quarta-feira, 7 de novembro de 2012

LIÇÃO 06 - Qualidades de Paulo como missionário




Texto Áureo

“E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”. At 13.2

Verdade Aplicada

“Quando um homem aceita a Cristo e Ele se torna de fato o seu Senhor, todos os dons, bens, talentos, e vida são transferidos para o reino de Deus”

Objetivos da Lição

►           Apresentar alguns fatos que demonstrem que Paulo foi um homem preparado por Deus para realizar a obra missionária;
►           Relembrar como foi o chamado e alguns aspectos principais do seu desempenho missionário;
►           Mostrar que as suas virtudes foram essenciais e, ainda hoje, o seu exemplo influencia.

Textos de Referência

2 Tm 2.1       Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus.
2 Tm 2.2    E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.
2 Tm 2.3       Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo.
2 Tm 2.4       Ninguém que milita se embaraça com negócios des­ta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra.
2 Tm 2.5       E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente.

LEITURAS COMPLEMENTARES
  • Segunda feira: Ap 1.8
  • Terça feira: Mt 28.18
  • Quarta feira: Mt 28.20
  • Quinta feira: At 13.1
  • Sexta feira: Ap 1.3
  • Sábado: At 16.6

INTRODUÇÃO
Em lição anterior, foi visto que a carreira espiritual de um homem que chega atingir elevados patamares é construída com apoio de vários outros que depositaram nele a sua confiança. Serão estatuadas aqui algumas das muitas qualidades que foram cumuladas com a ajuda desses obreiros, resultado de esforço próprio e de uma crescente comunhão com Cristo Jesus.

1. Um vaso bem acabado
Paulo bem sabia da sua chamada para trabalhar entre os gentios, na verdade, ele herdou o zelo missionário dos fariseus e demais judeus que se esforçavam para trazer para o judaísmo os pagãos.

1.1 Um obreiro preparado (At 13.1,2)
13:1 / A igreja de Antioquia incluía alguns profetas e mestres (veja a nota sobre 11:27). Não ficou claro se esta nota significa que havia dois grupos de ministros, ou se o título descritivo duplo aplicava-se a todos. Seja como for, todos pareciam usufruir certo "status", de modo que poderiam bem ser chamados de "presbíteros da igreja na Antioquia", cuja posição oficial era enfatizada por seus dons especiais — presbíteros como os de 1 Timóteo 5:17, que trabalhavam duramente "na pregação e no ensino". A função deles talvez fosse análoga à dos Doze, nos primei­ros dias da igreja. Podíamos chamá-los de "os cinco".
Seus nomes contêm muitas coisas interessantes, abrangendo vasta gama de contextos sociais e possivelmente raciais. Barnabé é mencio­nado em primeiro lugar, talvez como o de maior prestígio, ou fé (veja as disc. sobre 4:36 e 11:24). A seguir, há um Simeão. Seu nome é judaico, mas acrescentou-se-lhe outro nome latino, Niger, "o preto". Visto vir associado a uma pessoa de Cirene, julga-se que ele próprio teria vindo do norte da África, e seria o Simão cireneu que ajudou a carregar a cruz de Jesus (Lucas 23:26). Todavia, se Lucas intencionava tal identificação, é estranho que ele escreva o nome desse discípulo de modo tão diferente. Pode ser, então, que Niger tenha sido acrescentado exatamente para fazer distinção entre este Simeão e o outro, o cireneu, e mais ainda, para diferençá-lo de todos os outros Simeões da igreja (p.e., 10:5s.). O terceiro, Lúcio, tem nome latino. Isto pode significar que ele seria de origem gentílica, não porém necessariamente (veja a nota sobre 12:12). A menção do lugar de seu nascimento sugere que ele poderia ter sido um dos homens de Cirene ("alguns de... Cirene", 11:20), os primeiros a anunciar as boas novas aos gentios de Antioquia. Há poucas razões para pensarmos ser ele o autor de Atos. Novamente os nomes são escritos de modos diferentes, e se Lucas evitou divulgar sua própria identidade noutras passagens, exceto quando às vezes usa o pronome "nós", é muito improvável que aqui ele se ocultasse dessa maneira. Tampouco há razões para identificá-lo com o Lúcio de Romanos 16:21. O quarto, Manaém, isto é, Menahem, é de interesse especial por causa de sua associação com a corte do rei Antipas. Evidências de inscrições gregas sugerem que ele havia recebido um título de honraria por ser companheiro e confidente do tetrarca. Assim é que Manaém pode ter sido a fonte de informações de Lucas a respeito de Herodes Antipas (Lucas diz mais coisas a respeito de Herodes do que qualquer outro evangelista). O nome de Manaém é judaico. Significa "consolador" e encontra-se em Josefo (Antigüidade 15.373-379), como sendo o nome de um essênio que previu (ele também era profeta) que Herodes o Grande haveria de tornar-se rei. A associação desse nome aos governadores idumeus pode ser mera coincidência. Por outro lado, de vez que a profecia se cumpriu, Manaém pode ter-se tornado um dos nomes prediletos entre os herodianos. É possível que Manaém pertencesse às classes mais elevadas. O último nome é o de Paulo, ainda em sua forma judaica, Saulo, segundo o costume de Lucas até este ponto (veja a disc. sobre o v. 9).
13:2 / Fomos apresentados aos líderes da igreja de Antioquia. Agora vamos ver a igreja em pleno culto. A palavra traduzida por servindo é a que se empregou em geral na LXX para designar o culto dos sacerdotes e levitas no templo (gr. leitourgein; cp. nossa palavra "liturgia"). O sujeito eles refere-se de modo particular aos profetas e mestres, mas não se aplica a eles apenas, visto que a igreja toda estaria envolvida tanto no culto como na decisão que se tomou nessa ocasião (cp. 1:15; 6:2, 5; 14:22; 15:22). Visto estarem jejuando, podemos concluir que a igreja toda vivia num estado de grande expectativa. Não muito depois disto, o jejum com freqüência precedia um "dia elevado" (cp. Didache 7.4), e eles talvez julgassem que esse "dia elevado" estava prestes a chegar. Essa expectativa ligava-se ao seu reconhecimento (e à realidade na vida deles) do senhorio de Jesus — servindo eles ao Senhor. Além disso, é possível que já estivessem orando a respeito de uma obra missionária, e estives­sem inquirindo do Senhor quem seria o líder, aguardando a resposta de Deus às suas orações. Esta possibilidade baseia-se numa partícula grega quase impossível de ser traduzida, mas capaz de colocar certa ênfase na sentença. Seria como se o Espírito estivesse afirmando o que já haviam proposto — "sim, na verdade", apartai-me a Barnabé e a Saulo (Paulo usa a mesma expressão, 'separar', a seu próprio respeito em Romanos 1:1 e Gálatas 1:15). Esta mensagem poderia ter vindo através de um dos profetas, mas a igreja estava convencida de que fora o Espírito quem chamara estes dois homens, e os convocara para uma obra do próprio Espírito: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Este verbo está na voz média — "eu os tenho chamado para mim mesmo'". Ambos aceitaram o chamado e assim foi que Paulo veio a tornar-se, no dizer de Ramsay, "São Paulo, o Viajante". (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

1.2 Um obreiro experiente
Apesar de sua confiança e do chamado divino, Saulo entra num período de inatividade. Durante sete ou oito anos, pouco se ouve falar dele. Mas aqueles foram anos de espera, disciplina e paciência. Saulo talvez necessitasse desse tempo para fortalecer-se e descobrir o segredo de esperar pacientemente no Senhor. Ele tinha uma missão, mas faltava-lhe a oportunidade. No plano de Deus, para quem o tempo não existe, aquele período haveria de amainar o rancor dos rabinos. Talvez Saulo tenha permanecido em Tarso, enfrentando a oposição e sustentando-se na loja de tendas, até que Deus completasse mais um grande estádio na história da Igreja.
É possível que nessa ocasião, Saulo haja se irritado e resmungado contra a demora em seu ministério. Mas acabaria por aprender que as delongas de Deus têm sempre um propósito; nada sai errado em seu cronograma. Enquanto isso, Saulo vivia na obscuridade. É provável que haja pregado não apenas em Tarso, mas também na zona rural que visitara quando menino para comprar pêlo de cabra. Sempre que viajava pelas estradas e trilhas de camelos, através das florestas e vales, procurava seus conterrâneos. Falava-lhes de Jesus, o Messias, e convidava-os a procurar nEle a justificação pela fé.
Saulo visitava diariamente a sinagoga e os bazares, e muitas vezes, ficava à beira da estrada enquanto o povo ia lotando as pistas de corridas. Ele chamava a todos ao arrependimento, exortando-os a se voltarem para Deus. Dizia-lhes que Jesus de Nazaré - que há dez anos fora crucificado em Jerusalém e ressuscitara ao terceiro dia - era o Cristo das Escrituras: o Filho de Deus enviado ao mundo para salvar os homens do pecado. Saulo chamou-os do vazio da idolatria para a plenitude da vida cristã. Os amantes do prazer, mercadores, turistas, e mulheres da sociedade - ninguém podia ignorar a eloquência de Barnabé e a grande sabedoria de Saulo. Não Podiam deixar de admirar-lhes a coragem e o zelo, mesmo em face da multidão escarnecedora. Pelo menos não havia sumo sacerdote ali para levantar a mão contra eles. O ministério do Evangelho estava desimpedido e a Igreja crescia rapidamente; cada cristão era uma incansável testemunha de Jesus. Durante um ano, Saulo trabalhou pelo Evangelho nessa importante cidade. Falava com empenho, e o Senhor tornava produtivo o seu ensino e pregação. Não demorou muito, e Antioquia já era um centro cristão mais forte que Jerusalém, pois a igreja, aqui, não sofria quaisquer distúrbios. (A Vida e os Tempos do Apóstolo Paulo - Charles Ferguson Ball)

1.3 Um servo submisso
Depois de várias reuniões e muita oração, os líderes da igreja entenderam que era a vontade de Deus que enviassem Barnabé e Saulo nessa missão. Quem seria melhor qualificado para ela? Eram homens experimentados, e ambos defendiam a idéia de que os gentios deviam ser participantes da promessa juntamente com os judeus. Haviam ambos viajado muito e pareciam ser cidadãos do mundo. Estavam capacitados a representar a Cristo; para isto haviam sido chamados. (Atos 13.1-14.2B) (A Vida e os Tempos do Apóstolo Paulo - Charles Ferguson Ball)

2. Um soldado valoroso
Quando Barnabé e Paulo saíram de Antioquia sob as ordens do Senhor levaram como cooperador a João Marcos, com a finalidade de ele instruir sobre os rudimentos da fé aos novos convertidos e batizá-los, enquanto os missionários se dedicariam mais a pregar aos ainda não convertidos.

2.1 Um servo sofredor
Temos visto através da exposição da passagem bíblica o quanto Paulo e Barnabé sofreram pela obra do Senhor.
Mais sem olhar para trás, sem reclamar, ou ameaçar em desistir da chamada que o Senhor lhes havia feito para realizar o árduo trabalho de evangelizar os povos. Como diz o próprio Paulo sobre os seus sofrimentos. (Grifo meu)

14.19 APEDREJARAM A PAULO. Nos tempos do NT, Deus nem sempre protegia seus servos dos sofrimentos. Essa verdade é imanente no evangelho, e é válida hoje também: o reino de Deus avança a um alto preço da parte dos servos do Senhor. Quando Paulo descreveu posteriormente os sofrimentos que suportara por amor a Cristo, referiu-se a essa ocasião dizendo: uma vez fui apedrejado (2 Co 11.25; Gl 6.17; ver At 9.16 nota). Ao escrever às igrejas da Galácia, declarou: trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus (Gl 6.17), referindo-se provavelmente e este incidente (ver 2 Co 11.23, nota sobre os sofrimentos de Paulo).
14.22 POR MUITAS TRIBULAÇÕES. Aqueles que se dedicam a Cristo como Senhor, e que um dia entrarão no reino do céu, hão de sofrer muitas tribulações ao longo do seu caminho. Por viverem em meio a um mundo hostil, têm que se engajar na guerra espiritual contra o pecado e o poder de Satanás (Ef 6.12; cf. Rm 8.17; 2 Ts 1.4-7; 2 Tm 2.12). Por outro lado, a vida verdadeiramente cristã é uma contínua batalha contra os poderes do mal. (1) Os que são fiéis a Cristo, à sua Palavra e aos caminhos de justiça, terão problemas e aflições neste mundo (Jo 16.33). Somente o crente morno ou de meio termo viverá em paz com este mundo (cf. Ap 3.14-17). (2) O presente mundo ímpio, bem como os falsos crentes, continuarão como adversários do evangelho de Cristo até quando o Senhor derrubar o sistema maligno deste mundo, na sua vinda (Ap 19.20). Entrementes, a esperança do crente está reservada nos céus (Cl 1.5) e está já prestes para se revelar no último tempo (1 Pe 1.5). Sua esperança não consiste nesta vida, nem neste mundo, mas no aparecimento do seu Salvador para levá-lo para si (Jo 14.1-3; 1 Jo 3.2,3;) (Bíblia de Estudo Pentecostal – Atos)

14:22 / Por muitas tribulações nos é necessário: Às vezes esta passagem é classificada como um dos textos escritos na primeira pessoa do plural (nós), como se o próprio Lucas estivesse incluído (veja a disc. sobre 16:10). Entretanto, deve ser considerada simplesmente como um uso genérico da primeira pessoa do plural — "nós cristãos". (A Vida e os Tempos do Apóstolo Paulo - Charles Ferguson Ball)

2.2 Um missionário estrategista
A estratégia de Paulo era ir à sinagoga, pois sabia que teria a oportunidade que se fosse a outro lugar para falar da palavra, talvez não tivesse tanto êxito, pois como fariseu que era, e conhecedor da palavra, sabia que os judeus não o ouviriam se não fosse ali.
Este era o padrão regular de Paulo e Barnabé. Estes ouvintes, tanto Judeus quanto Gregos, seriam familiarizados com as profecias e promessas do VT.
São estratégias que Deus nos concede para que preguemos sua palavra.
Vemos essa estratégia acontecer também no ministério de Cristo, ele vai primeiro a nação de Israel anunciar o evangelho, coisa que eles não aceitam a principio, o fazendo mudar então sua estratégia e começar a pregar aos gentios em outras localidades. (grifo meu)

A primeira vez que Saulo visitou a sinagoga, que se achava repleta foi um grande dia para os nazarenos. Ali estava um jovem, destemido e forte, que tivera o privilégio de ser educado na escola de Gamaliel. A maioria dos judeus sabia de seu ódio a Cristo, e alguns que suspeitavam dos nazarenos, achavam que a sua missão em Damasco era necessária. Inicialmente, Saulo contou-lhes a história de sua ida a Damasco e do incidente na estrada: como encontrara a Jesus de Nazaré e contemplara. Com os próprios olhos, aquEle a quem vinha perseguindo, e como, desde então, toda a sua vida se transformara.
Ele cria agora que Jesus era o Cristo. Com sua habilidade de rabino, citou passagem após passagem do Antigo Testamento para provar a messianidade de Jesus. Ao terminar o discurso, confessou publicamente o seu pecado em perseguir os seguidores de Jesus, e descreveu a nova vida que nele havia por meio da habitação interior do Espírito Santo. Ninguém podia acreditar no que estava ouvindo: "Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam esse nome, e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais sacerdotes?" (At 9.21). (A Vida e os Tempos do Apóstolo Paulo - Charles Ferguson Ball)

13:45 "quando os Judeus viram a multidão... inveja" Se foi o grande afluência ou o grande número de Gentios no meio da multidão que causou a inveja é incerto neste contexto. O ciúme é atribuído a liderança judaica em Jerusalém e da Diáspora (cf. Mat. 27:18; Marcos 15:10; Atos 17:5).
Mais tarde Paulo desenvolve o problema teológico da incredulidade dos Judeus (cf. Rom. 9-11). Ele afirma que Deus temporariamente cegou Israel para que os Gentios pudessem ser salvos. Contudo, Deus usa a salvação dos Gentios como uma maneira (isto é, a inveja) para fazer com que Israel responda a Cristo, de maneira que todos os crentes possam se unir através do evangelho (cf. Ef. 2:11-3:13).
O problema é quando isto ocorre? A mesma pergunta poderia ser feita de Zacarias 12:10. Esta profecia se relaciona com a igreja primitiva, que foi feita de Judeus crentes, ou a um período futuro? A inveja acontece por um propósito redentivo (cf. Rom. 10:19; 11:11 e 14), mas aqui neste texto ela causa incredulidade!
• "eles estavam cheios de inveja" Veja a nota em 3:10.
• "blasfemando" Assim como estes Judeus defendiam suas tradições e atacava a pregação de Paulo, eles mesmos eram culpados de blasfêmia. Não há meio termo aqui. Ou o Judaísmo ou o Cristianismo é um verdadeiro reflexo da vontade de Deus. Eles são exclusivos!
13:46 "falaram ousadamente" Este é um dos sinais em Atos de estar cheio do Espírito.
• "era necessário que a palavra de Deus fosse falada a vocês primeiro" Este era o padrão de pregação dos primeiros missionários. Os Judeus tinham prioridade (cf. Rom. 9-11), mas Deus tinha incluído os Gentios. Aqueles da sinagoga conheciam seu VT e podiam conferir as profecias. Atos tem uma série de textos sobre estes conceitos e padrões (cf. 3:26; 9:20; 13:5,14; 16:13; 17:2,10,17).
• "vocês repudiaram" Este é VERBO forte (PRESENTE DO INDICATIVO MÉDIO) usado diversas vezes
na Septuaginta. Seu significado básico é "lançar fora". Isto foi dito dos Judeus no sermão de Estevão (cf. 7:39), Também foi usado por Paulo em Rom. 11:1-2 para afirmar que Deus não rejeitou Seu povo, mas que eles rejeitaram Seu Filho, seu único meio de salvação, Sua revelação plena.
• "julgaram a si mesmos indignos da vida eterna" É difícil conciliar o conceito de predestinação, que ‘;e enfatizado tantas vezes em Atos, com o conceito de mandato de resposta individual. Ninguém pode vir para a fé sem a intervenção de Deus (cf. João 6:44 e 65), mas somos julgados por aquilo que respondemos. Por sua rejeição à pregação do evangelho por Paulo, eles mostraram aquilo que realmente eram (cf. João 3:17-21). A culpa pela falta de resposta não pode ser colocada sobre Deus. Ele providenciou uma maneira, Seu Filho, mas Ele é o único meio!
• "nos voltamos para os Gentios" Este se torna o padrão regular da proclamação do evangelho (cf. 18:6; 22:21; 26:20; 28:28; Rom. 1:16).
13:47 Esta é uma citação de Isaías 49:6 da Septuaginta. Simeão usou esta citação da bênção de Jesus em Lucas 2:32 para Sua tarefa Messiânica da redenção universal. É mesmo possível que a "luz" neste contexto se refira à pregação do evangelho de Paulo e Barnabé para estes Gentios (cf. "Uso de Velho Testamento no Novo, por Darrel Boch, pg. 97 em Foundations for Biblical Interpretation, Broadman&Holman Publishers, 1994). Agora Paulo usa isto para mostrar a proclamação universal do evangelho universal!
13:48 "Quando os Gentios ouviram isto, começaram a se regozijar e glorificar a palavra do Senhor" Muitos destes estavam na sinagoga por anos e nunca tinham ouvido a mensagem inclusiva e universal do amor de Deus e a aceitação de toda a humanidade pela fé em Cristo. Quando ouviram isto, entusiasticamente receberam (cf. 28:28) e transmitiram para os outros (cf. verso 49).
• "creram tantos quanto haviam sido designados para a vida eterna" Esta é uma clara definição da predestinação (tão comum na literatura Judaica Intertestamental dos rabis), mas está no mesmo relacionamento ambíguo de todas as passagens do NT que relacionam o paradoxo da escolha de Deus e o livre arbítrio humano (cf. Fil. 2:12-13). É um PERIFRÁSTICO PASSIVO PLUPERFEITO que vem de um termo militar (tassd) que significa "alistar" ou "nomear". Este conceito de alistamento se refere aos dois livros metafóricos que Deus guarda (cf. Dan. 7:10; Apoc. 20:12). Primeiro é o Livro dos Feitos dos homens (cf. Salmo 56:8; 139:16; Isa. 65:6; e Malaquias 3:16). O outro é o Livro da Vida (cf. Ex. 32:32; Salmo 69:28; Isa. 4:3; Dan. 12:1; Lucas 10:20; Fil. 4:3; Heb. 12:23; Apoc. 3:5; 13:8; 17:8; 20:12-15; 21:27). Veja o Tópico Especial: Eleição/Predestinação e a Necessidade de um Equilíbrio Teológico em 2:47. (Comentário Bíblico - Atos - Bob Utley)

2.3 Um líder adaptável
22. Fracos. São os super-escrupulosos mencionados em 8:7 e 9-12 Paulo não se afasta muito do assunto geral das carnes sacrificadas aos ídolos. Fiz-me tudo para com todos expressa o seu princípio. (O verbo aqui está no tempo perfeito, não no aoristo como no versículo 20, expressando o resultado permanente de sua ação passada). Não é o fim justificando os meios, mas a adaptabilidade por amor dentro da Palavra. Salvar é mais forte do que ganhar (v. 19). Com o fim de (que eu possa) salvar alguns não remove a salvação das mãos de Deus; simplesmente enfatiza a cooperação humana do servo de Deus no ministério da verdade. (Comentário Bíblico Moody – 1Corintios)


3. Um homem resignado
A carreira de um homem é determinada pelo constante preparo, e pela dedicação integral no exercício da sua escolha. Nos antigos jogos gregos de Olímpia, que inspirou a moderna olimpíada, era declarada uma trégua entre as cidades que se rivalizavam para que os atletas chegassem com segurança, tais homens representavam a sua cidade de origem, e, no entanto, eram celebrados como heróis por elas quando campeões. Paulo era, portanto, um homem tal qual um atleta do Reino de Deus que tinha em mente alcançar uma coroa que não se deteriora.

3.1 O objetivo de Paulo (1Co 9.26a)
Como vemos na palavra Paulo enfatiza a necessidade de se manter constantes na obra do Senhor sem mudar o objetivo. Paulo tinha um objetivo, que era pregar a palavra, e, ele se dedicava ao Maximo para agradar ao Senhor Jesus, embora muitos hoje não se esforçassem para agradar ao Senhor, mais nós precisamos estar compromissados com sua obra.
Esse combate que Paulo menciona no verso 26a, ele tinha a nítida ideia da obra, e ele menciona que ele como um atleta de Cristo que estava habituado ao ato de correr buscar seus ideais, e objetivos. “Pois eu assim corro, não como a coisa incerta;” ele tinha a plena convicção do que estava acontecendo com o seu ministério naquele momento, e a corrida que ele menciona é a pregação da palavra por onde ele passasse.
Ele não se importava com os obstáculos que surgiam em sua frente, ele simplesmente seguia olhando para o alvo, Cristo. “13 Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim,
14 prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” Fp 3.13,14 (grifo meu)

Fp 3.13 UMA COISA FAÇO. Paulo se acha qual um atleta numa corrida (cf. Hb 12.1 nota), esforçando-se e correndo o máximo, totalmente concentrado no que faz, a fim de não ficar aquém do alvo que Cristo estabeleceu para a sua vida. Esse alvo era a perfeita união entre Paulo e Cristo (vv. 8-10), sua salvação final e sua ressurreição dentre os mortos (v. 11). (1) Era essa a motivação da vida de Paulo. Recebera um vislumbre da glória do céu (2 Co 12.4) e resolvera que sua vida inteira, pela graça de Deus, estaria voltada para a resolução de avançar com toda determinação e finalmente chegar ao céu e ver Cristo face a face (cf. 2 Tm 4.8; Ap 2.10; 22.4). (2) Semelhante determinação é necessária a todos nós. No decurso da nossa vida, há todos os tipos de distrações e tentações, tais como os cuidados deste mundo, as riquezas e os desejos ímpios, que ameaçam sufocar nossa dedicação ao Senhor (cf. Mc 4.19; Lc 8.14). Necessário é esquecer-se das "coisas que atrás ficam", i.e., o mundo iníquo e nossa velha vida de pecado (cf. Gn 19.17,26; Lc 17.32), e avançar para as coisas que estão adiante, a salvação completa e final em Cristo. (Bíblia de Estudo Pentecostal)

1Co 9.24 O PRÊMIO. O "prêmio", a coroa "incorruptível" (v. 25), refere-se à vitória de obtermos a salvação eterna, o alvo precioso da vida cristã (cf. 1.8; 4.5; 6.2,9,10; 15.12-19). Esse alvo somente podemos atingir, abrindo mão dalguns dos nossos direitos, por amor ao próximo (8.7-13), e renunciando as coisas que nos eliminariam para a corrida espiritual (10.5-22).
9.24 CORREI DE TAL MANEIRA QUE O ALCANCEIS. Paulo ilustra o princípio de que se alguém deixa de exercer seu autodomínio, a abnegação e o amor ao próximo, ele mesmo será rejeitado por Deus, mesmo sendo um pregador do evangelho (ver v.27 nota). (Bíblia de Estudo Pentecostal)

26,27. Segue-se a conclusão de Paulo introduzida por assim. Paulo corre, mas não sem meta; sabia para onde ia (cons. Fp. 3:14). Ele não era como o menininho que estava aprendendo a andar de bicicleta e gritou cheio de si para sua irmã: "Estou saindo do lugar. Estou realmente saindo do lugar". A irmã, observando finalmente seu progresso cambaleante replicou: "É, você está saindo do lugar, mas não está indo a lugar nenhum!” (Comentário Bíblico Moody – 1 Corintios)

Vemos nestes textos a visão que Paulo tinha da obra, e a sua responsabilidade frente à igreja que estava começando a dar seus primeiros passos, e você tem tido essa mesma preocupação com a obra do Senhor, ou esta somente interessado em ser um mero religioso, em vez de ser um seguidor de Cristo? Responda para o Senhor e veja como esta você na obra

3.2 Assim combato, não como batendo no ar (1 Co 9.26b)
Como desferindo golpes no ar é uma metáfora sobre o pugilismo. A declaração não se refere ao treino, um exercício necessário e legítimo para o lutador; refere-se às falhas  durante a luta. Paulo era um lutador certeiro, sempre acertando o alvo. 
Subjugo o meu corpo (E.R.C.) é a tradução do texto de alguns manuscritos fracos. A tradução mais autêntica seria esmurro, ou espanco. A idéia, é claro, é o da disciplina pessoal. Andar com Deus exige sacrifício pessoal, sacrifício de coisas não necessariamente más, mas que prejudicam a devoção total da alma a Deus - tais como os prazeres e interesses mundanos. Numa época de luxo, como a presente, as palavras têm verdadeiro significado para o servo de Cristo compenetrado. (Comentário Bíblico Moody – 1 Corintios)

3.3 Para alcançar uma coroa Incorruptível (1 Co 9.25)
25. Depois da ilustração no versículo 24, segue-se a aplicação, contendo ambas: uma comparação e um contraste. Em tudo se domina. Pratica o autodomínio (MNT, pág. 125). O que Paulo quer mostrar é que os atletas que esperam vencer precisam de treino diligente – uma verdade bem ilustrada pela diligência dos atletas modernos, quer nas coradas, no futebol ou qualquer outro esporte. Uma coroa corruptível mostra o contraste. Os atletas disciplinam-se para ganhar um prêmio insignificante (nos jogos ístmicos era uma coroa de pinheiro). Quanto mais deveriam fazer os cristãos para alcançarem uma coroa incorruptível (cons. II Tm. 4:8; I Pe. 5:4; Ap. 2:10; 3:11). (Comentário Bíblico Moody – 1 Corintios)

9.27 EU MESMO NÃO VENHA... A FICAR REPROVADO. "Ficar reprovado" (gr. adokimos) encerra a idéia de "ser reprovado em prova", "ser rejeitado". Paulo emprega esse mesmo termo em 2 Co 13.5, onde declara que Cristo não habita naqueles que são "reprovados" (gr. adokimoi). Paulo não se refere meramente à perda de um galardão ministerial. O que ele reconhece é a possibilidade de deixar de obter o prêmio (i.e., a herança) da salvação final (vv. 24,25), se ele deixar de viver uma vida santa, de exercer o autodomínio e de suportar sofrimentos por amor a Cristo (vv. 25-27). (Bíblia de Estudo Pentecostal)

Tendo pregado a outros. Uma referência ao costume de convocar os competidores à corrida por meio de um arauto (keryx, palavra derivada da mesma raiz da palavra  pregar). Paulo convocara muitos à corrida da vida cristã através da pregação do Evangelho. Ele não queria ficar desqualificado depois disso. A palavra não se refere à perda da salvação. Significa literalmente desqualificado. Está claro que o apóstolo estava preocupado em não ser rejeitado pelo juiz quando fosse concedido o prêmio. Ele não tinha receio que o arauto barrasse sua participação na corrida. Todos podiam correr, mas nem todos recebiam o prêmio. Paulo queria alcançar o prêmio. (Comentário Bíblico Moody – 1 Corintios)

CONCLUSÃO
Ele foi um vaso escolhido para levar o nome de Cristo, um soldado valoroso, um estrategista do Reino, um fazedor de tendas, um plantador de igrejas, um homem que trouxe, no corpo, as marcas de Cristo. O que fez a diferença na vida de Paulo foi o preparo constante e a dedicação intensa. Os mesmos princípios que, se levados a efeito, trarão impacto também ao nosso trabalho.




Fontes:
Bíblia de Estudos Dake
Revista: APÓSTOLO PAULO – Editora Betel - 4º Trimestre 2012 – Lição 06

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Lição 05 - Paulo e Barnabé, aliados na obra do Senhor



04 de Novembro de 2012


Texto Áureo

“Portanto, meus amados ir­mãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”. 1 Co 15.58

Verdade Aplicada

O grande segredo para o cres­cimento espiritual e ministerial na obra do Senhor reside na perseverança e aprendizado constante.

Objetivos da Lição

►           Familiarizar os alunos com a personalidade generosa de Barnabé;
►           Revelar o lado social da igreja de Antioquia em tomar a iniciativa de ajudar os neces­sitados;
►           Mostrar as constantes tran­sições positivas alcançadas na igreja pela administração de Barnabé.

Textos de Referência

At 11.25     E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia.
At 11.26     E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gen­te; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.
At 11.27     E naqueles dias des­ceram profetas de Jerusalém para Antioquia.
At 11.28     E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César.
At 11.29     E os discípulos de­terminaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socor­ro aos irmãos que habitavam na Judéia.
At 11.30     O que eles com efeito fizeram, enviando-o aos anci­ãos por mão de Barnabé e de Saulo.

LEITURAS COMPLEMENTARES
  • Segunda feira: Jó 26.2
  • Terça feira: Pv 17.17
  • Quarta feira: Pv 18.19
  • Quinta feira: Pv 18.24
  • Sexta feira: Pv 27.10
  • Sábado: Pv 14.10

INTRODUÇÃO
Quando Paulo retornou à sua cidade natal (Tarso) pareceu um desfecho um tanto melancólico dado por Lucas. Mas aí ele passa a narrar vividamente os atos de Pedro, para depois retornar a trajetória de Paulo como um assistente de talento. Aqui estudaremos um pouco do perfil de Paulo que atendendo um convite para auxiliar Barnabé, teve um contínuo progresso espiritual e ministerial em Antioquia.

1. Paulo, um companheiro em potencial.
Aquele era um momento surpreendente de crescimento e multiplicação de conversões nas regiões da Judéia, Galileia e Samaria, e os irmãos que saíram dispersos por causa da perseguição iam anunciando a Palavra por onde passavam, de maneira que muitos judeus se convertiam cada vez mais ao Senhor.

1.1 Antioquia, uma igreja crescente (At 11.20,21)
20. Alguns dos crentes que vieram da ilha de Chipre e Cirene no Norte da África (cons. 13:1) foram a Antioquia e lançaram o Evangelho em uma nova direção. Antioquia era a terceira cidade do Império Romano e a residência do governador romano na província da Síria.
Embora houvesse uma colônia judia em Antioquia a cidade era principalmente gentia e grega. O culto às deidades pagãs, Apolo e Ártemis, cuja adoração incluía a prostituição ritual, tinha o seu quartel-general nas proximidades. Antioquia era notória por sua degradação moral.  Gregos neste contexto referem-se aos gregos puros e não aos judeus que falavam o grego. O Evangelho pregado aos gentios proclamou não primeiramente o messiado de Jesus, mas seu Senhorio.
O messiado era um conceito judeu que não teria significado para os gentios que não tivessem antecedentes judeus. (Comentário Bíblico Moody – Atos)

11:20 "homens de Chipre e de Cirene" Estes são os mesmos Judeus de fala Grega que, como em Atos 6-8, começaram a pregar as implicações universais do evangelho Cristão em Jerusalém. Barnabé era desta área geográfica.
• "aos Gregos" Esta palavra (Hellên) normalmente se referia aos Gentios (cf. 14:1; 16:1,3; 18:4; 19:10,17; 20:21; 21:28). Contudo, em 17:4 se refere aos Gentios que eram vinculados às sinagogas, mas não eram membros (isto é, os tementes a Deus).
A questão é "a quem Lucas está se referindo como tendo sido pregado: (1) aos Judeus de fala Grega como em 6:1 e 9:29 (Hellenistas) ou (2) Gentios de fala Grega?; ou (3) totalmente Gentios (cf. TEV e BJ)? Com toda a comoção que isto causou, possivelmente este termo se refere àqueles que falavam Grego; alguns poderiam ser Judeus da Diáspora, outros totalmente Gentios.
• "pregando o Senhor Jesus" Isto é PARTICÍPIO MÉDIO DO PRESENTE do VERBO do qual obtemos o
termo "evangelizar" ou "evangelismo". Sua mensagem não era sobre as leis ou procedimentos do VT, mas sobre Jesus de Nazaré como Messias!
11:21 "a Mão do Senhor estava com eles e um grande número creu e se voltou para o Senhor" Esta é uma nova declaração resumida do grande movimento de através da pregação evangelística. Finalmente Atos 1:8 estava se cumprindo (cf. verso 24b).
É interessante notar que o termo "Senhor" (Kurios) é usado pela primeira vez neste verso para se referir a YHWH (cf. LXX Ex. 3:14; II Sam. 3:12; Isa. 59:1). Contudo, numa parte posterior deste verso é usada para se referir a Jesus Cristo. Esta transferência de título é uma técnica literária comum dos autores do NT para afirmarem a deidade de Jesus.
A "mão do Senhor" é uma expressão antropomórfica. YHWH é um espírito eterno presente através do tempo e da criação. Ele não tem um corpo físico. Contudo, o único vocabulário que os homens possuem para falar de alguma coisa pessoal é físico, com termos humanos. Devemos nos lembrar dos limites da linguagem, que pela queda, limitam o homem ao tempo e as coisas terrenas. Só se fala do ambiente espiritual através de metáforas, analogias e negações. Isto expressa a verdade, mas não de maneira exaustiva. Deus é muito maior do que a nossa habilidade para conhecê-lo e Expressá-lo. Ele se comunica verdadeiramente conosco, mas não exaustivamente. Podemos confiar na Bíblia como a autorevelaçao de Deus, mas devemos compreender que Deus é ainda maior do que isto! A linguagem humana revela e limita! (Comentário Bíblico de Atos - Bob Utley)

1.2 Barnabé o enviado (At 11.22-24)
11:22-24 / Quando os crentes de Jerusalém ouviram a respeito dessas novidades, enviaram (apóstolos e os presbíteros? Veja a nota sobre o v. 30) Barnabé a Antioquia para investigar (v. 22). Esta não foi necessa­riamente uma reação hostil. É certo que havia aqueles que achavam que os convertidos gentios precisavam aceitar "o jugo da lei" (veja a disc. sobre 15:10; cp. ll:2s.; 15:1), mas nem todos partilhavam tal opinião, ou não a apregoavam com tanta força. Talvez seja melhor entender o fato de enviarem a Barnabé como sendo uma tentativa de estabelecer um bom relacionamento com os cristãos de Antioquia, da mesma forma que Pedro e João haviam sido enviados aos samaritanos (cp. v. 20).
Ao chegar a Antioquia, Barnabé regozijou-se quando viu a graça de Deus (v. 23; veja a disc. sobre 3:8). O fato de ele "ter visto" pode significar que havia sinais visíveis da bênção —talvez grande mudança no modo de viver, quem sabe a manifestação mais palpável dos dons do Espírito (veja a disc. sobre 8:14ss. e 10:46). Barnabé não encontrou nada ruim em sua fé, nem deficiente em sua instrução, pois nada acrescentou. Apenas exortou a todos a que permanecessem no Senhor com todo o seu coração (v. 23; cp. 15:32), isto é, que continuassem no caminho que haviam iniciado, não permitindo que nada os separasse de Jesus. O tempo imperfeito do verbo "exortar" (ou "encorajar") implica em que Barnabé permaneceu em Antioquia e que ele martelou esse tema enquanto ali esteve. Barnabé é o grande encorajador (4:36), que também provou ser homem de bem (uma descrição singular em Atos) e cheio do Espírito Santo e de fé (v. 24). Essas foram as qualidades que fizeram que Estevão fosse tão eficiente como diácono (6:5), e graças a Deus, Barnabé mostrou a mesma eficiência. Parece que foi por intermédio dele, mais do que de outra pessoa, que muita gente se uniu ("se acrescentava"; cp. 2:47) ao Senhor (v. 24; observe o elo implícito entre a primeira e a segunda metades deste versículo). Parece que Barnabé tornou-se líder da igreja de Antioquia, o que era de esperar-se em conseqüência de sua longa ligação com os apóstolos. Sem dúvida alguma, no devido tempo ele apresentou um relatório à igreja de Jerusalém. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

1.3 Paulo é convidado para trabalhar (At 11.25)
11:25-26a / O crescimento da igreja foi tão grande que logo Barnabé sentiu a necessidade de um assistente, quando então seus pensamentos pousaram em Paulo (cp. 9:27) que, nos últimos anos, andara de cidade em cidade na Síria e na Cilícia, anunciando "a fé que outrora procurava destruir" (Gálatas 1:21ss.). E possível que Barnabé tivesse ouvido algo acerca de Paulo, o suficiente para convencê-lo de que era o homem certo para Antioquia. Tarso ficava a noroeste da capital siríaca, podendo ser alcançada por terra ou por mar. Não foi fácil localizar-lhe o paradeiro. Só depois de demorada busca (informa-nos o termo grego) é que Barnabé encontrou a Paulo, de modo que ambos foram juntos para Antioquia. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

11:25 "e ele partiu para Tarsis para procurar por Saulo" Este verbo está no Papiro Egípcio (mas não na LXX) implica que Saulo não estava fácil de ser encontrado. Somente Lucas usa este termo no NT (cf. Lucas 2:44,45; Atos 11:25). Estes anos de silêncio são mencionados aparentemente em Gal. 1:21. O tempo exato deste recorte é incerto, mas foi de aproximadamente de dez anos. (Comentário Bíblico de Atos - Bob Utley)

2. O trabalho de Barnabé e Paulo
A Igreja em Antioquia principiou com elementos judeus, depois helênicos, e por fim gentios. Essa massa de pessoas vindas de diferentes lugares com culturas diferentes, no entanto, tinham uma coisa em comum, o fato de crerem em Jesus Cristo. A fé em Jesus foi o agente agregador que os reuniu eliminando vantajosamente todas as diferenças e possibilitando a realização posterior da obra missionária no Império Romano.

2.1 A prioridade no ensino (At 11.26)
Nesta cidade ambos trabalharam juntos por todo um ano (v. 26), instruindo a igreja segundo o exemplo dos apóstolos (2:42; cp. Mateus 28:20), até determinado tempo em que a igreja, tendo atingido certo nível de maturidade, enviou-os para a obra mais ampla da "primeira viagem missionária" (13:3ss.). Pode ter acontecido que nesses primeiros meses em Antioquia, Paulo houvesse recebido a primeira visão do verdadeiro escopo de seu chamado para ser apóstolo "para com os gentios" (Gálatas 2:8). O texto grego do versículo 26 não prima pela clareza, embora ECA nos dê uma tradução excelente: se reuniram (Paulo e Barnabé) naquela igreja. Entretanto, várias alternativas têm sido sugeridas, das quais mencionamos uma que nos parece muito atraente: "eles se tornaram unidos naquela igreja", o que enfatiza que a associação de Paulo e Barnabé em Antioquia foi de inestimável valor para a missão da igreja.
Lucas observa duas outras questões interessantes nesta seção: Primeira, em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos (v. 26). No Novo Testamento, os cristãos nunca se chamam a si mesmos por este nome; tampouco é provável que o nome cristão lhes tenha sido atribuído pelos judeus. Portanto, deve ter partido de outros da cidade, e é testemunho de a igreja haver forçado sua presença, como grupo de pessoas com identidade própria que lhes chamava a atenção. Talvez não seja mero acidente de linguagem que ambas as declarações do v. 26, a que se refere ao número dos cristãos, e a que menciona seu nome, estejam tão intimamente relacionadas no grego. O substantivo "cristão" deriva do latim, cujos nomes no plural que terminam em iani denotam os partidários da pessoa sob referência; p.e., os herodianos eram os partidários de Herodes Antipas. H. B. Mattingley sugere que o termo christiani foi criado como expressão jocosa pelos cidadãos de Antioquia a fim de ridicularizar os Augustiani, uma brigada de devotos cultuadores que publicamente adulavam a Nero. Assim, tanto o entusiasmo dos crentes como a ridícula homenagem prestada pelos bajuladores imperiais eram satirizados nessa comparação ("The Origin of the Name Christian" [Origem do Nome Cristão], JTS 9, 1958, pp. 26ss.). Entretanto, o nome "cristão" pode ser bem mais velho do que a instituição dos Augustiani, o que certamente é plausível, se pensarmos que com essa observação Lucas tinha em mente informar que aquele nome originou-se nessa época. Todavia, persiste a possibilidade de o nome "cristão" ter sido cunhado como zombaria, e teria sido nesse sentido que Agripa II usou-o em 26:28 (cp. 1 Pedro 4:16). (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

2.2 Proveram socorro aos necessitados (At 11.28-29)
A segunda questão é a provisão feita pela igreja de Antioquia, quando a fome se alastrava, enviando socorro aos irmãos que moravam na Judéia (v. 29). A linguagem de Lucas intenciona mostrar a unidade existente entre os dois grupos de crentes. O profeta Ágabo, que viera de Jerusalém com um grupo de crentes, advertiu os irmãos de Antioquia de que haveria uma grande fome em todo o mundo (v. 28; cp. 24:5; Lucas 2:1). Foi isso mesmo que aconteceu em termos gerais. O reinado de Cláudio (41-54 A.D.) tornou-se notável pela fome que afligiu várias partes do império romano. O primeiro, segundo, quarto, nono e décimo primeiro ano de seu reinado ficaram registrados como anos de fome num ou noutro distrito (veja Suetônio, Cláudio 18; Tácito, Anais 12.43; Dio Cassio, História Romana 60.11; Eusébio, História Eclesiástica 2.8). De acordo com Josefo, a Judéia foi atingida entre 44 e 48 d.C. (Antigüidades 20.49-53). Mas, para a igreja de Antioquia a previsão serviu de aviso. Decidiram os crentes mandar, cada um conforme o que pudesse, uma oferta para a Judéia (v. 29; cp. 1 Coríntios 16:2). O desejo deles era prover socorro aos irmãos; o grego poderia implicar que aqueles cris­tãos enviariam tanto quanto pudessem "para o ministério", lembrando uma expressão similar usada em 6:1, enfatizando que esta oferenda era uma versão em escala maior de uma prática primitiva da igreja (cp. 2:44; 4:32-35; veja também a disc. sobre 20:1 -6). (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

2.3 Representantes de Antioquia (At 11.30)
O caso dos cristãos da Judéia talvez fosse muito desesperador naqueles anos de fome, visto que é bem provável que entre os que fugiram daquela região, durante a perseguição, estariam os mais bem qualificados para prover seu próprio sustento noutras regiões. A igreja, pois, teria sido despojada de seus membros mais ricos na época em que a ajuda deles seria mais necessária. Como deveria ter sido bem-vinda aquela ajuda de Antioquia! O dinheiro levantado pela igreja de Antioquia foi entregue por Paulo e Barnabé nas mãos dos anciãos, que aparentemente se tornaram líderes em Jerusalém, tendo Tiago como presidente do conselho (v. 30; veja a disc. sobre 12:17 e as notas; quanto ao sucesso desse empreendimento, cp. o parecer de Paulo em Gálatas 6:6, com os vv. 22 e 27). Esta visita de Paulo a Jerusalém é identificada às vezes com aquela mencionada em Gálatas 2:1-10, mas no todo isto nos parece improvável (veja a disc. sobre 15:1-21). Quando Paulo e Barnabé terminaram essa tarefa, voltaram para o norte, levando consigo João Marcos (12:25).
11:30/anciãos (cf.l4:23; 15:2, 4, 6, 22, 23; 16:4; 20:17; 21:18):Para entender a emergência desta ordem, devemos lembrar que a igreja havia sofrido duas grandes perseguições (assumindo que Antioquia foi formada posteriormente a 44 d.C; 8:lss.; 9:lss.; 12:lss.)- Estas dispersaram um número significativo de cristãos, incluindo, supomos, outros além dos primeiros Sete líderes que in­cluíam Filipe, talvez também os que restaram dos Doze (cp. 12:1, 2 17). De toda maneira, os Doze não queriam envolver-se no dia-a-dia da administração da igreja. Desta maneira a primitiva liderança da igreja em Jerusalém foi dispersa (apesar que de tempos em tempos os apóstolos retornavam à cidade quando importantes decisões deveriam ser tomadas; cp. 15:2ss., talvez também 11:1 e 22), e isto, juntamente com a inclinação natural da igreja de aceitar o costume da sinagoga, talvez apontassem como líderes os anciãos. Este fato abriu prece­dente para que outras igrejas os imitassem (14:23; 20:17). Os anciãos eram às vezes chamados "supervisores" (gr. episkopoi; veja nota em 20:28; cp. Filipen-ses 1:1; 1 Timóteo 3:1 s., Tito 1:7) ou simplesmente "os que presidem sobre vós" (1 Tessalonicenses 5:12). Diferentemente dos judeus, eles costumavam ter um papel espiritual como pastores e professores, assim como administradores (cp. 20:17; 1 Timóteo 5:17; Tiago 5:14; 1 Pedro 5:1-4). E de 1 Timóteo 4:14; 5:22 e 2 Timóteo 1:6 podemos deduzir que estas indicações foram feitas por impo­sição de mãos. Acerca deste assunto, veja adiante a nota em 14:23. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

3. O retorno da missão representativa
Barnabé e Paulo provaram mutuamente ser bons parceiros na seara do Senhor: Barnabé estava satisfeito por ter buscado Paulo como companheiro na missão pastoral em Antioquia. E Paulo, por sua vez, estava demonstrando ser um assistente de talento ao lado de Barnabé, sempre dentro de suas expectativas.

3.1 A palavra crescia e multiplicava-se (At 12.24)
12:24 / Assim morreu o perseguidor da igreja. Enquanto isso acontecia, a igreja continuava a prosperar — esta é outra das declarações resumidas de Lucas (veja a disc. sobre 2:42-47). "O que semeia, semeia a palavra", disse Jesus (Marcos 4:14), e Lucas nos diz agora que a palavra de Deus crescia e se multiplicava. No texto grego, este versí­culo é idêntico à primeira parte de 6:7 (cp. também 19:20). (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

3.2 Retornaram acompanhados (At 12.25)
12:25 / O último versículo desta seção encerra a narrativa anterior sobre a missão caridosa de Paulo e Barnabé, a de levar alívio à fome reinante em Jerusalém (11:27-30). A referência a João Marcos aparece aqui, bem no fim, para explicar a presença desse jovem em Antioquia, na história que vem a seguir. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

12:25 Aqui começa o relato das viagens missionárias de Paulo. Existe uma variante textual neste verso relatando sobre quando retornaram para Jerusalém (cf. Manuscritos x e B) ou "de"Jerusalém ( cf. manuscritos apo, MS D ou ek, MSS P74, A). O capítulo começa com Barnabé e Saulo em Antioquia. (Comentário Bíblico de Atos - Bob Utley)

3.3 Retorno com um devocional intensificado
13:4-5 / Seria natural que os missionários se dirigissem primeiro a Chipre, embora, por causa do comentário de Lucas de que eles foram enviados pelo Espírito Santo (v. 4; cp. v. 3, onde os crentes "os despediram"), possamos presumir que se acrescentou maior convicção pelos ditames do bom senso. Chipre era a terra natal de Barnabé, lugar de fácil acesso onde com certeza já havia alguns cristãos (11:19s; 21:16). João Marcos os havia acompanhado (v. 5). É possível que os fatores determinantes de sua escolha teriam sido seu parentesco com Barnabé (veja a nota sobre 12:12), bem como talvez seu relacionamento com a ilha. Visto que seu nome não aparece no comissionamento, teria exercido funções subordinadas. João Marcos poderia ter cuidado das necessidades do dia a dia dos apóstolos, embora o termo empregado para descrevê-lo (gr. hyperetes, "servo", "atendente", "ministro") é usado às vezes para designar os ministros cristãos num sentido oficial (26:16; 1 Coríntios 4:1); com base nisto tem sido sugerido que Marcos teria servido como catequista, tendo também batizado os convertidos. Por outro lado, o uso do verbo correspondente (hyperetein) em 20:34 e 24:23 favorece o sentido de que o moço era auxiliar para serviços gerais. (NOVO COMENTARIO BIBLICO DO LIVRO DE ATOS - David J Williams)

Conclusão
Percebe-se, ao longo desta lição, que a figura de Paulo, quando veio de Tarso para Antioquia, não apareceu muito. Senão ensinando a Igreja junto com Barnabé e, evidentemente, com outros mestres locais. Paulo era um assistente de valor; mas que reconhecia a sua posição na Igreja e honrava seu colega que lhe dera tamanho privilégio ao convidá-lo como assistente direto. Paulo soube aproveitar as oportunidades que lhe davam.



Fontes:
Bíblia de Estudos Dake
COMENTÁRIO BÍBLICO MOODY – João
Revista: APÓSTOLO PAULO – Editora Betel - 4º Trimestre 2012 – Lição 05

Reflexão Espiritual

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