quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Lição 05 - Paulo e Barnabé, aliados na obra do Senhor



04 de Novembro de 2012


Texto Áureo

“Portanto, meus amados ir­mãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”. 1 Co 15.58

Verdade Aplicada

O grande segredo para o cres­cimento espiritual e ministerial na obra do Senhor reside na perseverança e aprendizado constante.

Objetivos da Lição

           Familiarizar os alunos com a personalidade generosa de Barnabé;
           Revelar o lado social da igreja de Antioquia em tomar a iniciativa de ajudar os neces­sitados;
           Mostrar as constantes tran­sições positivas alcançadas na igreja pela administração de Barnabé.

Textos de Referência

At 11.25     E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia.
At 11.26     E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gen­te; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.
At 11.27     E naqueles dias des­ceram profetas de Jerusalém para Antioquia.
At 11.28     E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César.
At 11.29     E os discípulos de­terminaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socor­ro aos irmãos que habitavam na Judéia.
At 11.30     O que eles com efeito fizeram, enviando-o aos anci­ãos por mão de Barnabé e de Saulo.

LEITURAS COMPLEMENTARES
  • Segunda feira: Jó 26.2
  • Terça feira: Pv 17.17
  • Quarta feira: Pv 18.19
  • Quinta feira: Pv 18.24
  • Sexta feira: Pv 27.10
  • Sábado: Pv 14.10

INTRODUÇÃO
Quando Paulo retornou à sua cidade natal (Tarso) pareceu um desfecho um tanto melancólico dado por Lucas. Mas aí ele passa a narrar vividamente os atos de Pedro, para depois retornar a trajetória de Paulo como um assistente de talento. Aqui estudaremos um pouco do perfil de Paulo que atendendo um convite para auxiliar Barnabé, teve um contínuo progresso espiritual e ministerial em Antioquia.

1. Paulo, um companheiro em potencial.
Aquele era um momento surpreendente de crescimento e multiplicação de conversões nas regiões da Judéia, Galileia e Samaria, e os irmãos que saíram dispersos por causa da perseguição iam anunciando a Palavra por onde passavam, de maneira que muitos judeus se convertiam cada vez mais ao Senhor.

1.1 Antioquia, uma igreja crescente (At 11.20,21)
20. Alguns dos crentes que vieram da ilha de Chipre e Cirene no Norte da África (cons. 13:1) foram a Antioquia e lançaram o Evangelho em uma nova direção. Antioquia era a terceira cidade do Império Romano e a residência do governador romano na província da Síria.
Embora houvesse uma colônia judia em Antioquia a cidade era principalmente gentia e grega. O culto às deidades pagãs, Apolo e Ártemis, cuja adoração incluía a prostituição ritual, tinha o seu quartel-general nas proximidades. Antioquia era notória por sua degradação moral.  Gregos neste contexto referem-se aos gregos puros e não aos judeus que falavam o grego. O Evangelho pregado aos gentios proclamou não primeiramente o messiado de Jesus, mas seu Senhorio.
O messiado era um conceito judeu que não teria significado para os gentios que não tivessem antecedentes judeus. (Comentário Bíblico Moody – Atos)

11:20 "homens de Chipre e de Cirene" Estes são os mesmos Judeus de fala Grega que, como em Atos 6-8, começaram a pregar as implicações universais do evangelho Cristão em Jerusalém. Barnabé era desta área geográfica.
• "aos Gregos" Esta palavra (Hellên) normalmente se referia aos Gentios (cf. 14:1; 16:1,3; 18:4; 19:10,17; 20:21; 21:28). Contudo, em 17:4 se refere aos Gentios que eram vinculados às sinagogas, mas não eram membros (isto é, os tementes a Deus).
A questão é "a quem Lucas está se referindo como tendo sido pregado: (1) aos Judeus de fala Grega como em 6:1 e 9:29 (Hellenistas) ou (2) Gentios de fala Grega?; ou (3) totalmente Gentios (cf. TEV e BJ)? Com toda a comoção que isto causou, possivelmente este termo se refere àqueles que falavam Grego; alguns poderiam ser Judeus da Diáspora, outros totalmente Gentios.
• "pregando o Senhor Jesus" Isto é PARTICÍPIO MÉDIO DO PRESENTE do VERBO do qual obtemos o
termo "evangelizar" ou "evangelismo". Sua mensagem não era sobre as leis ou procedimentos do VT, mas sobre Jesus de Nazaré como Messias!
11:21 "a Mão do Senhor estava com eles e um grande número creu e se voltou para o Senhor" Esta é uma nova declaração resumida do grande movimento de através da pregação evangelística. Finalmente Atos 1:8 estava se cumprindo (cf. verso 24b).
É interessante notar que o termo "Senhor" (Kurios) é usado pela primeira vez neste verso para se referir a YHWH (cf. LXX Ex. 3:14; II Sam. 3:12; Isa. 59:1). Contudo, numa parte posterior deste verso é usada para se referir a Jesus Cristo. Esta transferência de título é uma técnica literária comum dos autores do NT para afirmarem a deidade de Jesus.
A "mão do Senhor" é uma expressão antropomórfica. YHWH é um espírito eterno presente através do tempo e da criação. Ele não tem um corpo físico. Contudo, o único vocabulário que os homens possuem para falar de alguma coisa pessoal é físico, com termos humanos. Devemos nos lembrar dos limites da linguagem, que pela queda, limitam o homem ao tempo e as coisas terrenas. Só se fala do ambiente espiritual através de metáforas, analogias e negações. Isto expressa a verdade, mas não de maneira exaustiva. Deus é muito maior do que a nossa habilidade para conhecê-lo e Expressá-lo. Ele se comunica verdadeiramente conosco, mas não exaustivamente. Podemos confiar na Bíblia como a autorevelaçao de Deus, mas devemos compreender que Deus é ainda maior do que isto! A linguagem humana revela e limita! (Comentário Bíblico de Atos - Bob Utley)

1.2 Barnabé o enviado (At 11.22-24)
11:22-24 / Quando os crentes de Jerusalém ouviram a respeito dessas novidades, enviaram (apóstolos e os presbíteros? Veja a nota sobre o v. 30) Barnabé a Antioquia para investigar (v. 22). Esta não foi necessa­riamente uma reação hostil. É certo que havia aqueles que achavam que os convertidos gentios precisavam aceitar "o jugo da lei" (veja a disc. sobre 15:10; cp. ll:2s.; 15:1), mas nem todos partilhavam tal opinião, ou não a apregoavam com tanta força. Talvez seja melhor entender o fato de enviarem a Barnabé como sendo uma tentativa de estabelecer um bom relacionamento com os cristãos de Antioquia, da mesma forma que Pedro e João haviam sido enviados aos samaritanos (cp. v. 20).
Ao chegar a Antioquia, Barnabé regozijou-se quando viu a graça de Deus (v. 23; veja a disc. sobre 3:8). O fato de ele "ter visto" pode significar que havia sinais visíveis da bênção —talvez grande mudança no modo de viver, quem sabe a manifestação mais palpável dos dons do Espírito (veja a disc. sobre 8:14ss. e 10:46). Barnabé não encontrou nada ruim em sua fé, nem deficiente em sua instrução, pois nada acrescentou. Apenas exortou a todos a que permanecessem no Senhor com todo o seu coração (v. 23; cp. 15:32), isto é, que continuassem no caminho que haviam iniciado, não permitindo que nada os separasse de Jesus. O tempo imperfeito do verbo "exortar" (ou "encorajar") implica em que Barnabé permaneceu em Antioquia e que ele martelou esse tema enquanto ali esteve. Barnabé é o grande encorajador (4:36), que também provou ser homem de bem (uma descrição singular em Atos) e cheio do Espírito Santo e de fé (v. 24). Essas foram as qualidades que fizeram que Estevão fosse tão eficiente como diácono (6:5), e graças a Deus, Barnabé mostrou a mesma eficiência. Parece que foi por intermédio dele, mais do que de outra pessoa, que muita gente se uniu ("se acrescentava"; cp. 2:47) ao Senhor (v. 24; observe o elo implícito entre a primeira e a segunda metades deste versículo). Parece que Barnabé tornou-se líder da igreja de Antioquia, o que era de esperar-se em conseqüência de sua longa ligação com os apóstolos. Sem dúvida alguma, no devido tempo ele apresentou um relatório à igreja de Jerusalém. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

1.3 Paulo é convidado para trabalhar (At 11.25)
11:25-26a / O crescimento da igreja foi tão grande que logo Barnabé sentiu a necessidade de um assistente, quando então seus pensamentos pousaram em Paulo (cp. 9:27) que, nos últimos anos, andara de cidade em cidade na Síria e na Cilícia, anunciando "a fé que outrora procurava destruir" (Gálatas 1:21ss.). E possível que Barnabé tivesse ouvido algo acerca de Paulo, o suficiente para convencê-lo de que era o homem certo para Antioquia. Tarso ficava a noroeste da capital siríaca, podendo ser alcançada por terra ou por mar. Não foi fácil localizar-lhe o paradeiro. Só depois de demorada busca (informa-nos o termo grego) é que Barnabé encontrou a Paulo, de modo que ambos foram juntos para Antioquia. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

11:25 "e ele partiu para Tarsis para procurar por Saulo" Este verbo está no Papiro Egípcio (mas não na LXX) implica que Saulo não estava fácil de ser encontrado. Somente Lucas usa este termo no NT (cf. Lucas 2:44,45; Atos 11:25). Estes anos de silêncio são mencionados aparentemente em Gal. 1:21. O tempo exato deste recorte é incerto, mas foi de aproximadamente de dez anos. (Comentário Bíblico de Atos - Bob Utley)

2. O trabalho de Barnabé e Paulo
A Igreja em Antioquia principiou com elementos judeus, depois helênicos, e por fim gentios. Essa massa de pessoas vindas de diferentes lugares com culturas diferentes, no entanto, tinham uma coisa em comum, o fato de crerem em Jesus Cristo. A fé em Jesus foi o agente agregador que os reuniu eliminando vantajosamente todas as diferenças e possibilitando a realização posterior da obra missionária no Império Romano.

2.1 A prioridade no ensino (At 11.26)
Nesta cidade ambos trabalharam juntos por todo um ano (v. 26), instruindo a igreja segundo o exemplo dos apóstolos (2:42; cp. Mateus 28:20), até determinado tempo em que a igreja, tendo atingido certo nível de maturidade, enviou-os para a obra mais ampla da "primeira viagem missionária" (13:3ss.). Pode ter acontecido que nesses primeiros meses em Antioquia, Paulo houvesse recebido a primeira visão do verdadeiro escopo de seu chamado para ser apóstolo "para com os gentios" (Gálatas 2:8). O texto grego do versículo 26 não prima pela clareza, embora ECA nos dê uma tradução excelente: se reuniram (Paulo e Barnabé) naquela igreja. Entretanto, várias alternativas têm sido sugeridas, das quais mencionamos uma que nos parece muito atraente: "eles se tornaram unidos naquela igreja", o que enfatiza que a associação de Paulo e Barnabé em Antioquia foi de inestimável valor para a missão da igreja.
Lucas observa duas outras questões interessantes nesta seção: Primeira, em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos (v. 26). No Novo Testamento, os cristãos nunca se chamam a si mesmos por este nome; tampouco é provável que o nome cristão lhes tenha sido atribuído pelos judeus. Portanto, deve ter partido de outros da cidade, e é testemunho de a igreja haver forçado sua presença, como grupo de pessoas com identidade própria que lhes chamava a atenção. Talvez não seja mero acidente de linguagem que ambas as declarações do v. 26, a que se refere ao número dos cristãos, e a que menciona seu nome, estejam tão intimamente relacionadas no grego. O substantivo "cristão" deriva do latim, cujos nomes no plural que terminam em iani denotam os partidários da pessoa sob referência; p.e., os herodianos eram os partidários de Herodes Antipas. H. B. Mattingley sugere que o termo christiani foi criado como expressão jocosa pelos cidadãos de Antioquia a fim de ridicularizar os Augustiani, uma brigada de devotos cultuadores que publicamente adulavam a Nero. Assim, tanto o entusiasmo dos crentes como a ridícula homenagem prestada pelos bajuladores imperiais eram satirizados nessa comparação ("The Origin of the Name Christian" [Origem do Nome Cristão], JTS 9, 1958, pp. 26ss.). Entretanto, o nome "cristão" pode ser bem mais velho do que a instituição dos Augustiani, o que certamente é plausível, se pensarmos que com essa observação Lucas tinha em mente informar que aquele nome originou-se nessa época. Todavia, persiste a possibilidade de o nome "cristão" ter sido cunhado como zombaria, e teria sido nesse sentido que Agripa II usou-o em 26:28 (cp. 1 Pedro 4:16). (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

2.2 Proveram socorro aos necessitados (At 11.28-29)
A segunda questão é a provisão feita pela igreja de Antioquia, quando a fome se alastrava, enviando socorro aos irmãos que moravam na Judéia (v. 29). A linguagem de Lucas intenciona mostrar a unidade existente entre os dois grupos de crentes. O profeta Ágabo, que viera de Jerusalém com um grupo de crentes, advertiu os irmãos de Antioquia de que haveria uma grande fome em todo o mundo (v. 28; cp. 24:5; Lucas 2:1). Foi isso mesmo que aconteceu em termos gerais. O reinado de Cláudio (41-54 A.D.) tornou-se notável pela fome que afligiu várias partes do império romano. O primeiro, segundo, quarto, nono e décimo primeiro ano de seu reinado ficaram registrados como anos de fome num ou noutro distrito (veja Suetônio, Cláudio 18; Tácito, Anais 12.43; Dio Cassio, História Romana 60.11; Eusébio, História Eclesiástica 2.8). De acordo com Josefo, a Judéia foi atingida entre 44 e 48 d.C. (Antigüidades 20.49-53). Mas, para a igreja de Antioquia a previsão serviu de aviso. Decidiram os crentes mandar, cada um conforme o que pudesse, uma oferta para a Judéia (v. 29; cp. 1 Coríntios 16:2). O desejo deles era prover socorro aos irmãos; o grego poderia implicar que aqueles cris­tãos enviariam tanto quanto pudessem "para o ministério", lembrando uma expressão similar usada em 6:1, enfatizando que esta oferenda era uma versão em escala maior de uma prática primitiva da igreja (cp. 2:44; 4:32-35; veja também a disc. sobre 20:1 -6). (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

2.3 Representantes de Antioquia (At 11.30)
O caso dos cristãos da Judéia talvez fosse muito desesperador naqueles anos de fome, visto que é bem provável que entre os que fugiram daquela região, durante a perseguição, estariam os mais bem qualificados para prover seu próprio sustento noutras regiões. A igreja, pois, teria sido despojada de seus membros mais ricos na época em que a ajuda deles seria mais necessária. Como deveria ter sido bem-vinda aquela ajuda de Antioquia! O dinheiro levantado pela igreja de Antioquia foi entregue por Paulo e Barnabé nas mãos dos anciãos, que aparentemente se tornaram líderes em Jerusalém, tendo Tiago como presidente do conselho (v. 30; veja a disc. sobre 12:17 e as notas; quanto ao sucesso desse empreendimento, cp. o parecer de Paulo em Gálatas 6:6, com os vv. 22 e 27). Esta visita de Paulo a Jerusalém é identificada às vezes com aquela mencionada em Gálatas 2:1-10, mas no todo isto nos parece improvável (veja a disc. sobre 15:1-21). Quando Paulo e Barnabé terminaram essa tarefa, voltaram para o norte, levando consigo João Marcos (12:25).
11:30/anciãos (cf.l4:23; 15:2, 4, 6, 22, 23; 16:4; 20:17; 21:18):Para entender a emergência desta ordem, devemos lembrar que a igreja havia sofrido duas grandes perseguições (assumindo que Antioquia foi formada posteriormente a 44 d.C; 8:lss.; 9:lss.; 12:lss.)- Estas dispersaram um número significativo de cristãos, incluindo, supomos, outros além dos primeiros Sete líderes que in­cluíam Filipe, talvez também os que restaram dos Doze (cp. 12:1, 2 17). De toda maneira, os Doze não queriam envolver-se no dia-a-dia da administração da igreja. Desta maneira a primitiva liderança da igreja em Jerusalém foi dispersa (apesar que de tempos em tempos os apóstolos retornavam à cidade quando importantes decisões deveriam ser tomadas; cp. 15:2ss., talvez também 11:1 e 22), e isto, juntamente com a inclinação natural da igreja de aceitar o costume da sinagoga, talvez apontassem como líderes os anciãos. Este fato abriu prece­dente para que outras igrejas os imitassem (14:23; 20:17). Os anciãos eram às vezes chamados "supervisores" (gr. episkopoi; veja nota em 20:28; cp. Filipen-ses 1:1; 1 Timóteo 3:1 s., Tito 1:7) ou simplesmente "os que presidem sobre vós" (1 Tessalonicenses 5:12). Diferentemente dos judeus, eles costumavam ter um papel espiritual como pastores e professores, assim como administradores (cp. 20:17; 1 Timóteo 5:17; Tiago 5:14; 1 Pedro 5:1-4). E de 1 Timóteo 4:14; 5:22 e 2 Timóteo 1:6 podemos deduzir que estas indicações foram feitas por impo­sição de mãos. Acerca deste assunto, veja adiante a nota em 14:23. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

3. O retorno da missão representativa
Barnabé e Paulo provaram mutuamente ser bons parceiros na seara do Senhor: Barnabé estava satisfeito por ter buscado Paulo como companheiro na missão pastoral em Antioquia. E Paulo, por sua vez, estava demonstrando ser um assistente de talento ao lado de Barnabé, sempre dentro de suas expectativas.

3.1 A palavra crescia e multiplicava-se (At 12.24)
12:24 / Assim morreu o perseguidor da igreja. Enquanto isso acontecia, a igreja continuava a prosperar — esta é outra das declarações resumidas de Lucas (veja a disc. sobre 2:42-47). "O que semeia, semeia a palavra", disse Jesus (Marcos 4:14), e Lucas nos diz agora que a palavra de Deus crescia e se multiplicava. No texto grego, este versí­culo é idêntico à primeira parte de 6:7 (cp. também 19:20). (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

3.2 Retornaram acompanhados (At 12.25)
12:25 / O último versículo desta seção encerra a narrativa anterior sobre a missão caridosa de Paulo e Barnabé, a de levar alívio à fome reinante em Jerusalém (11:27-30). A referência a João Marcos aparece aqui, bem no fim, para explicar a presença desse jovem em Antioquia, na história que vem a seguir. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

12:25 Aqui começa o relato das viagens missionárias de Paulo. Existe uma variante textual neste verso relatando sobre quando retornaram para Jerusalém (cf. Manuscritos x e B) ou "de"Jerusalém ( cf. manuscritos apo, MS D ou ek, MSS P74, A). O capítulo começa com Barnabé e Saulo em Antioquia. (Comentário Bíblico de Atos - Bob Utley)

3.3 Retorno com um devocional intensificado
13:4-5 / Seria natural que os missionários se dirigissem primeiro a Chipre, embora, por causa do comentário de Lucas de que eles foram enviados pelo Espírito Santo (v. 4; cp. v. 3, onde os crentes "os despediram"), possamos presumir que se acrescentou maior convicção pelos ditames do bom senso. Chipre era a terra natal de Barnabé, lugar de fácil acesso onde com certeza já havia alguns cristãos (11:19s; 21:16). João Marcos os havia acompanhado (v. 5). É possível que os fatores determinantes de sua escolha teriam sido seu parentesco com Barnabé (veja a nota sobre 12:12), bem como talvez seu relacionamento com a ilha. Visto que seu nome não aparece no comissionamento, teria exercido funções subordinadas. João Marcos poderia ter cuidado das necessidades do dia a dia dos apóstolos, embora o termo empregado para descrevê-lo (gr. hyperetes, "servo", "atendente", "ministro") é usado às vezes para designar os ministros cristãos num sentido oficial (26:16; 1 Coríntios 4:1); com base nisto tem sido sugerido que Marcos teria servido como catequista, tendo também batizado os convertidos. Por outro lado, o uso do verbo correspondente (hyperetein) em 20:34 e 24:23 favorece o sentido de que o moço era auxiliar para serviços gerais. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

Conclusão
Percebe-se, ao longo desta lição, que a figura de Paulo, quando veio de Tarso para Antioquia, não apareceu muito. Senão ensinando a Igreja junto com Barnabé e, evidentemente, com outros mestres locais. Paulo era um assistente de valor; mas que reconhecia a sua posição na Igreja e honrava seu colega que lhe dera tamanho privilégio ao convidá-lo como assistente direto. Paulo soube aproveitar as oportunidades que lhe davam.



Fontes:
Bíblia de Estudos Dake
COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY – João
Revista: APÓSTOLO PAULO – Editora Betel - 4º Trimestre 2012 – Lição 05

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

LIÇÃO 04 – “O PROGRESSO ESPIRITUAL DO APÓSTOLO PAULO”



 28 DE OUTUBRO DE 2012


TEXTO ÁUREO

“Mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que já nos perseguiu anuncia agora a fé que antes destruía”. Gl 1.23
  
VERDADE APLICADA

Cada cristão tem o dever de ajudar espiritualmente ao seu semelhante.

OBJETIVOS DA LIÇÃO

1.  Acompanhar, pelos registros de Atos, o desenvolvimento espiritual de Paulo;
2.  Apresentar o zelo evangelístico de Paulo;
3.  Conhecer a sua dificuldade de permanecer em Jerusalém.

GLOSSÁRIO

Supracitado: mencionado acima ou anteriormente;
Dissidentes: aqueles que divergem nas opiniões;
Resignada: conformada;

Textos de Referência

At 9.20      E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus.
At 9.21      E todos os que o ouviam estavam atônitos, e diziam: Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome, e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais dos sacerdotes?
At 9.25      Tomando-o de noite os discípulos o desceram, dentro de um cesto, pelo muro.
At 9.26      E, quando Saulo chegou a Jerusalém, procurava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo.
At 9.27      Então Barnabé, to­mando-o consigo, o trouxe aos apóstolos, e lhes contou como no caminho ele vira ao Senhor e lhe falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus.
At 9.28      E andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo,

LEITURAS COMPLEMENTARES
  • Segunda feira: 2 Co 11.32
  • Terça feira: Rm 16.4
  • Quarta feira: Gl 1.18
  • Quinta feira: Pv 1.20
  • Sexta feira: Pv 2.7
  • Sábado: Pv 4.5

INTRODUÇÃO
Depois que Paulo reconfigurou a sua mente através da sua conversão a Cristo, o que não levou muito tempo, dada a sua vontade inquebrantável de crescimento, ele passou a viver de acordo com as suas novas convicções. Isso evidenciou a profunda transformação que sofreu no caminho de Damasco, e essa transformação, a cada tempo, tanto mais se evidenciava. Será estudado aqui como se processou o desenvolvimento espiritual de Paulo.
Houve a necessidade na vida de Paulo em buscar conhecer sobre esse Jesus, que havia lhe aparecido no caminho, e o chamado para uma obra grandiosa. Houve desejo no coração, na alma de Paulo, e vemos em nossos dias, muitos que tem perdido esse amor, não há mais desejo de ver a obra crescer, não há mais interesse em aprender a palavra de Deus.
Vemos um descaso com os cultos de ensino, onde são poucos os que frequentam que gostam de aprender, e vejo também uma falta de interesse em muitos de ensinar.
Não se dedicam mais no ensino da palavra, criando assim uma igreja raquítica na fé, sem firmeza, sem base bíblica que qualquer vento de doutrina derruba.
Precisamos fazer como Paulo, buscar o conhecimento, a graça e a unção de Deus para realizarmos grandes proezas no reino de Deus e buscarmos as almas que estão indo para o inferno todos os dias. (grifo meu)

1. O ESFORÇO EVANGELÍSTICO DE PAULO
A convivência com os irmãos de Damasco era muito boa, disso ninguém duvida, mas Paulo era uma pessoa com o temperamento e a vontade de demonstrar gratidão a Deus, e crescer espiritualmente. Sentia a necessidade de compartilhar tão logo a sua dramática conversão, e quem de fato era Jesus de Nazaré. 

1.1. Pregando nas sinagogas (At 9.20)
19, 20. Os alguns dias que Saulo passou em Damasco é um período de tempo muito indefinido. Imediatamente após a visão de Cristo, Saulo foi para à Arábia onde ficou por dois ou três anos (Gl. 1:15 e segs.). O curto ministério em Damasco pode ter acontecido antes ou depois da temporada de Saulo na Arábia. Havia numerosas sinagogas em Damasco, e neles Saulo proclamou a Jesus como o Filho de Deus. Esta é a primeira vez que esta frase ocorre no livro de Atos. Pode designar o rei messiânico como objeto do favor de Deus (lI Sm. 7:14; SI. 2:7). Este uso messiânico da frase Filho de Deus foi ilustrada pela pergunta do sumo sacerdote a Jesus (Mc. 14:61). Provavelmente, aqui, o termo tem o significado messiânico, pois Atos 9:22 diz que a pregação de Saulo provava que Jesus era o Messias (que aquele era o Cristo). (Comentário Bíblico de Moody – Atos)

9:19b-22 / Sendo portador de uma comissão da parte do Sinédrio, Paulo deveria pregar nas sinagogas de Damasco, e foi isso mesmo que ele fez, utilizando as sinagogas como as haveria de utilizar em suas viagens posteriores, como ponto de pregação evangelística (cp. 13:5; 14ss.; 14:1; 16:13; 17:ls., 10; 18:4, 19; 19:8; 28:17, veja a nota sobre 13:14). A mensagem desse fariseu pegou seus ouvintes de surpresa (v. 21), visto que ele pregava a respeito de Jesus, não contra Jesus, decla­rando ser este o Filho de Deus (v. 20).  (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

1.2. O espanto dos que o ouviam (At 9.21)
Para os ouvidos judaicos, esta frase podia significar várias coisas, mas o mais importante nesse aspecto é que era o título do rei (p.e., 2 Samuel 7:14; Salmo 2:2 e 89:27, 29) e, por extensão, o título do rei escatológico, o Messias (Enoque 105:2; 4 Esdras 7:28, 29; 13:32, 37, 52; 14:9). Era pelo menos nesse sentido que Paulo chamava a Jesus de Filho de Deus (veja o v. 22 e a nota sobre 11:20), mas à vista de sua recente experiência, é possível que Paulo não estivesse longe do uso cristão distintivo que revela a natureza divina de Jesus. Só Paulo emprega esse título em Atos (13:33), não sendo mero acidente que tal título tenha tão grande importância nas suas cartas (p.e., Romanos 8:3; Gálatas 4:4; Colossenses 1:15-20) e apareça em seu próprio relato de seu chamado para ser apóstolo (Romanos 1:1-4; Gálatas 1:16). Com respeito a isto é também digno de nota que o verbo perseguia (v. 21, gr. porthein) não se encontra em nenhuma outra passagem no Novo Testamento, exceto em Gálatas 1:13 e 23, com referência à mesma questão mencionada neste versículo. Observe-se de novo a descrição dos cristãos como "os que invocavam este nome" (veja a disc. sobre o v. 14). (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

21, 22. A transformação de Saulo deixou seus ouvintes muito admirados. Demonstrando. Literalmente, juntando; isto é, juntando as profecias do V.T. com seu cumprimento para mostrar que Jesus era o Messias (o Cristo). Tendo Saulo recebido a instrução de um rabi e consequentemente conhecendo bem o V.T., isto era-lhe agora muito útil. (Comentário Bíblico de Moody – Atos)

1.3. Seu esforço apologético (At 9.22)
A referência no v. 22 não diz respeito à pregação de Paulo (como afirma GNB), mas ao próprio Paulo que se esforçava muito mais. Ele se interessava cada vez mais pela sua nova vida (note-se o tempo imperfeito; cp. Salmo 84:7). Sua pregação e o efeito que exercia sobre os ouvintes estão descritos na última metade do versículo. O verbo grego (lit., "colocar juntos", "comparar") que ECA traduz por "provar", sugere que a pregação de Paulo consistia principalmente de comparações que ele fazia entre o Antigo Testamento e os eventos da vida de Jesus, a fim de comprovar ser ele o Messias (quanto a outra observação relacionada à técnica de Paulo em pregar, veja a disc. sobre 17:3). Isto sugere que Paulo estava familiarizado com a vida de Jesus. De modo algum é este fato algo que nos surpreende. Até mesmo quando era um perseguidor da igreja, Paulo teria sabido muita coisa a respeito do Senhor mediante controvérsias e inquéritos judiciais, se é que já não tivesse agora infor­mações de primeiríssima mão. E a partir de sua conversão, talvez Paulo tivesse estado sob a instrução de Ananias e outros. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

9:22
NASB "Saulo continuava aumentando em força"
NKJV "Saulo aumentava ainda mais em força"
NRSV "Saulo se tornava cada vez mais poderoso"
TEV "A pregação de Saulo se tornava ainda mais poderosa"
BJ "O poder de Saulo aumentava de forma constante:

Isto é um PASSIVO IMPERFEITO DO INDICATIVO. Levou algum tempo para que os dons e habilidades de Saulo se desenvolvessem. Nesse contexto a referência é à pregação de Paulo e suas habilidades para o debate (cf. TEV).
• "confundindo" Isto é um ATIVO IMPERFEITO DO INDICATIVO que denota uma ação repetida em tempo passado. É uma palavra composta pelos termos "junto" (sun) e "derramar" (cheo). Essa palavra é encontrada somente em Atos.

1. 2:6 - perplexo
2. 9:22 - confundido
3. 19:32 - confusão
4. 21:27 - atiçar
5. 21:32 - confusão

• Os Judeus não podiam explicar a conversão de Paulo ou sua poderosa pregação de Jesus como Messias prometido do VT.
• "provando" Esta palavra significa concluir (cf. Atos 16:10 e 19:33) e por extensão, provar. O método de Paulo era muito parecido com o de Estevão. Ambos usavam passagens do VT e seu cumprimento na vida de Jesus de Nazaré para provar que Ele era o Messias prometido no VT.
• "o Cristo" Esta era uma forma de se referir ao Messias (o Ungido, Prometido que Viria). Muitas vezes em Atos o ARTIGO DEFINIDO precede o SUBSTANTIVO (ex. 2:31,36; 3:18,20). Saulo estava afirmando com poder e convicção que Jesus de Nazaré, morto em Jerusalém, era na verdade o Filho de Deus, o Messias. Se isto era verdade, mudava tudo para os Judeus (e Gentios)! Eles não tinham entendido e O rejeitaram. Eles perderam o presente de Deus e permaneceram nas trevas espirituais e na necessidade. (Comentário Bíblico de Atos - Bob Utley)

2. FUGINDO DE DAMASCO
Quando se entende que o governante de Damasco era alguém delegado pelo rei Aretas IV, da Arábia, conclui-se facilmente que a estada de Paulo de Tarso lá na Arábia não foi tão tranquila como se imagina. Sua própria palavra define como foi “Em Damasco, o que governava sob o rei Aretas pôs guardas às portas da cidade dos damascenos, para me prenderem” (2 Co 11.32). O contexto imediato do que Paulo trata escrevendo aos coríntios, fala das humilhações, perseguições, açoites, fugas, etc., vividas ao longo de seu ministério exatamente nessa época. Assim, pode-se supor que essa indisposição não foi apenas por causa de seu trabalho em Damasco, mas na Arábia também.

2.1. Conselho de morte (At 9.23,24)
9:23-25 / Em Gálatas 1:17 Paulo diz que logo após sua conversão passou algum tempo na Arábia, e em 2 Coríntios 11:32s, ele nos dá mais alguns pormenores de sua estada em Damasco. Juntando tudo isso, parece que após sua estada inicial em Damasco, Paulo foi para a Arábia, o que talvez signifique Nabatéia (veja a nota sobre 2:9ss.). É possível que ele tenha estado ali durante dois ou três anos (os judeus contavam o tempo de modo inclusivo, de modo que esses "três anos" de Gálatas podem referir-se a um período ligeiramente superior a um ano completo), talvez pregando, mas meditando em profundidade nas coisas em que acreditava, à luz de sua experiência de conversão. Por fim, retornou a Damasco, sendo esse evento marcado talvez na narrativa de Lucas pelas palavras tendo passado muitos dias (v. 23). Por esta altura, os judeus da cidade ter-se-iam recuperado da surpresa gerada por sua conversão, e de maneira alguma tolerariam suas pregações a respeito de Jesus. Assim foi que planejaram matá-lo (cp. v. 29; 20:3, 19; 23:21; 25:3; 2 Coríntios 11:26), e, de acordo com 2 Coríntios, conseguiram recrutar o "que governava sob o rei Aretas" (NIV, governador) para que os ajudasse nessa tentativa. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

9:23 "Depois de passarem muitos dias" Precisamos levar em conta o relato pessoal de Paulo, encontrado em Gálatas 1:15-24, onde ele passou um longo período de tempo na Arábia. Neste contexto, Arábia refere-se ao reino Nabateu (governado por Aretas IV, que reinou de 9 a.C. a 40 d.C.) a sudeste de Damasco. O prazo de três anos reflete, provavelmente, alguma coisa ao redor de dezoito meses. Os Judeus contavam de um dia como o dia inteiro (cf. Mt. 26:61 e 27:40 e 63); este acerto de contas também foi usada para anos.
• "os judeus conspiraram juntos para acabarem com ele" Os judeus aparentemente provocaram as autoridades civis (cf. II Cor. 11:32-33). Isto deve ter sido humilhante para Paulo já que ele menciona muito esse evento em sua discussão da fraqueza em II Cor. 11. (Comentário Bíblico de Atos - Bob Utley)

2.2. A fuga de Paulo (At 9.25)
Parece que por essa época Damasco caíra sob o poder dos nabateus. Seu rei, Aretas IV, tinha estado em guerra contra seu genro, Herodes Antipas. Morrendo Tibério em 37 á.C, com a conseqüente retirada de Vitélio, governador romano da Síria, cujo auxílio havia sido prometido a Herodes, Aretas poderia ter avançado para o norte até Damasco. Esta suposição baseia-se em parte na referência feita por Paulo, e comprova-se pelo fato de não haver moedas imperiais de Damasco a partir dos últimos anos da década de 30 até 62 d.C. Em 62-63 d.C. começa a aparecer a imagem de Nero, o que nos sugere que a cidade passara de novo ao domínio romano. Enquanto isso, por instigação dos judeus, o governador colocou guardas às portas da cidade, mantendo vigilância contínua, dia e noite, para prender Paulo. Só nos resta imaginar as razões por que os nabateus se envolveram. É possível que a pregação de Paulo na Nabatéia houvesse suscitado tumultos nas comunidades judaicas. Ou talvez os nabateus julgassem que lhes seria vantajoso cooperar com os judeus. Quem sabe Aretas queria ter no Sinédrio um aliado? Seja como for, eles se envolveram, e a vida de Paulo passou a correr risco. Mas Paulo não se viu desamparado. Certa noite "seus discípulos" (de Jesus) o desceram através de uma abertura no muro, e Paulo pôde escapar (v. 30; cp. Josué 2:15; 1 Samuel 19:12). Parece que Paulo considerava esse incidente um ponto sombrio de sua carreira marcada pelo sofrimento (2 Coríntios 11:30ss.).

9:25 / Os discípulos, lit. "seus discípulos" (NIV traz "seus seguidores"). Se aceitarmos essa expressão pelo que parece significar, seriam talvez judeus convertidos por Paulo, ou judeus cristãos atraídos pelo seu ensino (evidência de seu grande poder de liderança? ). Entretanto, o pronome possessivo "seus" tem sido questionado por vários eruditos, não em bases textuais (isto ficou bem comprovado), mas pelo fato de nos vv. 19 e 25 a palavra "discípulos" ser empregada de modo absoluto. Afirma Alford que esse pronome representa um emprego inusitado do genitivo como objeto direto (não expresso) do verbo tomaram, redundando (como em ECA) em: "os discípulos o tomaram" (vol. 2, pp. 104s.). B. M. Metzger sugere que o acusativo normal (objeto direto) sofreu corruptela dando o genitivo nos manuscritos primitivos (A Textual Commentary on the GreekNew Testament, p. 366). (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

2.3. De Damasco para o mundo (At 9.23-24)
23, 24. Os muitos dias incluíam de dois a três anos depois da conversão de Saulo (Gl. 1:18). "Três anos" na computação judia podia se referir a um período de mais de dois anos completos. Comparando este versículo com II Co. 11:32 vemos que os judeus fizeram uma conspiração com o representante do Rei Aretas da Arábia. Talvez o reino nabaetano de Aretas se estendesse até Damasco, incluindo esta; mas é mais aceitável que Aretas tivesse um representante na pessoa de um etnarca governando sobre os muitos nabaetanos que moravam em Damasco. Quando o ministério de Saulo em Damasco provocou a animosidade das autoridades tanto nabateanas quanto judias, estas juntaram suas forças para vigiar os portões num esforço de prendê-lo quando deixasse a cidade.

25. Um dos cristãos possuía uma casa construída sobre a muralha de Damasco. Saulo foi baixado num grande cesto trançado que foi passado através de uma janela, e assim ele escapou à conspiração. (Comentário Bíblico Moody – Atos)

9:25 "através de uma abertura no muro" Isto deve se referir a uma janela em uma casa particular cujos parte de trás era parte do muro que havia ao redor da cidade (cf. II Cor. 11:33; Josh 2:15; I Sam. 19:12). (Comentário Bíblico de Atos - Bob Utley)

3. CHEGADA DE PAULO A JERUSALÉM E A SUA PARTIDA
Dentre tantos lugares que Paulo poderia ter ido pelo vasto Império Romano, em sua fuga, ele decidiu ir a Jerusalém. Mas com que interesse?  O que fica claro, conforme narrou posteriormente, era que ele tinha como objetivo primário que era o de ver Pedro (Gl 1.18). Todavia, por algum motivo, não o encontrou de imediato, encontrando apenas dificuldades com alguns irmãos que não tinham certeza da sua genuína conversão.

3.1. A dificuldade de entrosamento (At 9.26)
26. Quando Saulo retornou a Jerusalém, não pôde reunir-se novamente aos seus antigos companheiros judeus; e os poucos cristãos que permaneceram na cidade (8:1) suspeitavam que a sua profissão de fé não passasse de mera fachada para melhor perseguir a igreja.  (Comentário Bíblico Moody – Atos)

9:26 "ele veio a Jerusalém" Isto foi aparentemente de dezoito a trinta e seis meses mais tarde (cf. Gal. 1:15-24). Este verso mostra o grau de ceticismo que os crentes de Jerusalém tinham em relação a seu antigo perseguidor. Aparentemente Atos registra diversas das visitas de Paulo a Jerusalém depois de sua dramática conversão:

1. 9:26 - primeira visita;
2. 11:30 - visita de descanso;
3. 12:25 - depois da missão;
4. 15:2 - Concílio de Jerusalém;
5. 18:22 - breve visita com a igreja;
6. 21:17 - visita com Tiago e os anciãos, resultando no voto. (Comentário Bíblico de Atos - Bob Utley)

3.2. Barnabé o apresenta aos apóstolos (At 9.27-28)
9:28-30 / Ganha a confiança de Pedro e de Tiago, Paulo passou a maior parte dessas duas semanas "entrando e saindo com eles" (assim diz o grego), o que talvez signifique que mantiveram várias reuniões em particular, nada tendo que ver com o ministério implícito em NIV. Paulo pregou em público, mas não ao ponto de tornar-se conhecido pessoal­mente das "igrejas da Judéia" (Gálatas 1:22). (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

9:27 "Barnabé" O significado popular, embora não seja etimológico, era "filho do encorajamento". Esse era o grande santo mencionado outra vez em 4:36 e que mais tarde tornou-se o primeiro companheiro missionário de Paulo. Veja nora e Tópico Especial em 4:36.
• "o trouxe aos apóstolos" O único relato disto está em Gálatas 1:18.
• "e o descreveu a eles" Barnabé conhecia e compartilhava o testemunho de Saulo. Isso abriu as portas para sua aceitação (cf. verso 28).
9:28
NASB "movimentando-se livremente"
NKJV "entrando e saindo"
NRSV "indo e vindo"
TEV "percorreu"
BJ "indo ao redor"
Isto é uma expressão do VT para a vida diária ou atividades (cf. Num. 27:17 e I Reis 3:7). (Comentário Bíblico de Atos - Bob Utley)

27. Barnabé já conhecia Saulo ou então era homem de grande discernimento, pois reconheceu a sinceridade de Saulo e o apresentou aos apóstolos. Os únicos apóstolos em Jerusalém nessa ocasião eram Pedro e Tiago, o irmão do Senhor (Gl. 1:18, 19). Tiago fora incluído no círculo apostólico. (Comentário Bíblico Moody – Atos)

3.3. Seu retorno a Tarso (At 9.29-31)
As aparições públicas de Paulo limitaram-se a "disputas" com os (judeus) helenistas. Lucas em­prega o mesmo termo para os debates dos "libertos" com Estevão (6:9), com a diferença que os papéis agora se invertem. Na passagem anterior, os homens da sinagoga é que disputavam com Estevão; aqui, é Paulo que disputa com eles. Mas seria a mesma sinagoga? É claro que não há modo de descobrirmos; porém, pelo menos é provável que Paulo os tenha selecionado pelo fato de terem participado da morte de Estevão. O caso é que Paulo falou com ousadia, a quem quer que ali estivesse, em nome do Senhor (v. 29); noutras palavras, a mensagem paulina centralizava-se no Jesus a quem Deus havia feito "Senhor e Cristo" (veja 2:36). O resultado foi que os helenistas atentaram contra a vida de Paulo. Quando os irmãos souberam disso, tomaram Paulo e acompanharam-no até Cesaréia, e o enviaram a Tarso (v. 30). Que os demais sejam chamados de irmãos sublinha a unidade da igreja de que Paulo agora era membro. A Cesaréia desta narrativa é a cidade portuária, o que explica a expressão "levaram-no para baixo" (para a praia; não explícito em ECA). O relato do próprio Paulo a respeito deste incidente, em 22:17-21, inclui uma visão que ele tivera no templo, na qual o Senhor lhe ordenou que fugisse de Jerusalém, pois ele o enviaria a outro lugar. A seguir, desce um véu sobre a vida de Paulo, que só reaparece no cenário dez anos depois (11:25ss.). A única coisa que sabemos é que durante esses anos ele pregou na "Síria e na Cilícia" (Gálatas 1:21). Também teriam sido anos de estudos (veja W. C. van Unnik, pp. 56ss., que sugere que seus estudos centralizaram-se na língua e na cultura gregas; mas veja a disc. sobre 22:2).
9:31 / Lucas encerra esta seção (e, num sentido mais amplo, encerra toda a narrativa iniciada com a história de Estevão), com uma declaração breve a respeito do estado da igreja (veja a disc. sobre 2:43-47). Agora elas tinham paz. Isto estava diretamente relacionado com a conversão de Paulo, mas havia outros fatores não mencionados por Lucas. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

28, 29. Santo passou a se ocupar agora do ministério do Evangelho em Jerusalém. Seu ministério anda não se estendia além da capital da Judéia (Gl. 1:22-24). Em primeiro lugar ele se dirigiu aos judeus que falavam o grego ou helenistas – o mesmo grupo a quem Estêvão testemunhara antes (Atos 6:9). Os helenistas tentaram matar Saulo como antes o fizeram com Estêvão.
30. Saulo escapou com vida apenas por causa da ajuda de seus irmãos cristãos, que o levaram ao porto da Cesaréia, de onde ele navegou para Tarso, sua cidade natal, na Cilícia. Agora perdemos Saulo de vista até 11:25; mas sem dúvida esteve ocupado em Tarso pregando o Evangelho, embora não haja registro desse ministério.
31. A seguir Lucas descreve o crescimento, tanto numérico quanto espiritual, da igreja... em toda a Judéia, Galiléia e Samaria. O plural (ERC), igrejas, não é correto. A Igreja é uma só, embora haja muitas igrejas locais. Essa é a primeira referência às igrejas da Galiléia. Não sabemos quando ou como foram organizadas. (Comentário Bíblico Moody – Atos)

9:29 "ele estava falando e discutindo com os Judeus Helenistas" Isto se refere ao mesmo grupo (sinagoga dos Judeus de fala Grega em Jerusalém) que mataram Estevão; agora eles estavam planejando matar Saulo, que também era uma dos Judeus da diáspora. Eles deviam ter pensado que Estevão tinha retornado!
9:30 "quando os irmãos souberam disso" De 22:17-21 aprendemos que Jesus apareceu para Paulo nesse tempo para dizer que fugisse de Jerusalém. Jesus apareceu a Paulo diversas vezes em seu ministério para encorajá-lo e guiá-lo (cf. 18:9-11, 22:17-21 e um anjo do Senhor em 27:23).
• "Cesaréia" Isto se refere ao porto Romano na costa Mediterrânea da Palestina. Esta foi a sede oficial do governo Romano na Palestina.
• "Tarsis" Paulo ficará sem ser visto por vários anos em sua cidade natal. Tarsis era uma cidade livre. Foi também o terceiro maior centro de aprendizagem no mundo antigo, atrás de Alexandria e Atenas. As universidades em Tarsis enfatizavam a filosofia, retórica e o direito. Paulo era, obviamente, treinado tanto na retórica e filosofia gregas, bem como o judaísmo rabínico.
9:31 Esse verso é um sumário que conclui os relatos da conversão de Saulo e introduz as viagens de Pedro. Lucas usa esses versículos sumários com bastante freqüência em Atos.
"a igreja" Veja a nota em 5:11 e perceba como a "igreja" no singular pode se referir a muitas congregações individuais. O termo "igreja" denota uma igreja local (ex. Col. 1:18 e 24; 4:15 - 16), todas as igrejas de uma área (ex. Ef. 1:22; 3:10 e 21; 5:23, 24, 25, 27, 29 e 32), e todas as igrejas universalmente (ex. Mat. 16:18).
• Veja os itens que Lucas escolhe para mencionar:
1. Paz em todas as igrejas;
2. Crescendo e aumentando;
3. Conforto do Espírito.
Que mudança da perseguição de 8:1! Ainda haviam problemas, mas Deus estava cuidando de cada necessidade! (Comentário Bíblico de Atos - Bob Utley)

CONCLUSÃO
O progresso espiritual de uma pessoa é evidenciado pela sua forma de proceder. Qualquer pessoa pode experimentar progresso ou retrocesso espiritual. Paulo demonstrou seu progresso de algumas maneiras como foi visto nesta lição. Que possamos seguir suas pegadas corajosas, para continuar nosso progresso espiritual.

Fontes:
Bíblia Sagrada – Concordância, Dicionário e Harpa - Editora Betel,
Revista: APÓSTOLO PAULO – Editora Betel - 4º Trimestre 2012 – Lição 04.  

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