóstolo, e doutor dos gentios na fé e na verdade”. 1Tm 2.7
7. Para isto fui designado pregador, etc. "Para o qual (testemunho) fui constituído pregador  e apóstolo . . . ". A enfática e sincera exaltação que Paulo faz de  seu cargo mostra a direção do seu pensamento: por causa desse testemunho do Evangelho de Cristo, e pelo sucesso dele, Paulo ordena a oração. (Comentário Bíblico Moody – 1 Timóteo)

VERDADE APLICADA
O anunciador das boas novas deve estar preparado para ser uma luz na vida daqueles que ainda estão em trevas.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
1. Mostrar o propósito de Cristo com Paulo em relação aos gentios;
2. Revelar que Paulo foi um homem preparado em questões profundas da salvação pela fé;
3. Inspirar uma fé inteligente e viva no exercício do ministério eclesiástico.

Textos de Referência

At 26.20    Antes anunciei pri­meiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento.
At 26.21    Por causa disto os judeus lançaram mão de mim no tem­plo, e procuraram matar-me.
At 26.22    Mas, alcançando so­corro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço dando teste­munho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer,
At 26.23    Isto é, que o Cristo devia padecer, e sendo o pri­meiro da ressurreição dentre os mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios.

GLOSSÁRIO
Epifania: aparição, manifestação;
Cisão: ação ou efeito de separar;
Vestes paramentais: vestes com enfeites, adornos.

LEITURAS COMPLEMENTARES
  • Segunda feira: Sl 10.16
  • Terça feira: Sl 59.8
  • Quarta feira: Sl 79.10
  • Quinta feira: Sl 95.1
  • Sexta feira: Sl 45.17
  • Sábado: Sl 67.3

INTRODUÇÃO
A chamada de Paulo para pregar aos gentios não começa em Antioquia da Síria junto com Barnabé, na verdade, começa com a visão celestial, em Damasco, que o conduziu por toda a sua vida. A epifania experimentada, no caminho de Damasco, por Paulo foi para ele uma aparição tão real do Senhor que ele se considerava tão apóstolo de Jesus Cristo, quanto os que com Ele conviveram.
Assim como acontece em nossa vida, ao aceitarmos a Cristo como salvador, aconteceu com Paulo, queremos imediatamente pregar a palavra, anunciar a transformação que Jesus fez em nossas vidas. (grifo meu)

1. PREGADOR E APÓSTOLO
A autoridade de Paulo repousa sobre sua chamada na aparição do Senhor Jesus no caminho de Damasco. É muito interessante que ele não se permitia diminuir visto que entendia a operação da graça em seu favor para a honra do apostolado, a fim de no serviço do Senhor, conduzir as pessoas do mundo gentílico a crer em Cristo, e a Ele se tornar obedientes (Rm 1.5).

1.1.           Apóstolo, um ministro de Cristo
Saulo falaria disso mais tarde como a última das aparições de Jesus aos seus seguidores após a ressurreição (1 Co 15.8). Moisés teve a mesma experiência no Monte Sinai, quando a visão da glória do Senhor aparecera-lhe como um fogo devorador. Foi isso que Isaías viu quando o Senhor o chamou para o ministério. Essa foi também a experiência de Pedro, Tiago e João no monte da Transfiguração. Foi o que João viu em Patmos e depois de tê-lo visto, "caí a seus pés como morto" (Ap 1.17).
E para o rabino de Tarso, era concedida uma entrevista com o Cristo ressurreto. Posteriormente, alguns vieram a duvidar de seu apostolado, alegando que ele jamais vira o Senhor. Mas a todos os seus inimigos, podia responder que recebera a sua comissão diretamente de Jesus que lhe dissera: Te apareci por isso, para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda; livrando-te deste povo e dos gentios, a quem agora te envio, para lhes abrires os olhos e das trevas os converteres à luze do poder de Satanás a Deus, a fim de que recebam a remissão dos pecados e sorte entre os santificados pela fé em mim (At 26.16-18). (A Vida e os Tempos do Apóstolo Paulo - Charles Ferguson Ball)

Precisamos ter essa consciência de que ao sermos chamados para o ministério, não quer dizer que somos a partir daquele momento intocáveis, o bam-bam-bam, o dono da verdade, etc...
Ser obreiro requer acima de tudo humildade, não de boca, mais de atitudes, ou seja, eu não tenho que alardear que sou humilde, mais as pessoas tem que ver em mim essa humildade.
Paulo tinha essa linha de pensamento ao mencionar os sofrimentos sofridos pela obra, ou você acha que ele ficava de braços cruzados esperando que os obreiros fizessem o trabalho sozinho para depois ele receber a honra? Negativo, ele colocava a mão na massa, ou melhor, na obra sem se importar se ele era o maior ou o menor, se bem que eu creio que ele tinha a nítida visão do seu tamanho em relação à noiva de Cristo. Ele chama Timóteo à responsabilidade da obra “Sofre, pois, comigo, cas aflições, como bom soldado de Jesus Cristo.” 2Tm 2.3 pelo que sofro trabalhos e até prisões, como um malfeitor; mas a palavra de Deus não está presa” 2Tm 2.9 “se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará;” 2Tm 2.12 (grifo meu)

2.3 SOFRE... AFLIÇÕES. O ministro do evangelho que permanecer leal a Cristo e ao evangelho, será conclamado a suportar adversidades (cf. 1.8; 2.9; 2 Co 11.23-29). Como o soldado, o crente precisa estar disposto a enfrentar dificuldades e sofrimentos, e a lutar espiritualmente com total dedicação ao seu Senhor (Ef 6.10-18). Como faz o atleta, o crente precisa estar disposto à renúncia, e a viver uma vida cristã de rígida disciplina (v. 5). Como o agricultor, deve assumir o compromisso de trabalhar arduamente, e isso em horários prolongados (v. 6).
2.12 SE SOFRERMOS. A palavra "sofrer" (gr. hupomeno) aqui, significa suportar. Aqueles que perseverarem e permanecerem firmes na fé, até o fim, viverão (v. 11; Mt 10.22; 24.13) e reinarão com
Cristo (4.18; Ap 20.4). Cristo rejeitará, no dia do juízo, aqueles que não perseveraram e os que o negaram por palavras ou ações (cf. 2.12; Mt 10.33; 25.1-12;  (Bíblia de Estudo Pentecostal)

1.2.           Pregador da Palavra de Cristo
Paulo começa a carta aos Romanos com a sua apresentação, “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus,” Rm 1.1

1. A palavra que foi traduzida, servo significa realmente escravo. Para Paulo, esta expressão significava que ele pertencia a Jesus Cristo. Ele era propriedade de Cristo, e, como tal, tinha uma tarefa divina para realizar. Sua chamada para ser apóstolo veio-lhe claramente em Damasco (Atos 9:15, 16; 22:14, 15; 26:16-18). Ele fora separado para o evangelho de Deus. Em Gálatas, Paulo remonta esta chamada à ocasião do seu nascimento (Gl. 1:15), mas aqui em  Romanos, ele destaca o propósito de sua separação: para o evangelho que Deus criou. Paulo tinha um Mestre divino, um cargo divino e uma mensagem divina. (Comentário Bíblico Moody – Romanos)

1.1 "Paulo" - A maioria dos judeus dos dias de Paulo tinha dois nomes, um judaico e um romano (At 13:9). O nome judaico de Paulo era Saulo. Como os antigos reis de Israel, era da tribo de Benjamin (Rm II.1; Fp 3.5). Na forma grega, seu nome romano significava "pequeno". Isto podia referir-se (1) à sua estatura física, à qual é feita alusão num capítulo a respeito de Tessalônica, intitulado "Paulo e Thekla", em um livro não-canônico intitulado Os Atos de Paulo; (2) ao seu conceito pessoal de que era o menor dos santos, por antes haver perseguido a Igreja (1Co 15.9; Ef 3.8; 1Tm 1.15); ou (3) simplesmente ao nome dado por seus pais, quando ele nasceu. A opção 3 parece ser a melhor.

* "escravo" - Na maioria das traduções esta palavra foi traduzida como "servo", e em outras como "escravo". Este conceito era (1) antitético para Jesus como Senhor ou (2) um título honorífico do VT (Moisés, Nm 12.7 e Josué, Js 1.1; Js 24.29; Davi, nos Salmos (título); e Isaías, Is 42.1,19; 52.13).

* "Chamado para apóstolo" - Isto foi uma escolha de Deus, não dele (Acts 9.15; Gl 1.15; Ef 3.7). Como faz em 1Co 1.1; 2Co 1.1; Gl 1.1; Ef 1.1; Cl 1.1; 1Tm 1.1; Tito 1.1, Paulo está enfatizando sua autoridade e suas qualificações espirituais para esta igreja em que ele nunca esteve.

A expressão "apóstolo", nos círculos judaicos palestinos do primeiro século, significava "um enviado ou representante oficial". No NT o termo era usado em dois sentidos: (1) para referir-se aos Doze discípulos especiais mais Paulo; e (2) para referir-se a um dom espiritual que permanece na Igreja (1Co 12.28-29; Ef 4.11). (Comentario Biblico - Romanos - Bob Utley)

1.3. A Palavra de Cristo nele fez a diferença
Jesus é o responsável direto na palavra que Paulo pregava, pois podemos observar na carta aos Corintios cap 11 v. 23 que ele expõe que recebeu do Senhor, isto referente à celebração da Santa Ceia, ou seja não foi Pedro, nem João, nem Tiago ou qualquer outro Apostolo que o orientou, mais o próprio Senhor Jesus transmitiu a ele a cerca do significado da ceia.
O que nos leva a crer numa revelação maior na vida de Paulo, eu creio que os quase 14 anos que Paulo vive no anonimato, é o tempo que o Senhor prepara para ele ensinar o apostolo dos gentios.
Essa convicção que Paulo tinha era com certeza desta revelação que ele recebeu do Senhor, tanto no caminho de damasco, nos 3 dias que ele passa na cidade em jejum e oração, quanto nos anos em que ele fica anônimo até que Barnabé vai busca-lo em Tarsis.
Da mesma forma nos dias de hoje o Senhor não é diferente, quando escolhe algum vaso para sua obra, ele chama, capacita e envia.
O conhecimento que Paulo tinha do Antigo Testamento, era muito grande, e foi de importante valia para ele, pois através deste conhecimento ele expunha acerca do messias. (grifo meu)

2. DOUTOR NA FÉ
A expressão “doutor dos gentios na fé” significa: instrutor ou “mestre” como é traduzido na Bíblia ARC (Almeida Revista e Corrigida). Paulo em 1Tm 2.7 considera-se um mestre na fé e não na crença. Embora pareça ser a mesma coisa, não é. Pois a prática da crença religiosa não envolve necessariamente uma fé viva, capaz de salvar o indivíduo, nem tampouco toda crença religiosa se ocupa com a salvação da alma das pessoas; a fé faz parte da espiritualidade; a crença faz parte da religiosidade. Todavia, a Palavra de Cristo promove a fé, salvando a pessoa do seu pecado, do seu vazio, e da falta da comunhão com Deus, aperfeiçoando-o nas boas obras.
Paulo foi encarregado de partilhar este testemunho com os gentios, como um “pregador” (ou arauto), “apostolo” e “doutor” (ou ensinador).
O arauto era alguém que trazia importantes noticias. Anunciava frequentemente um evento atlético ou uma festa religiosa, ou funcionava com um mensageiro político, o portador de noticias ou ordens da corte do rei. Deveria ter uma voz forte e proclamar sua mensagem com vigor, sem demora e sem discuti-la. A qualidade mais importante do arauto consistia em ser um fiel representante ou divulgador da palavra daquele que o havia enviado. Não tinha a obrigação de ser “original” ou criativo; deveria ser um fiel portador da mensagem de outrem (V.P. Furnish, citado em Rienedier 1980, 619) (Comentário Biblico Pentecostal - 1 e 2 Timóteo - French L. Arrington & Roger Stronstad)

2.1. Paulo, um especialista na fé salvadora
17.  Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho.
Notável antecipação deste duplo sentido da "justiça de Deus" — (a) Sua justiça pessoal e (b) a justiça com a qual Ele justifica os pecadores a partir da fé — aparece na literatura de Qumran. "Sua justiça apaga o meu pecado. ... Se tropeço devido à iniqüidade da carne, o meu julga­mento está na justiça de Deus que estará firme para sempre. ... Por Sua misericórdia Ele fez que eu me aproximasse e por Sua amável bondade traz para perto dele o meu julgamento. Por Sua justiça verdadeira me jul­ga, e por Sua abundante bondade faz expiação de todas as minhas iniqüidades. Por Sua justiça me limpa da impureza que mancha os mortais e do pecado dos filhos dos homens — para que eu louve a Deus por Sua justiça e ao Altíssimo por Sua glória."3
 De fé em fé. NEBmg.: "Baseia-se na fé e se dirige para a fé" parece preferível ao texto de NEB: "Um caminho que parte da fé e na fé ter­mina." Conforme J. Murray, o propósito para o qual Paulo repete isto aqui e em 3:22 ("mediante a fé em Jesus Cristo, para todos (...) os que  crêem") é "acentuar o fato de que a justiça de Deus não somente age salvadoramente em nós pela fé, mas também age salvadoramente sobre todo  aquele que crê".4
O justo viverá por fé. Estas palavras oriundas de Habacuque 2:4  (onde TM registra: "... por sua fé"5) já tinha sido citada por Paulo em Gálatas 3:11 para provar que não é pela lei que o homem é justificado  perante Deus. Elas tornam a aparecer, juntamente com parte do seu con­texto, em Habacuque 10:38 para incentivar os leitores daquela epístola a perseverarem e a não retrocederem. O hebraico emunuh, traduzido "fé"  em Habacuque 2:4 (LXX pistis), significa "perseverança" ou "fidelidade". Na passagem de Habacuque esta perseverança ou fidelidade  baseia-se numa firme confiança em Deus e Sua Palavra, e é esta firme  confiança que Paulo compreende pelo termo.
Habacuque, clamando a Deus contra a opressão sob a qual seu povo  gemia (no século sétimo a. C, recebeu de Deus a segurança de que a im- piedade não triunfaria indefinidamente, a justiça seria finalmente vin- dicada, e a terra se encheria "do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar" (He 2:14). Esta visão poderia demorar a  realizar-se, mas se cumpriria com toda a certeza. Enquanto isso, os justos  resistiriam até o fim, dirigindo as suas vidas por uma lealdade a Deus  inspirada pela fé em Sua promessa.
No comentário de Habacuque achado em Qumran, este pronun- ciamento divino é aplicado a "todos os cumpridores da lei na casa de  Judá, os quais Deus salvará do lugar do juízo por causa do seu serviço e  da sua fidelidade ao Mestre de Justiça" (ver G. Vermes, op. cit., p. 237). No Talmude (TB Makkoth 24a) "o justo viverá por sua fé" é citado ao lado de Amos 5:4: "Buscai-me, e vivei" (ou "buscai-me, e vivereis"),  como exemplo de como a lei toda pode ser resumida em uma só sentença. "Será que 'buscai' (em Am 5:4) significa 'buscai a Torah inteira"?", perguntou o rabi Nachman ben Isaque. "Não", foi a resposta do rabi Shimlai; "Habacuque veio depois dele e a reduziu a uma sentença, como está escrito: 'O justo viverá pela sua fé.' "
Quando Paulo focaliza as palavras de Habacuque e vê nelas a ver­dade central do Evangelho, parece atribuir-lhes este sentido: "aquele que é justo (justificado) pela fé é que viverá." Os termos do pronunciamento divino mediante Habacuque são gerais o bastante para permitir a aplicação que Paulo faz deles — aplicação que, longe de fazer violência à intenção do profeta, exprçssa a permanente validez da sua mensagem.
Para Paulo, como para muitos outros judeus, "vida" (principalmen­te vida eterna) e "salvação" eram praticamente sinônimos. Se o fato de Paulo denominar-se a si mesmo "hebreu de hebreus" (Fp 3:5) significa (o que é provável) que era filho de pais de língua aramaica, e que foi criado falando essa língua, muito provavelmente empregaria — quando estives­se falando em sua língua natal — a mesma palavra hayyeb para dizer tanto "vida" como "salvação", "aquele que é justo (justificado) pela fé é que viverá" significa, pois, "aquele que é justo (justificado) pela fé é que será salvo." Para o apóstolo, a vida, no sentido de salvação, começa com a justificação, mas vai além dela (ver 5:9s.). Inclui a santificação (assunto dos caps. 6-8) e se consuma na glória final (5:2, 8:30). Neste compreen­sivo sentido, "salvação" bem pode ser considerada como a chave "para abrir as rccâmaras da teologia de Paulo".' (Comentario Biblico - Romanos - Introdução e Comentário - F. F. Bruce)

2.2. Paulo expõe a fé com base firme
Hb 11.1 "fé" Isto não é uma definição teológica de fé, mas uma figura da obra exterior dela. O termo é usado vinte e quatro vezes neste capítulo. A partir do AT a idéia fundamental é "fidelidade" ou "digno de confiança". Isto é o oposto de apostasia. O termo grego para "fé" (pistis) é traduzido por termos ingleses: "fé", "crença" e "confiança". Fé é uma resposta humana à fidelidade de Deus e Sua promessa. Nós confiamos na Sua confiabilidade, não na nossa. Seu caráter é a chave.

NASB, NRSV "certeza das coisas esperadas"
NKJV "substância das coisas esperadas"
TEV "ter certeza das coisas pelas quais nós esperamos"
NJB "garantia das bênçãos pelas quais nós esperamos"

Este termo grego para "certeza" (hupostasis) basicamente significa "colocar debaixo" ou "permanecer
debaixo", desse modo dando a base ou fundação subjacente de algo. Portanto, tinha uma variedade ampla de significados no mundo antigo. Era especialmente comum nos escritos filosóficos gregos para denotar a manifestação clara de algo. Era aquilo que era real e verdadeiro versus o irrealizado.
1. Em Hb 1.3 refere-se à essência
2. Em Hb 3.14 refere-se à realidade da confissão/profissão dos crentes
3. Em Hb 11.1 refere-se às promessas do evangelho vividas no presente, mas não consumadas até o
futuro.
Este termo tem sido encontrado nos papiros egípcios significando "um feito de título" (cf. NJB). Neste sentido reflete o uso de Paulo para o Espírito como um "penhor" (II Co 1.22; 5.5; Ef 1.4).
O termo grego usado na LXX sugere que ele regularmente traduz tohelet (The Cambridge History of the Bible [História da Bíblia de Cambridge], p. 9), que denotava "uma atitude paciente e confiante esperando por algo, um estado de expectação confiante (i.e., esperança). Lembre que os autores do NT eram pensadores hebreus escrevendo no grego coinê e usando as tradições de tradução da Septuaginta.
Alguns têm visto os significados mais claros neste contexto refletidos na citação do AT em 10.38 (Hc 2.2-4). Capítulo 11 é uma lista de exemplos daqueles que não "retrocederam". Este texto é o oposto do que os primeiros leitores em perigo estavam fazendo.
"convicção" Esta palavra ocorre somente aqui no NT. refere-se a "prova por teste". As duas frases no v. 1 são paralelas (ambas PARTICÍPIOS PRESENTE PASSIVO); portanto, "certeza" e "convicção" são unidas estritamente e delas os fiéis vivem suas vidas.
"fatos que se não vêem" Os seguintes exemplos são pessoas que vivem em (1) esperança nos atos presentes e futuros de Deus e (2) confiança nas promessas espirituais de Deus (cf. 10.23). A visão de mundo deles guiam suas decisões diárias, não circunstâncias, materialismo ou egocentrismo.
A realidade física é subserviente à realidade espiritual invisível (cf. v. 3). A realidade física é conhecida pelos cinco sentidos, e não é eterna, mas passageira. A realidade eterna é invisível (cf. v. 27) e, portanto, deve ser conservada por fé, não por vista. Entretanto, é tão real e verdadeira para os crentes que controla e exige suas prioridades. (Comentario Biblico - hebreus -Bob utley)

22-25. Paradoxalmente Paulo proclama que os chamados (cons. v. 2) obtiveram o que os judeus, que  buscavam sinais e os gregos, que amavam a sabedoria (v. 22), ou os gentios (v. 23; a E.R.C, diz  gregos novamente, mas a confirmação é fraca) procuravam, o poder de Deus, e sabedoria de Deus. Cristo crucificado é o segredo. Judeus e gregos não reconhecem o seu pecado. O Cristo crucificado o expõe; portanto, Ele é o poder e a sabedoria de Deus. O uso da palavra  crucificado sem o artigo, enfatiza fortemente o caráter no qual Paulo pregou Cristo, como crucificado (cons. 2:2; Gl. 3:1). Um Cristo sem uma cruz não salvaria. (Comentário Bíblico Moody – 1 Corintios)

2.3. Paulo explica a razão de seu método
17:22-23 / Fosse qual fosse o espírito com que a pergunta tivesse sido feita, Paulo a tomou com seriedade e assim se pôs a responder a ela. Levantou-se e dirigiu-se aos homens no mesmo estilo de oratória deles ("homens atenienses"; mas veja a nota sobre 1:16), e faz uma observação: em tudo vejo que sois muito religiosos (v. 22). A palavra traduzida por "religiosos" (deisidaimonesterous) pode ter um sentido mau, ou bom (o substantivo correspondente parece que foi usado de modo pejorativo em 25:19). O adjetivo aqui está no grau comparativo, e tanto pode significar que eram mais devotos que a maioria na prática de sua religião, como que eram mais supersticiosos. É provável que Paulo tenha escolhido deliberadamente essa palavra, com gentil ambigüidade, a fim de não ofender seus ouvintes, almejando ao mesmo tempo satisfazer-se, ao expressar o que pensava deles. Logo esses homens ficariam sabendo qual era a opinião de Paulo a respeito deles. Por ora, abundavam as evidências, por todos os lados, de que eram de fato "muito religiosos". Uma das inscrições em particular havia atraído a atenção de Paulo. O apóstolo havia observado um altar com esta dedicatória: AO DEUS DESCO­NHECIDO (v. 23). Paulo tomou essas palavras como se fora "seu texto". É claro que não havia nenhuma ligação entre esse deus e o Deus que ele proclamava. O apóstolo não sugeriu em momento algum que eram adoradores inconscientes do verdadeiro Deus, mas procurou apenas um meio de levantar perante eles a questão básica da teologia: Quem é Deus? (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

3. DOUTOR NA VERDADE
Devemos lembrar que os líderes de sinagogas e fariseus eram muito proselitistas entre os gentios, tendo pessoas que frequentavam a sinagoga, mas que não aderiam ao judaísmo por causa da dolorosa circuncisão que era requerida. Quando nossos campeões pregaram a palavra da fé, não tocaram nesse assunto, logo, estava implícito que desobrigaram aqueles, dentre os gentios, que se convertiam a Cristo, ao ato da circuncisão. Com isso eles ficaram felizes! Era esse o público alvo de Paulo, mas dentre eles, vinham muitos judeus também.

3.1. Advogados dos gentios
15:1-2 / A questão da admissão de gentios parece ter-se tornado um problema em Antioquia somente depois que alguns que tinham descido da Judéia ensinavam os irmãos: Se não vos circuncidardes... O ensino deles era que a circuncisão era necessária para a salvação (veja .linda a disc. sobre o v. 5). Paulo viu de imediato que um ponto funda­mental estava em jogo, pelo que, ao lado de Barnabé, engajou-se em não pequena discussão e contenda com eles (judaizantes, v. 2, à luz de 14:27). A unidade da igreja estava sendo ameaçada, e a única solução parecia estar em que alguns dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos, por causa dessa questão (v. 2), devendo os apóstolos regressar, talvez, de outro lugar onde estivessem para esse propósito (veja a disc. sobre 12:17). Nomeou-se um corpo de delegados, inclusive Paulo e Barnabé e alguns dentre eles, uma referência talvez aos profetas e mestres de 13:1 eTito, se Gálatas 2:1-10 serve de guia. Se acatarmos estritamente a gramática, foram os judaizantes que tomaram a decisão de enviar delegados a Jerusalém. Todavia, é muito mais provável que a igreja local é que tenha tomado essa decisão. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

3.2. A primeira assembleia
15:3-5 / Eles, sendo enviados pela igreja (v. 3), isto é, um grupo de crentes, membros da igreja, viajou até certa distância acompanhando os delegados — é o que a expressão em grego diz. Foi um sinal de respeito e afeição pelos delegados (cp. 20:38; 21:5, 16; também o fato de um grupo ir ao encontro de Paulo em 28:15). A estrada percorria o litoral passando por Berito (Beirute), Sidom, Tiro e Ptolemaida, talvez por Cesaréia e daí a Jerusalém (veja a nota sobre 9:31). A Fenícia havia sido evangelizada ao mesmo tempo em que a igreja se estabelecera em Antioquia (11:19; cp. também 21:3ss., 7), de modo que em todos esses centros, bem como em Samaria (cp. 8:25), havia comunidades cristãs a serem visitadas e notificadas sobre a conversão dos gentios (v. 3). O verbo grego dá a entender que o relato foi feito com minúcias (ocorre só aqui e em 13:41), e sem exceção; as notícias trouxeram alegria a todos quantos as ouviram (v. 3; veja a disc. sobre 3:8). Quando os delegados chegaram a Jerusalém, levavam todo o peso, digamos assim, do apoio das igrejas do norte.
A delegação de Antioquia foi recepcionada pela igreja reunida e seus líderes (alguns comentaristas têm a impressão de que esta acolhida teria sido mais restrita), e de novo relatou a história de quão grandes coisas Deus tinha feito com eles (v. 4, lit, "com eles"; cp. 14:27; em 15:12 é "por meio deles"). Observe a ênfase nesses relatos da mão de Deus na questão, com a implicação de que, se Deus havia abençoado a obra, era sua intenção clara que os gentios fossem recebidos livremente. Nem todos ali presentes concordaram com esta lógica, pois foram rápidos em expor seu ponto de vista. Talvez baseassem seu ensino em passagens como Êxodo 12:48s. e Isaías 56:6, ao declarar que era necessário (gr. dei; veja a disc. sobre 1:16) circuncidar os gentios e obrigá-los a cumprir a lei. Afirmou-se que a aliança mencionada em Isaías 56:6 era a da circuncisão. Os advogados da circuncisão eram da seita dos fariseus, que tinham crido — esta é a primeira menção de convertidos dessa seita, além de Paulo (v. 5). Eram crentes, tinham crido — o particípio presente tem a intenção talvez de enfatizar a realidade de sua fé (veja a disc. sobre 14:23), a saber, estavam perfeitamente convencidos de que Jesus era o Messias, embora ainda pensassem nele como o rei de Israel, do qual os gentios seriam excluídos se não aceitassem sua lei (cp. 1:6). (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

3.3. Anunciando uma nova disposição
15:7b-11 / Pedro iniciou fazendo uma reminiscência dos eventos que haviam culminado com a conversão de Cornélio, sua família e amigos (veja 9:32-11:18). Tudo acontecera, afirmou o apóstolo, há muito tempo — talvez dez ou doze anos antes (v. 7). Naquela época havia ficado claro que era da vontade de Deus que os gentios se salvassem. Assim diz o texto grego: "que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho, e cressem" (v. 7), sendo digno de nota que a frase "da minha boca" só ocorre nos sermões de Pedro (1:16; 3:18, 21; 4:25; mas cp. 22:14). Outra particularidade de Pedro aparece no versículo seguinte: Deus, que conhece os corações (v. 8; cp. 1:24), sendo, neste atual contexto, referência particular ao pecado e à necessidade que todos temos da salvação. E Deus tem oferecido a salvação a todos, sem fazer distinção (não fez diferença alguma entre eles e nós, v. 9; cp. 10:20, 34; 11:12). Que isso foi assim se comprovou pelo dom do Espírito Santo aos gentios, "exatamente da mesma maneira" (essa é a força do grego, que se traduziu por assim como, v. 8) ocorrera aos crentes judeus (cp. 10:47; 11:17). Assim é que os gentios, que os judeus consideravam imundos, haviam sido "purificados" de seus pecados (NIV diz: "ele lhes purificou os corações", e ECA: purificando os seus corações pela fé [em Jesus], v. 9; cp. 10:15, 28; 11:9). Na verdade, esse seria o único meio pelo qual judeus e gentios, igualmente, poderiam purificar-se. Se alguém, judeu ou gentio, quisesse salvar-se, haveria de ser pela graça do Senhor Jesus Cristo, mediante a fé no Senhor, e por nada mais (v. 11; seria linguagem paulina? Quanto à idéia, cp. 3:16; 4:10-12; 10:43). Por que, então, pergunta Pedro, poríamos um jugo sobre alguém? (a saber, a lei; veja Siraque 51:26; Salmos de Salomão 7:8; 17:32) um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? (v. 10) — Pedro, não menos do que Paulo, endossou a acusação feita por Estevão (7:53; cp. 13:39; Gálatas 6:13; veja também Mateus 11:28ss.). Ele advertiu que qualquer tentativa de reverter-se a religião cristã a uma religião da lei seria tentar a Deus (v. 10), visto que isso seria questionar o poder de Deus para purificar os corações dos incircuncisos pelo seu Espírito. Com estas palavras Pedro se despediu dos leitores de Atos — saiu da história. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

Gl 6.15. Por que o apóstolo aqui despreza a circuncisão? Porque foi transformada em uma simples cerimônia do mundo quando vista à luz da crucificação. O que malmente importa, ele declara, é a nova vida que vem através de estarmos em Cristo Jesus. (E.R.C.). Isso resulta em uma nova criatura. A palavra nova indica o que é superior ao velho. (comentário Bíblico Moody – Gálatas)

CONCLUSÃO
O propósito de Paulo entre os gentios foi ensinar sobre a salvação sem a necessidade dos adereços da Lei. Com preparo teológico relevante, o apóstolo ensinou eficientemente ao seu público alvo, inspirando uma fé contagiante e inteligente entre os gentios. Suas pregações e cartas conseguiram apresentar a Jesus Cristo como Filho de Deus, poder de Deus e sabedoria de Deus a humanidade. Graças a Deus pelo empenho e dedicação desse apóstolo que foi um instrumento poderoso nas mãos do Senhor.

Fontes:
Bíblia Sagrada – Concordância, Dicionário e Harpa - Editora Betel.
Revista: APÓSTOLO PAULO – Editora Betel - 4º Trimestre 2012 – Lição 07

Reflexão Espiritual

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