terça-feira, 30 de abril de 2019

Lição 4 – A história da Igreja até a Reforma Protestante


dia 28 de Abril de 2019

O tema da nossa lição é muito atraente, envolvente e sem dúvida nos estimula a procurar trazer o melhor, todavia é um assunto muito amplo para se ensinar em uma hora. O nosso comentarista deixa bem claro que o objetivo é fazer uma explanação. Note na síntese abaixo quantos pontos relevantes teríamos que abordar:
O período da igreja antiga e medieval abrange os primeiros 1.500 anos da história cristã, desde a era apostólica até a véspera da Reforma Protestante. Esse longo período inclui importantes movimentos como a era dos pais da igreja, o monasticismo, as cruzadas, o escolasticismo e o renascimento. Dois grandes ramos do cristianismo se destacam nestes séculos: a Igreja Ortodoxa Grega (Igreja Oriental) e a Igreja Católica Romana (Igreja Ocidental). Entre seus grandes vultos estão Irineu de Lião, Tertuliano de Cartago, Orígenes, Cipriano, Atanásio, Agostinho de Hipona, Gregório Magno, Anselmo de Cantuária, Tomás de Aquino e muitos outros. ( cpaj.mackenzie.br/historia-da-igreja/igreja-antiga-e-medieval)
Portanto, estaremos abordando somente alguns pontos importantes que o nosso comentarista já colocou em evidencia na lição, desse período de 1500 anos (aproximadamente). Didaticamente não seria viável tentar esgotar o tema...

Texto Áureo
“O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo." (Sl 103.19)

Verdade Aplicada
O estudo da história da Igreja contribui para evitar os erros do passado, conhecer melhor a missão e cumprir com fidelidade nossa tarefa.

Objetivos da Lição
1 - Explanar a história da Igreja até a Reforma Protestante;
2 - Descrever os pontos que fizeram a Igreja se desviar do seu propósito inicial;
3 - Explicar a importância da Reforma para os nossos dias. 

Hinos sugeridos
198 - O Bom Amigo
306 - A Palavra de Deus é um Tesouro
581 - Castelo Forte

Daniel 2.19-22 
19 - Então foi revelado o segredo a Daniel numa visão de noite; então Daniel louvou a Deus do céu.
20 - Falou Daniel, e disse: Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque dele é a sabedoria e a força;
21 - Ele muda os tempos e as horas; ele remove reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e ciência aos entendidos.
22 - Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz.

INTRODUÇÃO 
A história da Igreja é repleta de altos e baixos. Como participantes desta história, devemos deixar legado para as gerações posteriores de compromisso e responsabilidade com a Palavra de Deus.

1. A HISTÓRIA DA IGREJA ATÉ CONSTANTINO 
A história da Igreja não acaba no livro de Atos dos Apóstolos. O próprio livro não termina com uma conclusão, pelo contrário, deixa aberto a continuação da história da Igreja (At 28.31).
Obs. Nós somos a continuação da história da igreja (sec. XXI)

1.1 O Período da Perseguição.
Desde o período da Igreja Primitiva, o povo de Deus passou por diversas perseguições (At 8.1-3). A própria igreja de Esmirna é considerada como perseguida (At 2.10-11). Os primeiros três séculos são caracterizados pela perseguição e martírio. Os cristãos eram perseguidos por motivos: políticos - era preciso escolher entre a lealdade a Cristo ou a César; religiosos - os romanos exigiam dos cristãos a adoração aos deuses pagãos; sociais - muitos cristãos pertenciam às classes mais pobres da sociedade e por isso eram vistos com desprezo pelos líderes aristocráticos da sociedade; e econômicos - muitos fabricantes de ídolos se opuseram ao cristianismo devido à adoração exclusiva a Cristo a à ausência de imagens (At 19.24-26).
Jesus já havia alertado os discípulos acerca da perseguição:
“Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa” (Mt 5.11

Earle E. Cairns escreveu sobre a perseguição da Igreja: “A perseguição aos cristãos era eclesiástica e política. Durante os primórdios da Igreja em Jerusalém, os judeus foram os perseguidores. Somente no governo de Nero (d.C.), as perseguições partiram do estado romano. Estas perseguições foram locais e esporádicas até 250 d.C., quando se tornaram gerais e violentas. “O rápido avanço do cristianismo, mesmo durante os períodos de feroz perseguição, provou que realmente o sangue dos mártires era a semente da Igreja” O Cristianismo através dos séculos – uma história da Igreja cristã. Earle E. Cairns (Revista do professor)

Com os termos da Grande Comissão a ecoar-lhes nos ouvidos, sabiam os santos apóstolos que a Igreja não poderia circunscrever-se a Jerusalém (Mt 28.19,20). Mas quando sair à Judéia? Quando alcançar Samaria? E quando atingir os mais distantes lugares da terra? Estando ainda estas perguntas por se responder, eis que o martírio de Estêvão precipita a dispersão da Igreja de Jerusalém.
Ao relatar o evento, escreve Lucas: “Mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra” (At 8.4). Por conseguinte, quando aqueles piedosos varões puseram-se a sepultar o corpo de Estevão, não sabiam eles estarem, na verdade, semeando uma semente que, de imediato, multiplicar-se-ia dentro e fora dos termos de Jacó. Não foi exatamente isto o que ensinara o Senhor: “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12.24). Mais tarde, confirmaria o doutíssimo Tertuliano as palavras do Cristo: “O sangue dos mártires é a semente da Igreja”. (Lições CPAD Jovens e Adultos » 2011 » 1º Trim.)

1.2 O Período Apologético.                     
A Igreja sofreu muito com os ataques externos do Império Romano. No entanto, um dos maiores desafios foram as heresias que apareceram no seio da Igreja. Muitos falsos líderes tentaram associar a filosofia grega com a doutrina cristã, criando heresias filosóficas como o gnosticismo, a qual a Igreja Primitiva já tinha combatido no período dos apóstolos Paulo (Cl 2.8) e João ((1Jo 2.22). Eles identificavam a matéria com o mal e somente aquilo que era espiritual era bom, com isso negavam a encarnação e a divindade de Jesus, o Filho de Deus. Jesus é uma das pessoas da Trindade. Somente através de Seu sacrifício encontramos o caminho que nos leva a Deus, pois Ele é o caminho (Jo 14.6).

Somente o Cristianismo vê pelos olhos da fé, através do testemunho das Escrituras, o Único Deus em essência, que subsiste em três pessoas: Pai, Filho e Espirito Santo.

Apologético:
1. [Teologia] Defesa argumentativa de que a fé pode ser comprovada pela razão;
2. [Por extensão] Defesa persistente de alguma doutrina, pensamento, teoria ou ideia.
Apologética Cristã é a ciência que defende a fé Cristã. Há muitos céticos que duvidam da existência de Deus e/ou atacam a crença no Deus da Bíblia. Há muitos críticos que atacam a inspiração e inerrância da Bíblia. Há muitos falsos professores que promovem doutrinas falsas e negam as verdades básicas da fé Cristã. A missão da apologética Cristã é combater esses movimentos e promover o Deus Cristão e a verdade Cristã. (https://www.dicionarioinformal.com.br/apologético)

Gnosticismo. Os gnósticos deram muito trabalho às igrejas dos tempos apostólicos. Seu pior período ocorreu em 135-160 d.C. Seus ensinamentos não passavam de enxertos das filosofias pagãs nas doutrinas cristãs mais importantes. Eles negavam o cristianismo histórico, afirmando que o Senhor Jesus jamais teve um corpo como o nosso. Segundo eles, o corpo de Cristo existia apenas aparentemente.
A Bíblia é incisiva: “O Verbo se fez carne” (Jo 1.14); “todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus” (1 Jo 4.3). É bom lembrar que os escritos de João são do final do primeiro século e compostos na cidade de Éfeso, então capital da Ásia Menor, onde surgiu o gnosticismo. (Lições CPAD Jovens e Adultos » 2008 » 1º Trim.)

1.3 Constantino.
Constantino foi um imperador romano que unificou o império, até então dividido entre quatro outros. Ele estabeleceu um edito que garantiu à Igreja a liberdade de culto. Com a igreja dividida, o imperador presidiu um concílio (325 d.C) para resolver a controvérsia apresentada por Ário (herege que afirmava que Jesus era uma criatura e consequentemente não era Deus). A vitória da ortodoxia foi acachapante em reconhecer o Cristo como pessoa da Trindade. Assim a história revela aspectos positivos e negativos nos vários eventos que envolveram a Igreja. Se com Constantino cessou a perseguição e os cristão passaram a serem beneficiados, por outro lado a Igreja passou a sofrer o manejo político por parte do imperador.

A era Constantino. Em 313, o imperador romano Constantino, depois de se tornar “cristão” de forma inusitada, decretou, no chamado Edito de Milão, a liberdade de culto, terminando por oficializar o cristianismo como uma religião estatal. Foi assim que se deu o espúrio e danoso casamento da Igreja com o Estado. Tanto é verdade que o primeiro Concílio da Igreja, ocorrido em 325, foi convocado por ele. (Lições CPAD Jovens » 2015 » 3º Trim.)

2.  A IGREJA: DO ESTADO IMPERIAL À IDADE MÉDIA  
A Idade Média representa o esforço de traduzir as experiências da Igreja no mundo do Império Romano para o mundo germânico.

2.1 Fusão entre Igreja e Estado.
Como enfatizado no tópico anterior, o início do acordo entre Igreja e Estado se deu quando Constantino se tornou governante único do mundo romano. A Igreja se livrava da perseguição, porém, agora, estava sob controle do governo imperial romano. O governo, em troca de privilégios, proteção e de ajuda que oferecia, achava-se no direito de interferir em assuntos espirituais e teológicos.

Separação entre Estado e Igreja. A conscientização dos crentes a respeito da importância da participação política não significa a união entre o Estado e a Igreja. A propósito, o Senhor Jesus estabeleceu a clara separação entre esses dois ao ordenar: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Lc 20.25). As palavras do Mestre reforçam tanto a responsabilidade espiritual quanto social, enfatizando que Igreja e Estado possuem papéis bem distintos. A Igreja deve influenciar o governo, mas não pode confundir-se com ele. Quando o Estado tenta intervir na Igreja, ou vice-versa, os prejuízos são inevitáveis, com implicações que afetam a consistência doutrinária da cristandade. Foi o que ocorreu quando o imperador romano Constantino uniu a religião cristã com o Estado, incorporando elementos do paganismo. Por isso, a separação entre o Estado e a Igreja foi um ponto crucial defendido na Reforma Protestante. (Lições CPAD Jovens » 2015 » 2º Trim.)

2.2 A Idade Média.
Com o crescente declínio do Império Romano, com várias invasões por diferentes povos, gerando caos político e social, surge um cenário favorável para o fortalecimento institucional da Igreja. Esta nova era de domínio da Igreja é inaugurada com a escolha do monge Gregório para ser o papa, que muito contribuiu para a ampliação do poder pontifício e de grandes campanhas missionárias, visando a conversão ao cristianismo de extensas regiões bárbaras, inclusive a Inglaterra. Neste período surgem as primeiras universidades, a partir dos mosteiros, que desempenhavam importante papel na preservação e difusão de conhecimentos. Assim, a Igreja era a detentora do conhecimento, tendo em vista as invasões bárbaras. A Igreja era o porto seguro do conhecimento, pois nela se encontrava o conhecimento e a ciência. Mas, o verdadeiro conhecimento vem em ser um verdadeiro discípulo de Jesus e fazer parte de Sua Igreja, conforme está escrito em João 8.31-32.

Devemos ter sempre em mente que a igreja, durante esse período que estamos considerando, tinha no seu seio muita gente sem a conversão cristã; eram cristãos pagãos. Vejamos resumidamente, as causas dessa situação alarmante. Uma delas foi a atitude dos imperadores romanos que tornaram o cristianismo a religião da moda, cujo patrono era o governo imperial e à qual aderiram grandes multidões[...].
E também, os métodos missionários medievais tiveram como resultado a entrada para a igreja de multidão de germanos e de outros povos que nunca experimentaram a conversão cristã. O mal se agravou quando certos governos conquistadores passaram a obrigar os seus povos a aceitar o cristianismo, prevalecia assim, na igreja grande massa de pagãos, imbuídos das ideias pagãs a respeito da religião e da moral, gente que de cristão tinha apenas o nome. (Nichols, Robert Hastings; História da igreja cristã 11ª Ed, São Paulo, casa editora presbiteriana,2000)

Segundo o Pr. Elienai Cabral (2013) a Igreja Romana, na Idade Média, onde uma elite (o clero) governa a igreja e esta (os leigos) se torna refém daquela. É urgente resgatar o ideal da Reforma Protestante, ou seja, a “doutrina do sacerdócio de todos os crentes”, ou “Sacerdócio Universal”, reivindicada em 1 Pedro 2.9. Todos nós, obreiros ou não, temos o livre acesso ao trono da Graça de Deus por Cristo Jesus. Não tentemos costurar o véu que Deus rasgou!

2.3 Pré-reformadores.
Assim como a igreja de Tiatira (Ap 2.18-29), que se desviou da vontade de Deus e se prostituiu, a Igreja medieval foi seduzida pelo poder e se distanciou da Palavra de Deus e dos ensinos bíblicos. O papa se estabeleceu como grande imperador e a Igreja começou a monopolizar a fé. Grandes tributos eram recolhidos pelo papa, o cristianismo se transformou em uma religião litúrgica e as pessoas não tinham mais acesso às Escrituras, somente o clero. Alguns homens se levantaram contra a Igreja medieval e contra o papado, esses homens são chamados de Pré-reformadores, pois pregavam a autoridade da Bíblia e o retorno ao ideal da Igreja Primitiva. Muitos deles morreram por esse ideal.
A IGREJA DE TIATIRA – (Tempo na história 600 a 1517 d.C.) – A igreja corrupta, papal.

Os Pré-reformadores sabiam do poder da Palavra. Eles lutaram pela tradução da Bíblia ao idioma no vernáculo deles. Sabiam que somente pelo conhecimento das Sagradas Escrituras o homem pode ter um encontro real com Deus através do Cristo ressuscitado. Esses homens (João Wycliffe (1325-1384), João Huss (1372-1415), entre outros) foram estigmatizados como hereges por colocarem na Bíblia o seu padrão de autoridade. Como se encontra o nosso compromisso com Deus através de Sua Palavra?
Estamos dispostos a sermos fiéis até a morte (Ap 2.10)? (Revista do Professor).

O que dizer sobre Catarina de Siena, Tereza Dávila — mulheres que denunciaram profeticamente a corrupção de Roma —, e tanto outros gigantes da história que aprouve ao Senhor nosso Deus levantá-los como verdadeiros profetas e profetisas?
À semelhança do Antigo Testamento, o ministério dos profetas neotestamentários, e na história da Igreja, sempre foi exercido nas raias da marginalização. Indo no caminho contrário ao que foi institucionalizado como certo, quando na verdade estava corrompido e longe dos desígnios de Deus. Foi assim no Antigo Testamento; assim ocorreu em o Novo Testamento; e vem acontecendo ao longo da rica história eclesiástica. Por que teria de ser diferente na contemporaneidade? (SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO, CPAD)

3. A REFORMA PROTESTANTE 
A Igreja passou por diversas transformações, mas nenhuma delas se iguala à Reforma Protestante. Quando tudo parecia perdido, Deus levanta um homem para desestruturar o sistema eclesiástico que se desviara de seu propósito inicial.

3.1 Lutero.
Martinho Lutero foi um monge agostiniano, estudioso das Sagradas Escrituras, que, durante um momento de sua vida, ao ler Romanos 1.17 “...Mas o Justo viverá pela fé”, foi impactado pela Palavra, pois percebeu os erros que a Igreja Romana ensinava, à luz da Palavra. A mensagem do Evangelho era o critério fundamental para compreensão do cristianismo. Essa era a razão pela qual não se poderia aceitar a infalibilidade papal, as indulgências, dentre outros erros doutrinários. Ele afirmou que a Bíblia é a Palavra de Deus e por isso somente ela é infalível, pois Deus não pode mentir (Tt 1.2). Aquilo que Ele prometeu, certamente vai cumprir.

Se cumpriu a profecia de João Huss: “Podem matar o ganso (na sua língua, ‘huss é ganso), mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderão queimar”. (Heróis da Fé, p.21).

Ao fim da Idade Média, os ideais humanistas valorizavam os direitos individuais do cidadão e isso despertou nos cristãos a necessidade de reformar a Igreja, especialmente, o Clero (sacerdotes). Os abusos de Roma e a venda das indulgências deflagraram a Reforma em 1517 na Alemanha. O Monge Agostiniano Martinho Lutero rompeu com o catolicismo romano. Foi a partir da Reforma que, paulatinamente, os conceitos de liberdade, de tolerância religiosa, de democracia e de separação entre Igreja e Estado foram alçados ao status de direitos fundamentais. A Palavra de Deus mostra que a ideia de Estado e Igreja não dará bons resultados (At 4.1-7). Por isso, o Estado não deve interferir na Igreja nem a Igreja no Estado. Todavia, o povo de Deus jamais deve faltar com a sua voz profética diante das injustiças e pecados sociais. (Lições CPAD Jovens e Adultos » 2018 » 2º Trim.)

O movimento luterano espalhou-se como um forte reavivamento espiritual. [...]
Por sua grande doutrina bíblica do sacerdócio de todos os cristãos, Lutero libertou os homens do temor, libertos do medo, foram igualmente libertos do poder da igreja medieval e conduzidos a uma religião mais sincera e profunda. Cada indivíduo, ensinava ele, podia gozar de comunhão com Deus, pela fé sem intervenção do sacerdócio da igreja. O homem podia confessar os seus pecados a Deus e dele receber perdão. [...] Cada um podia andar corretamente com Deus, podia ser justificado por meio da fé sem as exigências da igreja papal. Cada homem podia entender as escrituras pela iluminação da fé, e por ela entender a vontade de Deus. (Nichols, Robert Hastings; História da igreja cristã 11ª Ed, São Paulo, casa editora presbiteriana, 2000)

3.2 O Termo Protestante.
Em 31 de outubro de 1517, Lutero afixou suas 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg, considerado marco inicial da Reforma Protestante. Nelas condenava os abusos do sistema de indulgências e desafiava a todos que tomassem conhecimento delas. Sua intensão, era que a Igreja voltasse ao ideal proposto pelo Novo Testamento. A tradução da Bíblia para o alemão e a impressão das teses divulgaram rapidamente suas ideias. Muitos príncipes seguiram Lutero e em 1526 foi promulgado a autorização de que cada governante do estado estaria livre para seguir a fé que sentisse ser a correta. No entanto, em 1529, outra decisão revogou a anterior e obrigava a todos a voltarem a ser católicos. Os príncipes seguidores de Lutero e representantes de 14 cidades leram um "Protesto". A partir daí foram chamados de "Protestantes", por seus opositores, pois os príncipes protestaram contra o edito do imperador Carlos V, que procurava reprimir o movimento da Reforma.

A Reforma se caracteriza especialmente pela luta contra as indulgências, que era uma forma de obter favores por parte de Deus. Foi nesta conjuntura que se retomou à teologia da graça, que é o favor imerecido de Deus por nós. Apesar de sermos santos e justos por meio de Cristo, o nosso relacionamento com Deus sempre é pautado na ação graciosa e misericordiosa por parte de Deus. Não somos merecedores, somos, sim, devedores a Deus e de uns aos outros. (Revista do professor)

3.3 As Bases da Reforma Protestante.
Os reformadores protestantes tinham em comum alguns fundamentos que a maioria das igrejas evangélicas trazem consigo até hoje. Roger Olson afirme que três princípios protestantes da maior importância são geralmente identificados como responsáveis por diferenciá-los da igreja da Roma e de sua teologia oficial: "a salvação pela graça mediante a fé somente" (Ef 2.5), "somente as Escrituras" (as Escrituras acima de todas as demais autoridades da fé e da prática cristã) e o sacerdócio de todos os cristãos. Cada líder interpretava esses princípios à sua própria maneira, mas todos os compartilhavam e se esforçavam para construir com eles um novo alicerce para o cristianismo. Seu propósito comum era levar a Igreja de Jesus Cristo de volta aos verdadeiros alicerces do Novo Testamento e livrá-la de todos os falsos ensinos e práticas corruptas.
Martinho Lutero (1483-1546) – Phillipp Melanchthon (1497-1560) – John Calvino (1509-1564) – Martin Bucer (1491-1551) Ulrich Zwinglio (1484-1534)

Na Inglaterra. Um dos dirigentes da Reforma foi William Tyndale. Traduziu a Bíblia para o Inglês a partir das línguas originais. Foi martirizado em 1536.
OBS: O grande desejo de Tyndale foi concretizado: “E acrescentou que se Deus lhe concedera vida, em poucos anos faria com que até mesmo um simples menino que trabalhasse detrás de um arado conheceria mais sobre as escrituras do que o próprio papa” (John FOX. O livro dos mártires, tr.Marta Doreto de Andrade e Degmar Ribas Júnior).
Na Suíça: Ulrico Zwínglio. (1484-1534) Educado por um professor que lhe ensinava que a morte de Cristo era o único resgate. Combateu a “remissão de pecados” que era ensinada por meio de peregrinação a um altar em Einsieldn. Seus escritos entraram até em um convento e as freiras converteram-se. Saíram do convento, ao observar que a vida de celibato e solidão era inútil. A Reforma prosseguiu com Calvino.
Na Dinamarca: Hans Tausen. (1494­ 1561). Frederico I permitiu a Tausen fazer o mesmo trabalho que Lutero fizera na Alemanha. Foi de especial ajuda pela publicação do Novo Testamento na língua dinamarquesa. em 1529. A ação reformadora de Tausen foi também obtida pelo apoio popular que estava inconformado com a corrupção do clero e a venda das indulgências. Em 1530, foi elaborada a confissão de fé luterana.
Na Escócia. João Knox. (1505-1572) Devido a sal ousadia em pregar o Evangelho foi preso em uma galé de escravos na França durante dezenove meses. Em 1559, assumiu a direção do movimento reformador. Não desistiu, embora sofresse a oposição da rainha Maria da Escócia.
Na Hungria. O responsável foi Mateus Devay.
Na França. Jacques Lefevre pregou e escreveu a doutrina da justificação da fé. Mais tarde, a França sofreria grande massacre.
5 fundamentos da Reforma Protestante:
OS CINCO SOLAS
Os Cinco Solas são cinco frases latinas (ou slogans) que emergiram da Reforma Protestante, pretendia resumir os princípios teológicos básicos dos Reformadores em contraste com certos ensinamentos da Igreja Católica Romana da época. “Sola” significa “sozinho” ou “somente” e as frases correspondentes são:
Sola Fide, somente pela fé.
Sola Scriptura, somente pelas Escrituras.
Solus Christus, somente por Cristo.
Sola Gratia, só pela graça.
Soli Deo Gloria, glória somente a Deus.

Estas frases podem ser encontradas individualmente expressas nos vários escritos dos reformadores do século XVI, explicitamente ou implicitamente, mas não são apresentadas como uma lista. É mais provável que a lista de Solas surgiu mais tarde.

Somente pela Fé (Sola Fide)
A justificação é pela graça somente, por meio da fé somente, por causa de Cristo somente. A justiça de Cristo é imputada a nós como a única satisfação possível da perfeita justiça de Deus. Nossa justificação não se baseia em nenhum mérito que se encontre em nós, nem nos fundamentos de uma infusão da justiça de Cristo em nós, nem que uma instituição que reivindica ser uma igreja que nega ou condena a sola fide pode ser reconhecida como uma igreja legítima.

Somente a Escritura (Sola Scriptura)
A Escritura inerrante (a Bíblia) é a única fonte de revelação divina escrita, que por si só pode ligar a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser medido. É negado que qualquer credo, conselho ou indivíduo possa vincular a consciência de um cristão, que o Espírito Santo fala independentemente ou contrariamente ao que é estabelecido na Bíblia, ou que a experiência espiritual pessoal pode sempre ser um veículo de revelação.

Somente Cristo (Solus Christus)
Nossa salvação é realizada pela obra mediadora do único Cristo histórico. Sua vida sem pecado e expiação substitutiva são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai. É negado que o evangelho seja pregado se a obra substitutiva de Cristo não for declarada e a fé em Cristo e sua obra não for solicitada.

Somente pela Graça (Sola Gratia)
Na salvação somos resgatados da ira de Deus somente pela sua graça. É a obra sobrenatural do Espírito Santo que nos leva a Cristo liberando-nos da nossa escravidão ao pecado e elevando-nos da morte espiritual para a vida espiritual. É negado que a salvação seja em qualquer sentido uma obra humana. Métodos humanos, técnicas ou estratégias por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida por nossa natureza humana não regenerada.

Somente para Gloria de Deus (Soli Deo Gloria)
Afirma-se que, porque a salvação é de Deus e foi realizada por Deus, é para a glória de Deus e que devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossas vidas inteiras diante do rosto de Deus, sob a autoridade de Deus e somente para a sua glória. É negado que possamos devidamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se o auto aperfeiçoamento, a autoestima ou a autorrealização puderem se tornar alternativas ao evangelho. (http://www.teologiasistematicabrasil.com/os-cinco-solas/)

CONCLUSÃO
Apesar de tantas ações pecaminosas dos que se dizem membros da Igreja ao longo da história, nosso Senhor continua trabalhando e guiando o Seu povo no cumprimento de Seus propósitos. Através de erros e acertos, olhar para a história é aprender com nossos próprios erros de tal forma que não venhamos a cometer os mesmos erros do passado.

QUESTIONÁRIO

1. Qual igreja é considerada como perseguida?
R.: Esmirna (Ap 2.10-11).

2. Por que muitos fabricantes de ídolos se opuseram ao cristianismo?
R.: Devido à adoração exclusiva a Cristo e à ausência de imagens (At 19.2).

3. Qual heresia a Igreja Primitiva já tinha combatido no período dos apóstolos Paulo e João?
R.: O Gnosticismo (Cl 2.8; 1Jo 2.22).

4. Qual é o caminho que nos leva a Deus?
R.: Jesus O Caminho (Jo 14.6).

5. Qual passagem bíblica impactou a vida de Lutero?
R.: Romanos 1.17 "O justo viverá pela fé".

BIBLIOGRAFIA
[1] Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal - CPAD - ARC
Bíblia de estudo pentecostal, Almeida revista e corrigida, Rio de Janeiro, CPAD
Bíblia do Culto - Editora Betel
Revista EBD Betel Dominical Professor – 2º trimestre 2019, ano 29, número 111 - Editora Betel


sábado, 13 de abril de 2019

Lição 2 - O Fundamento e a Edificação da Igreja


Dia 14 de Abril de 2019

Professor inicie a aula lendo:
Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. (1 Coríntios 3:11)

Texto Áureo
“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16.18)
A Igreja tem promessa de Deus para vencer. O inferno e todas as forças e potestades, que se levantaram e se levantam contra ela, não prevalecerão, porque Jesus está conosco. Se desejarmos ser vitoriosos, precisamos estar em comunhão com Cristo e com sua igreja.

Verdade Aplicada
A vida do cristão deve estar alicerçada na rocha que é Cristo Jesus. Ele é o alvo da nossa vida.

Objetivos da Lição
1 - Explicar quem é a pedra fundamental da Igreja;
2 - Mostrar que a Igreja teve seu início no Pentecostes;
3 - Apresentar as bênçãos atuais usufruídas pelos cristãos.

Hinos sugeridos
24 - Poder Pentecostal,
139 - Jesus Meu Eterno Redentor, 
440 -  Em Vive pra Cristo

Mateus 16.15-19
15 - Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?
16 - E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo.
17 - E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus.
18 - Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
19 - E eu te darei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

INTRODUÇÃO
Veremos sobre qual fundamento a Igreja de Cristo está estabelecida, seu início histórico e as suas prerrogativas. 

1. CRISTO É A ROCHA
Somente através de uma interpretação correta das Escrituras poderemos entender a expressão: "E sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt 16.18).

1.1  Jesus, o Messias.
O título e o conceito de Messias (do hebraico Mashia, do grego Christos, que significa "ungido") são originários do significado do verbo "ungir com óleo". Diferentemente do Antigo Testamento, que o termo tem uma utilização mais abrangente, no período de Jesus o termo ganha uma conotação mais específica para o futuro rei de Israel. Sendo assim, Jesus é o Messias e nEle todas as promessas de Deus são cumpridas. Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores, Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz (Is 9.6). 
Poucas vezes encontramos Jesus se declarando ser o messias, ou seja, ele declarava a quem ele achava conveniente. Cite como exemplo o diálogo com a mulher samaritana, este foi um dos casos onde ocorreu a revelação de que ele era o Messias.
Disse a mulher: "Eu sei que o Messias (chamado Cristo) está para vir. Quando ele vier, explicará tudo para nós". Então Jesus declarou: "Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você”. (João 4:25,26) - nvi
A realeza do Messias. A mensagem angélica anunciada aos pastores que se encontravam no campo era que havia nascido na “cidade de Davi, [...] o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Lucas lembra o fato de que Cristo nasceu em Belém, cidade de Davi, cumprindo dessa forma a profecia bíblica (Mq 5.2). Mas o Messias não apenas nasce em Belém, cidade de Davi, Ele também possui realeza porque é da descendência de Davi, como atesta a sua árvore genealógica (Lc 3.23-38). Mas não era só isso. Lucas também detalha como o anjo de Deus falou da realeza do Messias aos camponeses! Ele é o Salvador, o Cristo, o Senhor (Lc 2.11). Essas palavras proferidas pelo anjo, além de mostrar a realeza do Messias, destacam também a sua divindade. Jesus é Deus feito homem! Lições CPAD Jovens e Adultos » 2015 » 2º Trim.)

1.2  A afirmação de Pedro.                     
Após ser indagado por Jesus quem Ele era, Pedro declara: "Tu és o Cristo, Filho do Deus vivo." (Mt 16.16). A declaração é importantíssima, tendo em vista que Jesus nunca se identificara como o Messias diretamente, exceto no caso da mulher samaritana (Jo 4.26). Para reconhecê-lo como tal, era necessário primeiramente um ato de fé e a revelação do Pai (Mt 16.17). Somente através da fé, podemos reconhecer Jesus como o Messias.
O que me chama bastante a atenção é que seis dias após Pedro declarar ser Jesus o Cristo (Messias), o mestre os leva a um monte e ali se transfigura, confirmando sua divindade e também as declarações de Pedro. (Jo 17.1-3)
Seis dias depois, Jesus foi para um monte alto, levando consigo somente Pedro e os irmãos Tiago e João. Ali, eles viram a aparência de Jesus mudar: o seu rosto ficou brilhante como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz. (Jo 17.1-2).
Nota: Revelações são para os que creem.

1.3  Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.
Tendo em vista as características da afirmação, não é a pessoa de Pedro que é a pedra fundamental da Igreja, mas, sim, o próprio Cristo, pois ele é a pedra de esquina, pedra a qual se colocava nas extremidades para a fundação de um edifício (Ef 2.20; 1Pe 2.4-8), e a pedra de tropeço (Rm 9.32-33), cuja pessoa e ministério foram contrários às expectativas dos judeus a respeito do Messias, que o rejeitaram e, pela sua obstinação, não desfrutaram da salvação oferecida. Jesus é a pedra espiritual na qual os israelitas no deserto saciaram a sua sede (1Co 10.4).
A edificação da Igreja. Em Mt 16.18, vemos a promessa da edificação da Igreja sobre o próprio Cristo. Ele é a Rocha. Somente Ele satisfaz essa condição, conforme lemos em 1 Co 3.11; 10.14; Rm 9.33; Mt 21.42; Mc 12.20; Lc 20.17. Sem dúvida, Pedro foi um dos líderes da Igreja primitiva, ao lado de Tiago e de João (At 12.17; 15.13; Gl 2.9). Contudo, não há base bíblica para afirmar que a Igreja teria Pedro como a rocha sobre a qual ela seria edificada. Jesus é o fundamento da Igreja (1 Co 3.11). Se alguém tem dúvida, basta ouvir o que o próprio Pedro disse em 1 Pe 2.4,5; At 4.8,11. Lições CPAD Jovens e Adultos » 2000 » 2º Trim.)
Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. (Atos 4:11)

2.  O INÍCIO DA IGREJA: PENTECOSTES 
Depois da morte e ressurreição de Jesus, um pequeno grupo de discípulos, de quase cento e vinte pessoas, esperavam em Deus a direção divina e o recebimento da promessa do Pai. Por um período de quarenta dias, Jesus apareceu-lhes repetidas vezes, continuando a instruí-los. A ordem era permanecer em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder (Lc 24.49).

2.1  A Festa de Pentecostes.
O nome desse festival vem da palavra grega para "quinquagésimo". A festa era celebrada cinquenta dias depois da Páscoa. O Pentecostes é mencionado pela primeira vez no Novo Testamento como sendo a ocasião do derramamento do Espírito Santo sobre os discípulos de Cristo. Como essa era uma festa obrigatória, os judeus viajavam grandes distâncias para se reunir e participar da festa em Jerusalém, proporcionando, assim, um momento estratégico para o início do anúncio do Evangelho por parte dos primeiros discípulos, agora revestidos de poder. É no pentecostes que a Igreja tem seu marco de inauguração (At 2.1). A festa de Pentecostes (Lv 23.15-21) marcava o auge da safra com a colheita do trigo, celebrando, assim, a fidelidade do Senhor para com o Seu povo, concedendo todo o suprimento necessário, o qual devia lembrar-se dos pobres e estrangeiros (Lv 23.22). No Novo Testamento a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes lembra a prontidão do Senhor em prover à Igreja o necessário à edificação e ao cumprimento da missão de anunciar que Deus está chamando a todos para dar o arrependimento e a remissão dos pecados (At 3.26; 5.31).
O Movimento Pentecostal nos mostra que a Igreja de Cristo não é somente uma organização, mas um organismo vivo.

Pentecostes
“Pentecostes era a segunda das três grandes festas de Israel (Dt 16.16). Suas principais passagens estão em Êxodo 23.16, Levítico 23.15-22, Números 28.26-31 e Deuteronômio 16.9-12. A palavra grega Pentecostes (pentekosté) significa ‘quinquagésimo’, referindo-se ao quinquagésimo dia depois da oferta de manjares durante a Festa dos Pães Asmos (At 2.1; 20.16; 1 Co 16.8).

Outro título pelo qual esta festa é conhecida é a Festa das Semanas (Êx 34.22; Dt 16.10,16; 2 Cr 8.13), que se refere a sete semanas após a oferta das primícias; a Festa da Colheita (Êx 23.16), referindo-se à conclusão das colheitas de grãos; o dia das primícias (Nm 28.26), falando das primícias de uma colheita terminada, e mais tarde os judeus a chamaram solenemente de assembleia, que foi aplicado ao encerramento da festa da estação da colheita. Embora as Escrituras não afirmem especificamente seu significado histórico, elas parecem indicar basicamente uma festa da colheita.

[...] Em Números 28.26 o Pentecostes é chamado tanto de Festa das Semanas como de Festa das Primícias. Esta Festa das Primícias não deve ser confundida com as primícias oferecidas durante os dias dos pães asmos.

No NT, o Pentecostes está relacionado ao dom do Espírito Santo (At 2.1-4). Cristo ascendeu como as primícias da ressurreição (1 Co 15.23), e 50 dias depois deste evento veio o derramamento do Espírito Santo, dando início ao cumprimento da profecia de Joel (Jl 2.28-32)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2009, pp.1500-01).

2.2  A descida do Espírito Santo.
Os profetas tinham previsto um dia quando Deus derramaria de Seu Espírito sobre todo o Seu povo, não apenas sobre seus líderes designados - reis, sacerdotes e profetas. Essa dádiva resultaria de um reavivamento do espírito profético e da revelação (Jr 2.28-29). Da forma como Joel colocou, essa dádiva do Espírito é um evento escatológico que pertence ao dia em que Deus finalmente redime Seu povo, congregando-os em Seu Reino. Por essa razão, esse dia é associado ao Dia do Senhor, que é igualmente um dia de julgamento e salvação. Por isso, participar da Igreja de Cristo é partilhar da salvação proclamada por Ele, assim como não participar é ser alvo do julgamento divino.
A promessa da efusão do Espírito. Deus revelou ao profeta Joel que, nos últimos dias, haveria uma efusão do Espírito Santo sobre os fiéis (Jl 2.28-32). Por conseguinte, a promessa do derramamento do Espírito Santo não se destinava apenas aos crentes que se achavam reunidos no cenáculo, mas diz respeito a todos os servos de Deus em todos os lugares e épocas (At 2.1-13, 39). O Movimento Pentecostal implica numa ação contínua e renovadora do Espírito Santo na vida da Igreja, fazendo com que esta cumpra cabalmente as demandas da Grande Comissão (Mt 28.19,20; Mc 16.15-20).  Fonte: Lições CPAD Jovens e Adultos » 2011 » 2º Trimestre

2.3  Crescimento e Expansão.
Com a descida e derramamento do Espírito Santo, a Igreja inicia a sua jornada com as ferramentas necessárias para a boa obra. A frase "revestimento de poder" tem como princípio catalisador o poder do Espírito (poder, do grego dynamis), que pode ser traduzido como: poder, força, habilidade. Deus, através de Seu Santo Espírito capacita o cristão para a Sua obra. Esse derramamento é chamada do batismo com o Espírito (At 1.5) e do dom Espírito Santo (At 2.38). Assim, após a descida do Espírito e o subsequente anúncio do Evangelho, quase três mil almas se convertem em Jerusalém, mostrando que somente através da direção de Deus e da atuação do Espírito podemos ser bem-sucedidos em Sua obra.
Hoje em dia não se busca mais o revestimento de poder, infelizmente o ser humano está cético, vivendo somente pelo que pode ver e pegar esquecendo de que Deus opera no sobrenatural do seu poder.

3. Bênçãos Atuais
Como novo povo de Deus, a Igreja desfruta de benefícios que o próprio Deus estabeleceu para que ela vivesse na era atual.



 3.1  Eleição.
Eleição: Do grego "eklegomai"; selecionar para si; escolher.
É o ato soberano de Deus em graça, pelo qual Ele escolheu em Jesus Cristo para a salvação todos aqueles que de antemão Ele sabia que responderiam positivamente à ação do Espírito Santo. Deus não nos escolhe por algum mérito nosso, mas, sim, através de um ato livre, espontâneo, gracioso e amoroso de Sua parte. Porém a Bíblia baseia a eleição em concordância com a presciência: "Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.", (1 Pe 1.2 ). Ou seja, Ele escolheu aqueles que anteriormente previu que iriam reconhecer a Cristo como único e suficiente Salvador. Isso nos mostra que, como Igreja, apesar de não sermos merecedores, nós temos responsabilidades com nossas escolhas e em obedecer às Escrituras.
Efésios 1.4-6 
4 - Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade,
5 - e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade.

Romanos 9.14-15,23-26,30-32
14 - Que diremos, pois? Que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma!
15 - Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia.
23 - para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou,
24 - os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?
25 - Como também diz em Oséias: Chamarei meu povo ao que não era meu povo; e amada, à que não era amada.
26 - E sucederá que no lugar em que lhes foi dito: Vós não sois meu povo, aí serão chamados filhos do Deus vivo.
30 - Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé.
31 - Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não chegou à lei da justiça.
32 - Por quê? Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras da lei. Tropeçaram na pedra de tropeço.

3.2  Regeneração.
Enquanto que a conversão é um ato humano-divino em que o ser humano, através da fé, responde positivamente à ação do Espírito Santo, a regeneração é a ação divina, em que Deus muda o coração do ser humano, tornando-o participante da natureza divina (2 Pe 1.4); é o novo nascimento. Portanto, esta doutrina nos remete ao entendimento de que não há solução para o problema do pecado fora da ajuda divina. É a restauração da natureza humana naquilo que ela foi originalmente planejada para ser e ao que, de fato, era antes que o pecado entrasse na humanidade no momento da Queda. É simultaneamente o início de uma vida nova e retorno da vida e da atividade original. Isso nos faz refletir sobre a nossa vida, se mudamos de fato ou se nos enganamos. O verdadeiro discípulo de Jesus não pode mais ser o mesmo, este deve ter uma vida de acordo com os preceitos de Deus (Jr 31.33). 
A regeneração é uma ação do Espírito Santo, mediante a qual Ele cria uma nova natureza no homem (Jo 3.3,6; Tt 3.5; 1 Pe 1.2,23 cf. Jr 31.33; Ez 36.25-27). Este ato milagroso ocorre simultaneamente à conversão a Cristo. Quando o ser humano morto em delitos e pecados, aceita a Cristo, é vivificado espiritualmente (Ef 2.1,5,6; Rm 7.6). Esta obra, além de vivificar o espírito, alcança cada parte da natureza humana (2 Co 5.17; 7.4,6; 1 Ts 5.23).
A regeneração é indispensável porque, sem Cristo, o pecador é incapaz de obedecer e agradar a Deus (Sl 51.5; 58.3; Rm 8.7,8; 5.12). Embora seja uma radical transformação operada por Deus em nosso interior, é necessário que estreitemos a cada dia o nosso relacionamento com Jesus, a fim de que cheguemos à medida da estatura completa de Cristo (Ef 1.13; 1 Pe 1.15). (Lições CPAD Jovens e Adultos » 2006 » 1º Trim.)

3.3  Justificação.
Era o ato jurídico em que um juiz declarava um réu inocente. Ser justificado é ser livre da culpa e da condenação por parte da justiça. Através de Cristo, nós somos inocentes de Deus pois Ele levou sobre si os nossos pecados, não existe mais culpa. Quando confessamos o nosso pecado e recebemos o perdão de Deus, sentimos a paz de Deus que excede todo o entendimento (Fp 4.7). 
A justificação. Enquanto a regeneração modifica a natureza do crente; a justificação muda a posição dele diante de Deus. O sacrifício expiatório de Cristo no Calvário é a provisão divina para garantir ao homem a posição de justo diante de Deus (Rm 3.25; 5.9; Ef 2.13; 1 Pe 1.4,5). Uma vez regenerado, o homem, por meio da fé, é justificado gratuitamente mediante o preço pago por Jesus Cristo na cruz (1 Pe 2.18-23; Rm 3.22,24,25,28; 5.1,9).
Portanto, a justiça do crente não provém das obras da lei (Gl 2.21), mas da maravilhosa graça do Senhor: “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24). Mediante a justificação, Deus absolve o pecador da condenação e declara-o justo perante Ele (Rm 8.30; 5.18). (Lições CPAD Jovens e Adultos » 2006 » 1º Trim.)

CONCLUSÃO
Planejada na eternidade como o mistério de Deus, a Igreja iniciou a sua história no dia de Pentecostes e continua até hoje criando e mudando histórias através da ação do Espírito Santo.


  
QUESTIONÁRIO

1. Quem é a pedra fundamental da Igreja ?
R.: Jesus (Mt 16.18).

2. Quem é a pedra espiritual na qual os israelitas no deserto saciaram a sua sede ?
R.: Jesus (1Co 10.4).

3. Qual foi o marco de inauguração da Igreja ?
R.: A festa de Pentecostes (At 2.1).

4. Quem deve ter uma vida de acordo com os preceitos de Deus ?
R.: O verdadeiro discípulo de Jesus (Jr 31.33).

5. O que acontece quando confessamos o nosso pecado e recebemos o perdão de Deus ?
R.: Sentimos a paz de Deus que excede todo o entendimento (Fp 4.7).

BIBLIOGRAFIA
[1] Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal - CPAD - ARC
Bíblia de estudo pentecostal, Almeida revista e corrigida, Rio de Janeiro, CPAD
Bíblia do Culto - Editora Betel
Revista EBD Betel Dominical Professor - 2 trimestre 2019, ano 29, número 111 - Editora Betel



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