terça-feira, 7 de setembro de 2021

Lição 11 – Jesus Cristo é Poderoso para Solucionar Problemas Extremos

 

12 de setembro de 2021

  

TEXTO ÁUREO

“E sentiram um grande temor e diziam uns aos outros: Mas quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” Marcos 4.41

 

VERDADE APLICADA

Não devemos temer nada, pois Jesus é suficientemente poderoso para nos fazer vitoriosos.

 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

Apresentar o poder de Jesus sobre as forças da natureza.

Apresentar o poder de Jesus sobre as forças do mal.

Mostrar que Jesus não mudou.


TEXTOS DE REFERÊNCIA

MARCOS 4

35. E, naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para a outra banda.

36. E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos.

37. E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia.

38. E ele estava na popa dormindo sobre uma almofada; e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos?

39. E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança.

 

LEITURAS COMPLEMENTARES

SEGUNDA / Mt 12.29 Jesus é aquele que amarra o valente.

TERÇA / Mc 5.1-13 Jesus exerce autoridade sobre os demônios.

QUARTA / Mc 5.14-20 Um homem endemoniado é liberto.

QUINTA / Lc 8.22-25 Jesus acalma a tempestade.

SEXTA / Cl 2.15 Jesus despojou todo principado e potestade.

SÁBADO / Hb 2.14 Jesus venceu o diabo.

 

HINOS SUGERIDOS 33, 467, 578

 

MOTIVOS DE ORAÇÃO

Ore para que Deus nos dê força diante das provações.

 

ESBOÇO DA LIÇÃO

Introdução

1. O poder de Jesus sobre as tempestades

2. O poder de Jesus sobre os demônios

3. Jesus ainda é o mesmo

Conclusão

 

INTRODUÇÃO

Seja qual for a adversidade que aparecer diante do nosso caminho, Jesus tem poder sobre tudo e sobre todos. Basta a cada um de nós confiar nEle.

A confiança em Jesus nos levará a usufruir de tudo que Ele nos prometeu e, segundo deixou escrito em João 14.12, agindo com fé, crendo de verdade, podemos fazer tudo que Ele fez, e até obras maiores; pois, segundo Jesus, todo poder que o Pai o concedeu, Ele garantiu ter nos repassado por fé.

 

PONTO DE PARTIDA

Jesus repreende as tempestades.

 

1. O Poder de Jesus sobre as Tempestades

Quando Jesus repreendeu a tempestade no Mar da Galileia, os discípulos ainda estavam crescendo no conhecimento acerca dEle [Mc 4.41]. As tempestades da vida servem para que reconheçamos a ação e o poder de Jesus sobre as adversidades.

Mc 4.41 Os discípulos viviam com Jesus, mas 0 subestimavam. Eles não viam que seu poder se aplicava à sua própria situação. Jesus tem estado com seu povo há dois mil anos, e, no entanto, nós, como os discípulos, subestimamos seu poder de lidar com crises em nossas vidas. Os discípulos não tinham conhecimento suficiente a respeito de Jesus. Nós não podemos usar a mesma desculpa. (BÍBLIA DE ESTUDO CRONOLÓGICA APLICAÇÃO PESSOAL pg 1353)

 

1.1. A ordem de Jesus. Em Marcos 4.35, Jesus dá uma ordem direta aos Seus discípulos para irem à outra margem do Mar da Galileia. Henri Daniel-Rops afirma: “Não raro, no Mar da Galileia ocorria tempestades, no inverno, o vento qadim, frio e seco, que torna o ar claro como cristal, baixando a temperatura cerca de 18º numa só rajada, provoca uma espécie de redemoinho quando sopra sobre o mar, denotando a dificuldade em ultrapassá-lo”. Os discípulos obedeceram a ordem do Mestre, mas isso não os isentou de passar por uma tempestade. Assim também é a vida do crente, muitas vezes, ao seguir Jesus passaremos pela tempestade, mas a grande diferença é que não estaremos sozinhos, Ele está conosco no barco da nossa vida.

Subsídio do Professor: O verdadeiro discípulo obedece a Palavra de Jesus. Passar para a outra margem do Mar da Galileia era uma aventura e tanto na Palestina do século I, onde não existiam ferramentas de orientação e navegação eficientes como temos atualmente. Eles estavam cientes do perigo que poderiam enfrentar, mas, com Jesus no barco, o que pode dar de errado? Com Jesus no barco, as ondas podem até se levantar, o vento pode até soprar, mas todos esses se curvam diante da majestade e do poderio daquele que criou o vento e o mar.

Mc 4.35-38 O "lago” é o mar da Galileia, um volume de água que está a 207 metros abaixo do nível do mar, cercado de montanhas. Ventos sopram pela terra, e ficam mais intensos perto do mar, frequentemente provocando violentas e inesperadas tempestades. Os discípulos eram pescadores experientes, que haviam passado suas vidas pescando nesse enorme lago, mas durante essa provação, todos entraram em pânico.

Mt 8.24 O mar da Galileia é um volume incomum de água. É relativamente pequeno (21 quilômetros de comprimento, 11 quilô­metros de largura), mas sua profundidade é de 46-61 metros, e sua margem está a 207 metros abaixo do nível do mar. Tempestades repentinas podem aparecer sobre os montes vizinhos, com poucos avisos prévios, e agitar as águas, criando violentas ondas de até seis metros de altura. Os discípulos não haviam entrado em uma tempestade de forma tola. Eles haviam sido surpreendidos, sem aviso prévio, e o perigo que corriam era grande. (BÍBLIA DE ESTUDO CRONOLÓGICA APLICAÇÃO PESSOAL pg 1353)

 

1.2. Jesus também estava no barco. Mesmo com a presença de Jesus no barco, os discípulos não estavam isentos de enfrentar uma grande tempestade. Nas Escrituras, as águas, muitas vezes, simbolizam a morte (o batismo reflete isso – Romanos 6.4), logo, o mar aqui representa o caos primordial que tenta destruir a criação de Deus. O mar também representa a adversidade e o perigo (Israel passou pelo Mar Vermelho – Êxodo 14.16). Na passagem, o mar e o vento se opõem veementemente ao barco dos discípulos, a vida deles está em risco. Jesus nos prometeu que estaria conosco até a consumação dos séculos [Mt 28.20], mas também disse que no mundo teríamos aflições [Jo 16.33].

Subsídio do Professor: Cassio Murilo Rosa da Silva: “Três palavras nos chamam a atenção nesta passagem [Mc 4.39]:

1) repreendeu (do grego, epitimao) – exprimir forte desaprovação pelo agir de alguém; ordenar com implicação de ameaça;

2) Cala-te (do grego, siopao) – ficar silencioso, aguardar em silêncio, ficar calmo, inativo; e

3) Aquieta-te (do grego, fimoo) – fechar a boca com uma mordaça, fazer calar.

Ao observar esses três verbos, conclui-se que Jesus assumiu para si a ameaça pessoal que se abateu sobre Seus discípulos, Ele exige que cesse a atividade caótica, tanto do vento como do mar”. As nossas tempestades também são as tempestades de Jesus, pois Ele está no nosso barco conosco.

Mt 8.25 Embora os discípulos tivessem testemunhado muitos milagres, entraram em pânico em meio a esta tempestade. Sendo marinheiros experientes, eles conheciam o perigo que corriam; o que não sabiam era que Cristo podia controlar as forças da natureza. Frequentemente, encontramos tempestades em nossa vida, em que sentimos que Deus não pode ou não deseja operar. No entanto, quando verdadeiramente entendermos quem Deus é, perceberemos que Ele controla tanto as tempestades da natureza como as tempestades do coração perturbado. O poder de Jesus, que acalmou essa tempestade, também pode nos ajudar a lidar com os problemas que enfrentamos. Jesus está disposto a ajudar, mas somente se lhe pedirmos ajuda. Nunca devemos descartar seu poder, mesmo em meio a terríveis provações. (BÍBLIA DE ESTUDO CRONOLÓGICA APLICAÇÃO PESSOAL pg 1353)

 

1.3. Jesus repreende o vento e o mar. A cena em que Jesus apazigua a tempestade é icônica nos evangelhos. Ao ordenar ao mar que se cale, Jesus amordaça-o, pois, tentava devorar o barco. O mar fica inativo diante do poderio de Jesus. Ao vento, Ele manda se calar. Com isso, podemos observar que tanto o vento quanto o mar reconhecem a autoridade de Jesus e obedecem. Enquanto Jesus está inativo, dormindo sobre um travesseiro, a tempestade tenta engolir o barquinho, mas quando Jesus se torna ativo, todos e tudo têm que se submeter à Sua vontade. Jesus se importa conosco e muitas das provações servem para testar a nossa fé [Mc 4.40].

Subsídio do Professor: Dewy M. Mulholland: “Tempestades certamente atingiram a igreja através dos tempos (cf. as experiências de Paulo, relatadas em 2Co 11.23-28). Os crentes não enfrentam as provações sozinhos, pois Jesus os ajuda em tempos de problemas e os livra do temor da morte [Hb 2.14-18]. Ainda que a interpretação alegórica parece a propósito, não devemos permitir que enfraqueça a ênfase cristológica deste evento”.

Mt 8.23-27. Apaziguando a tempestade. Uma grande tempestade. A palavra geralmente usada para "terremoto" foi empregada aqui, talvez por causa da turbulência da água, tão violenta que aterrorizou até mesmo marinheiros experientes. Tempestades violentas não são raras na Galiléia. (W.M. Thomson, The Land and the Book, pág. 347). Mt 8.26 Repreendeu os ventos e o mar. Além de ordenar aos ventos, Cristo falou também ao mar, o qual teria, caso contrário, continuado encapelado por algum tempo.

Mc 4.39. Apresentando um contraste, Marcos narra a ordem que Cristo deu à tempestade. O aoristo grego mostra que ele repreendeu o vento uma vez (ação imediata), e houve grande bonança (gr. aoristo). Não houve necessidade que o Senhor repetisse a sua ordem, pois suscitou obediência imediata. Acalma-te, emudece! Literalmente, Fique quieto. Cale a boca. Lenski traduz o perfeito imperativo da segunda ordem de Cristo de maneira interessante, "Coloque a mordaça e a mantenha em seu lugar" (R. C. H. Lenski, The Interpretation of Mark's Gospel, pág. 201).

Lc 8.24. Perecendo. A tempestade devia ser fora do comum para amedrontar pescadores experimentados que conheciam todos os aspectos do lago. Despertando-se Jesus, repreendeu o vento. Jesus tinha autoridade sobre as forças da natureza. Se a tempestade passasse naturalmente, a calmaria não teria se seguido instantaneamente. (Comentário Bíblico Moody)

 

EU ENSINEI QUE:

Jesus tem poder sobre as forças da natureza, sobre o caos e tudo que se apresenta para nos destruir.

 

2. O Poder de Jesus sobre os demônios

A tempestade se mostrou um obstáculo no percurso de Jesus e de Seus discípulos em direção a um propósito: a libertação de um homem gadareno.

A viagem a Gadara tinha um propósito maravilhoso, libertar um endemoniado de seu opressor. Quando Deus tem um propósito maior para nosso crescimento espiritual, geralmente, Ele nos coloca em lugares que nos fará mais forjados e resistentes para a conquista, mas a vitória é nossa pelo Sangue de Jesus.

 

2.1. Lidando com situações extremas. Depois do enfrentamento da tempestade, Jesus e seus discípulos chegam à província dos gadarenos (segundo a ARC). E encontram um homem possuído por uma legião de demônios. Este homem, devido a possessão demoníaca, vivia nos sepulcros gritando e se cortando com pedras [Mc 5.5], e possuía uma força descomunal de tal forma que não podiam acorrentá-lo. Com isso, ninguém podia passar por ali. Possivelmente, o gadareno, além de sofrer possessão demoníaca, deveria padecer de alguma insanidade. As forças do mal tentam de todo modo deturpar e perverter a imagem divina no ser humano.

Subsídio do Professor: O gadareno era um problema para sua comunidade, para sua família e para si mesmo [Mc 5.1-5]. Ele era, no seu tempo, uma situação perdida. Este morto-vivo é um retrato vívido e realista da desordem, confusão e do medo que Satanás impõe. Não obstante, o adversário só chega até aonde nosso Senhor permite. Não há problemas que Jesus não resolva.

Mt 8.28 Mateus diz que havia dois homens possuídos por demônios, ao passo que Marcos e Lucas se referem a apenas um homem. Aparentemente, Marcos e Lucas mencionam apenas o homem que falou.

Mt 8,28 Segundo as leis cerimoniais dos judeus, os homens que Jesus encontrou estavam impuros, de três maneiras: eles eram gentios (não judeus), eles estavam possuídos por demônios, e eles viviam em um cemitério. Jesus os ajudou mesmo assim. Não devemos dar as costas a pessoas que são “impuras” ou repulsivas, ou que infringem nossos padrões morais e nossas crenças religiosas. Em vez disso, devemos perceber que cada indivíduo humano é uma criação exclusiva de Deus, que precisa ser tocada pelo seu amor. (BÍBLIA DE ESTUDO CRONOLÓGICA APLICAÇÃO PESSOAL pg 1353)

 

2.2. Os demônios se submetem a Jesus. Basicamente, a pregação de Jesus era a proclamação do Reino de Deus. Os exorcismos realizados por Jesus expressavam as características do Reino. Em Jesus, o mal estava sendo vencido, pois o Reino já estava entre eles [Lc 17.21]. Os demônios ainda não estão totalmente inativos. Em outros textos do Novo Testamento vemos que Deus, em Sua soberania, permite que espíritos maus continuem atuando neste mundo [Mc 16.17; At 16.18; 1Ts 2.18]. Contudo, também está revelado que o Senhor Jesus já os venceu e que um dia não mais atuarão [Mt 25.41; Ap 12.12; 20.10]. O Reino de Deus é presente, mas ao mesmo tempo é oculto, ele só pode ser visto pelos olhos da fé. Todo o poder das trevas se curva diante do sol da justiça.

Subsídio do Professor: Nos três primeiros evangelhos a palavra grega usada para expressar os milagres e ações poderosas de Jesus é “dynamis”. Tudo que Jesus faz expressa o poder de Deus agindo já na terra. Raymond Brown: “Assim como acalmar a tempestade mostrou o poder de Jesus contra a natureza caótica, o exorcismo do endemoninhado mostra Seu poder sobre Satanás em um caso de possessão”.

Lc 8.27-28 Esses demônios reconheceram imediatamente Jesus e sua autoridade. Eles sabiam quem Jesus era e o que seu grande poder poderia fazer com eles. Os demônios. mensageiros de Satanás, são poderosos e destrutivos. Ativos ainda hoje, eles tentam distorcer, desviar e destruir o relacionamento das pessoas com Deus. Os demônios e a possessão demoníaca são reais. É vital que os crentes reconheçam o poder de Satanás e seus demônios, mas não devemos permitir que a curiosidade faça com que nos envolvamos com forças demoníacas (Dt 18.10-12). Os demônios são impotentes contra aqueles que confiam em Jesus. Se resistirmos ao diabo, ele fugirá de nós (Tg 4.7). (BÍBLIA DE ESTUDO CRONOLÓGICA APLICAÇÃO PESSOAL pg 1355) Portanto, sujeitai-vos a Deus. Resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós! Tg 4.7

 

2.3. Jesus dá nova vida. Depois de encontrar com Jesus, aquele homem, que outrora tinha sido controlado por espíritos imundos, agora é encontrado sentado, vestido e em perfeito juízo [Mc 5.15]. Jesus transformou as circunstâncias extremas em novas oportunidades. Quando o ser humano tem um verdadeiro encontro com o Cristo vivo, sua vida muda e descobrimos que não existe situação que não possa ser transformada pelo Senhor. Seja qual for a situação ou circunstância, Jesus tem todo o poder, basta acreditarmos e confiarmos no Seu amor.

Subsídio do Professor: O homem, totalmente liberto, transformado, se compromete com Jesus em fazer parte de Seu discipulado, mas Cristo ordena que ele permaneça em sua terra como testemunho vivo de Seu poder [Mc 5.18-20]. Situações extremas revelam o poder que Jesus tem para operar e transformar as situações. Nada é impossível para o nosso Deus.

Mc 5.19 Jesus disse a este homem que contasse a seus amigos a respeito da milagrosa cura. Na maior parte do tempo, Jesus pedia - que aqueles a quem curava fizessem silêncio a respeito do benefício recebido. Por que a diferença? (1) Jesus sabia que o homem seria uma testemunha eficaz para aqueles que conheciam sua condição anterior, e poderiam confirmar a milagrosa cura. (2) Jesus queria expandir seu ministério, introduzindo sua mensagem nessa região de gentios. (3) Jesus sabia que os gentios, uma vez que não estavam esperando um Messias, não deturpariam seu ministério, tentando coroá-lo como rei. (Na verdade, as pessoas desta região haviam pedido que Jesus se retirasse.)

Mc 5.19-20 Este homem havia estado possuído por demônios, mas se tomou um exemplo vivo do poder de Jesus. Ele queria ir com Jesus, mas Jesus lhe disse que fosse para casa e divulgasse sua história a seus amigos. Se você já recebeu o poder de Jesus em sua vida, você, como este homem, está transmitindo, entusiasticamente, a boa notícia aos que estão próximos a você? Da mesma maneira como contaríamos a outras pessoas a respeito de um médico que curou uma doença física, também devemos falar a respeito de Cristo, que perdoa e tira nossos pecados. (BÍBLIA DE ESTUDO CRONOLÓGICA APLICAÇÃO PESSOAL pg 1355)

 

EU ENSINEI QUE:

Assim como Jesus tem poder sobre as forças da natureza, Ele exerce Seu poder sobre as forças das trevas. Nada pode impedir o agir de Jesus, nem a natureza, as doenças, o diabo ou até mesmo a morte.

 

3. Jesus ainda é o Mesmo

Jesus é imutável, Ele não muda e não pode mudar! Assim como Ele fez nos tempos passados, Ele ainda faz hoje.

Assim como a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, Jesus também não muda, Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Jesus é eterno. Ele nunca muda. Jesus pode agir de muitas formas diferentes, mas Ele não se contradiz nem muda quem Ele é. Ele é sempre consistente. Podemos confiar em Jesus todos os dias.

 

3.1. Jesus tem todo o poder. Podemos observar que Jesus em todo o Seu ministério revela o Seu poder (do grego, dynamis) – capacidade para fazer, poder para realizar algo, força. Ele tem poder para curar [Mt 12.15], perdoar [Mc 2.5], expulsar demônios [Lc 11.14], ressuscitar mortos [Jo 11.43-44], multiplicar alimentos [Mt 14.19-21], transformar a matéria [Jo 2.9], submeter as forças da natureza [Mc 4.39]. No entanto, Ele também tem o poder como autoridade (do grego, exousía) – autoridade para fazer, direito de reger e governar. Em Mateus 28.18, Jesus afirma que todo poder e autoridade foi concedido a Ele. Portanto, nós podemos confiar no nosso Senhor que está conosco e tem todo poder.

Subsídio do Professor: No ministério terreno de Jesus, Ele se despojou de toda a Sua glória [Fp 2.6], mas não se despojou de quem era. Ele passou pelo processo de auto aniquilação, ou auto esvaziamento (do grego, kenosis; Fp 2.7). Isso não significa que deixou de ser Deus, mas, por amor a nós, Ele decidiu não utilizar de Seus atributos imanentes e viveu uma vida direcionada pelo Espírito Santo. O processo de esvaziamento era necessário no plano da salvação, pois Jesus deveria provar da morte em nosso lugar, mas, ao concretizar o plano divino, em Sua ressurreição Ele afirma que tinha recebido toda a autoridade [Mt 28.18]. Agora, Jesus não tem mais aquele corpo frágil que foi pregado na cruz. Agora, Ele se apresenta como aquele que tem Seus olhos como chama de fogo, Seus cabelos, brancos como a lã e Seus pés como latão reluzente [Ap 1.14-15]. Somente Ele é digno!

Mt 28.18 Deus deu a Jesus autoridade sobre o céu e a terra. Com base nessa autoridade, Jesus disse aos seus discípulos que deviam fazer mais discípulos, pregando, batizando e ensinando. Com a mesma autoridade, Jesus ainda nos diz que devemos contar aos outros as boas-novas, e fazer deles discípulos para o reino. (BÍBLIA DE ESTUDO CRONOLÓGICA APLICAÇÃO PESSOAL pg 1509)

 

3.2. Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Em Hebreus 13.8, o texto afirma: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente”. Essa proposição é uma segurança para nós que confiamos no Seu amor e na Sua fidelidade. Cabe a cada um de nós sermos fiéis e confiantes neste amor. O problema não é Jesus fazer ou não fazer, pois cabe a Ele decidir, o nosso grande desafio é confiar que a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável [Rm 12.2], e que Deus nos ama e deseja dar o melhor para cada um de nós [Mt 6.25-32].

Subsídio do Professor: Apesar da mudança física que aconteceu com Jesus em Seu ministério terreno, Ele não mudou em Sua essência. Ele é a expressão plena do Pai [Jo 14.10-11]. Em Jesus não houve mudança em Seu ser, Ele expressa Deus em toda Sua grandeza e Seu amor. O Deus que Jesus revela não é o deus que oprime o fraco, que tem preferência pelos ricos e poderosos, mas é o Deus que se faz pequeno, que está junto dos pobres e dos que sofrem qualquer tipo de opressão; é o Deus que está junto dos necessitados e que usa as coisas pequenas para confundir as grandes. É um Deus que envia o Seu Filho para morrer por amor, não morre por um justo, ou por um amigo, mas morre pelos seus inimigos. Se Deus nos amou quando nós éramos inimigos Seus, imaginemos agora.

13.8 Embora os líderes humanos tenham muito a nos oferecer, devemos manter nossos olhos em Cristo, nosso Lider supremo. Diferentemente de quaisquer lideres humanos, Ele nunca mudará. Cristo foi e será o mesmo para sempre. Em um mundo mutá­vel, podemos confiar em nosso Senhor imutável. (BÍBLIA DE ESTUDO CRONOLÓGICA APLICAÇÃO PESSOAL pg 1806)

Ap1.8 Alfa e Ômega são a primeira e a última letras do alfabeto grego. 0 Senhor Deus é 0 princípio e o fim. Deus Pai é o Senhor eterno e Governante do passado, presente e futuro (veja também Ap 4.8; Is 44.6; 48.12-15). Sem Ele, você não tem nada que seja eterno, nada que possa transformar sua vida, nada que possa lhe salvar do pecado. 0 Senhor é sua razão de viver, “o Alfa e o Ômega” de sua vida? Honre àquele que é o princípio e o fim de toda a existência, sabedoria e poder. (BÍBLIA DE ESTUDO CRONOLÓGICA APLICAÇÃO PESSOAL pg 1824)

 

3.3. Permaneçamos nEle. Assim como a videira é Jesus e nós somos os ramos, devemos estar enxertados em Cristo [Jo 15.5]. A ovelha só tem proteção se estiver debaixo do cajado do seu pastor, a verdadeira ovelha de Jesus ouve a Sua voz, a conhece e a obedece [Jo 10.15]. Permanecemos com Jesus quando ouvimos Sua Palavra e praticamos [Mt 7.24]. O caminho do discípulo é esse: ele ouve a Palavra e vive a Palavra! E, se vivemos a Palavra, conheceremos a verdade que liberta e transforma [Jo 8.31-32].

Subsídio do Professor: É interessante o quanto conseguimos repetir versículos no meio evangélico e não nos damos conta de que o versículo se encontra em um contexto maior. João 8.31-32 é um exemplo. Repetimos de cor o versículo 32: “e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, mas nos esquecemos de que, no contexto maior, a afirmação é uma bênção condicional ao “se vós permanecerdes nas minhas palavras”. Existe aqui um “se”, ou seja, somente conheceremos a verdade “se” vivermos as palavras de Jesus. Portanto, para permanecermos firmes em Cristo Jesus, devemos viver a Sua Palavra diariamente, sendo assim, nada poderá nos parar.

Jo 15.5-6 Estar em Cristo quer dizer crer que Ele é Filho de Deus (Jo 4.15), recebê-lo como Salvador e Senhor (Jo 1.12), fazer o que Deus ordena (1 Jo 3.24), continuar a crer nas boas-novas (1 Jo 2.24), e ter um relacionamento de amor com a comunidade de crentes, o corpo de Cristo (Jo 15.12). Jo 15.5-8 Muitas pessoas tentam ser boas e honestas, fazer o que é certo. Mas Jesus diz que a única maneira de viver uma vida verdadeiramente boa é permanecer perto dele, como um galho preso à videira. Sem Cristo, nossos esforços são infrutíferos. Você está recebendo a nutrição e a vida oferecida por Cristo, a videira? Caso negativo, você está perdendo um dom especial que Ele tem para você. (BÍBLIA DE ESTUDO CRONOLÓGICA APLICAÇÃO PESSOAL pg 1474)

 

EU ENSINEI QUE:

Jesus não mudou! Aquilo que Ele fez no passado, Ele faz ainda hoje, nós é que mudamos.

 

CONCLUSÃO

Nada temeremos, porque o nosso Deus tudo pode e está conosco nos momentos de dificuldade. Que possamos permanecer nEle, sem desviar o nosso olhar, sem sair da posição e cheios do Seu Espírito.

Se tiveres fé e estiveres determinado a andar com Deus, sendo santo em toda maneira de viver, nada, nem ninguém, poderá impedir o agir de Deus em seu favor, ou seja, não haverá nada a temer, se Deus está contigo no seu barco. Pois o amor de Deus é acompanhado de muitos cuidados e Ele almeja grandes e excelentes conquistas para a cada um de nós, portanto, entregar a Ele o leme de nossas vidas, com certeza, nos fará “mais que vencedores”.

 

quinta-feira, 30 de julho de 2020

a igreja e a esperança



Em quem esta a sua esperança, na politica, na família, em quem senão em Jesus.

ele é a nossa esperança.

A boa, perfeita e agradável



O apóstolo Paulo está afirmando pelo Espírito Santo que devemos renovar as nossas mentes para experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus!

Morte Espiritual



uma ordenança Divina que o homem não soube obedecer, e acabou perdendo sua santidade e pecando contra o Senhor, estando sujeito assim a morte espiritual.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Lição 4 – A história da Igreja até a Reforma Protestante


dia 28 de Abril de 2019

O tema da nossa lição é muito atraente, envolvente e sem dúvida nos estimula a procurar trazer o melhor, todavia é um assunto muito amplo para se ensinar em uma hora. O nosso comentarista deixa bem claro que o objetivo é fazer uma explanação. Note na síntese abaixo quantos pontos relevantes teríamos que abordar:
O período da igreja antiga e medieval abrange os primeiros 1.500 anos da história cristã, desde a era apostólica até a véspera da Reforma Protestante. Esse longo período inclui importantes movimentos como a era dos pais da igreja, o monasticismo, as cruzadas, o escolasticismo e o renascimento. Dois grandes ramos do cristianismo se destacam nestes séculos: a Igreja Ortodoxa Grega (Igreja Oriental) e a Igreja Católica Romana (Igreja Ocidental). Entre seus grandes vultos estão Irineu de Lião, Tertuliano de Cartago, Orígenes, Cipriano, Atanásio, Agostinho de Hipona, Gregório Magno, Anselmo de Cantuária, Tomás de Aquino e muitos outros. ( cpaj.mackenzie.br/historia-da-igreja/igreja-antiga-e-medieval)
Portanto, estaremos abordando somente alguns pontos importantes que o nosso comentarista já colocou em evidencia na lição, desse período de 1500 anos (aproximadamente). Didaticamente não seria viável tentar esgotar o tema...

Texto Áureo
“O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo." (Sl 103.19)

Verdade Aplicada
O estudo da história da Igreja contribui para evitar os erros do passado, conhecer melhor a missão e cumprir com fidelidade nossa tarefa.

Objetivos da Lição
1 - Explanar a história da Igreja até a Reforma Protestante;
2 - Descrever os pontos que fizeram a Igreja se desviar do seu propósito inicial;
3 - Explicar a importância da Reforma para os nossos dias. 

Hinos sugeridos
198 - O Bom Amigo
306 - A Palavra de Deus é um Tesouro
581 - Castelo Forte

Daniel 2.19-22 
19 - Então foi revelado o segredo a Daniel numa visão de noite; então Daniel louvou a Deus do céu.
20 - Falou Daniel, e disse: Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque dele é a sabedoria e a força;
21 - Ele muda os tempos e as horas; ele remove reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e ciência aos entendidos.
22 - Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz.

INTRODUÇÃO 
A história da Igreja é repleta de altos e baixos. Como participantes desta história, devemos deixar legado para as gerações posteriores de compromisso e responsabilidade com a Palavra de Deus.

1. A HISTÓRIA DA IGREJA ATÉ CONSTANTINO 
A história da Igreja não acaba no livro de Atos dos Apóstolos. O próprio livro não termina com uma conclusão, pelo contrário, deixa aberto a continuação da história da Igreja (At 28.31).
Obs. Nós somos a continuação da história da igreja (sec. XXI)

1.1 O Período da Perseguição.
Desde o período da Igreja Primitiva, o povo de Deus passou por diversas perseguições (At 8.1-3). A própria igreja de Esmirna é considerada como perseguida (At 2.10-11). Os primeiros três séculos são caracterizados pela perseguição e martírio. Os cristãos eram perseguidos por motivos: políticos - era preciso escolher entre a lealdade a Cristo ou a César; religiosos - os romanos exigiam dos cristãos a adoração aos deuses pagãos; sociais - muitos cristãos pertenciam às classes mais pobres da sociedade e por isso eram vistos com desprezo pelos líderes aristocráticos da sociedade; e econômicos - muitos fabricantes de ídolos se opuseram ao cristianismo devido à adoração exclusiva a Cristo a à ausência de imagens (At 19.24-26).
Jesus já havia alertado os discípulos acerca da perseguição:
“Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa” (Mt 5.11

Earle E. Cairns escreveu sobre a perseguição da Igreja: “A perseguição aos cristãos era eclesiástica e política. Durante os primórdios da Igreja em Jerusalém, os judeus foram os perseguidores. Somente no governo de Nero (d.C.), as perseguições partiram do estado romano. Estas perseguições foram locais e esporádicas até 250 d.C., quando se tornaram gerais e violentas. “O rápido avanço do cristianismo, mesmo durante os períodos de feroz perseguição, provou que realmente o sangue dos mártires era a semente da Igreja” O Cristianismo através dos séculos – uma história da Igreja cristã. Earle E. Cairns (Revista do professor)

Com os termos da Grande Comissão a ecoar-lhes nos ouvidos, sabiam os santos apóstolos que a Igreja não poderia circunscrever-se a Jerusalém (Mt 28.19,20). Mas quando sair à Judéia? Quando alcançar Samaria? E quando atingir os mais distantes lugares da terra? Estando ainda estas perguntas por se responder, eis que o martírio de Estêvão precipita a dispersão da Igreja de Jerusalém.
Ao relatar o evento, escreve Lucas: “Mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra” (At 8.4). Por conseguinte, quando aqueles piedosos varões puseram-se a sepultar o corpo de Estevão, não sabiam eles estarem, na verdade, semeando uma semente que, de imediato, multiplicar-se-ia dentro e fora dos termos de Jacó. Não foi exatamente isto o que ensinara o Senhor: “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12.24). Mais tarde, confirmaria o doutíssimo Tertuliano as palavras do Cristo: “O sangue dos mártires é a semente da Igreja”. (Lições CPAD Jovens e Adultos » 2011 » 1º Trim.)

1.2 O Período Apologético.                     
A Igreja sofreu muito com os ataques externos do Império Romano. No entanto, um dos maiores desafios foram as heresias que apareceram no seio da Igreja. Muitos falsos líderes tentaram associar a filosofia grega com a doutrina cristã, criando heresias filosóficas como o gnosticismo, a qual a Igreja Primitiva já tinha combatido no período dos apóstolos Paulo (Cl 2.8) e João ((1Jo 2.22). Eles identificavam a matéria com o mal e somente aquilo que era espiritual era bom, com isso negavam a encarnação e a divindade de Jesus, o Filho de Deus. Jesus é uma das pessoas da Trindade. Somente através de Seu sacrifício encontramos o caminho que nos leva a Deus, pois Ele é o caminho (Jo 14.6).

Somente o Cristianismo vê pelos olhos da fé, através do testemunho das Escrituras, o Único Deus em essência, que subsiste em três pessoas: Pai, Filho e Espirito Santo.

Apologético:
1. [Teologia] Defesa argumentativa de que a fé pode ser comprovada pela razão;
2. [Por extensão] Defesa persistente de alguma doutrina, pensamento, teoria ou ideia.
Apologética Cristã é a ciência que defende a fé Cristã. Há muitos céticos que duvidam da existência de Deus e/ou atacam a crença no Deus da Bíblia. Há muitos críticos que atacam a inspiração e inerrância da Bíblia. Há muitos falsos professores que promovem doutrinas falsas e negam as verdades básicas da fé Cristã. A missão da apologética Cristã é combater esses movimentos e promover o Deus Cristão e a verdade Cristã. (https://www.dicionarioinformal.com.br/apologético)

Gnosticismo. Os gnósticos deram muito trabalho às igrejas dos tempos apostólicos. Seu pior período ocorreu em 135-160 d.C. Seus ensinamentos não passavam de enxertos das filosofias pagãs nas doutrinas cristãs mais importantes. Eles negavam o cristianismo histórico, afirmando que o Senhor Jesus jamais teve um corpo como o nosso. Segundo eles, o corpo de Cristo existia apenas aparentemente.
A Bíblia é incisiva: “O Verbo se fez carne” (Jo 1.14); “todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus” (1 Jo 4.3). É bom lembrar que os escritos de João são do final do primeiro século e compostos na cidade de Éfeso, então capital da Ásia Menor, onde surgiu o gnosticismo. (Lições CPAD Jovens e Adultos » 2008 » 1º Trim.)

1.3 Constantino.
Constantino foi um imperador romano que unificou o império, até então dividido entre quatro outros. Ele estabeleceu um edito que garantiu à Igreja a liberdade de culto. Com a igreja dividida, o imperador presidiu um concílio (325 d.C) para resolver a controvérsia apresentada por Ário (herege que afirmava que Jesus era uma criatura e consequentemente não era Deus). A vitória da ortodoxia foi acachapante em reconhecer o Cristo como pessoa da Trindade. Assim a história revela aspectos positivos e negativos nos vários eventos que envolveram a Igreja. Se com Constantino cessou a perseguição e os cristão passaram a serem beneficiados, por outro lado a Igreja passou a sofrer o manejo político por parte do imperador.

A era Constantino. Em 313, o imperador romano Constantino, depois de se tornar “cristão” de forma inusitada, decretou, no chamado Edito de Milão, a liberdade de culto, terminando por oficializar o cristianismo como uma religião estatal. Foi assim que se deu o espúrio e danoso casamento da Igreja com o Estado. Tanto é verdade que o primeiro Concílio da Igreja, ocorrido em 325, foi convocado por ele. (Lições CPAD Jovens » 2015 » 3º Trim.)

2.  A IGREJA: DO ESTADO IMPERIAL À IDADE MÉDIA  
A Idade Média representa o esforço de traduzir as experiências da Igreja no mundo do Império Romano para o mundo germânico.

2.1 Fusão entre Igreja e Estado.
Como enfatizado no tópico anterior, o início do acordo entre Igreja e Estado se deu quando Constantino se tornou governante único do mundo romano. A Igreja se livrava da perseguição, porém, agora, estava sob controle do governo imperial romano. O governo, em troca de privilégios, proteção e de ajuda que oferecia, achava-se no direito de interferir em assuntos espirituais e teológicos.

Separação entre Estado e Igreja. A conscientização dos crentes a respeito da importância da participação política não significa a união entre o Estado e a Igreja. A propósito, o Senhor Jesus estabeleceu a clara separação entre esses dois ao ordenar: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Lc 20.25). As palavras do Mestre reforçam tanto a responsabilidade espiritual quanto social, enfatizando que Igreja e Estado possuem papéis bem distintos. A Igreja deve influenciar o governo, mas não pode confundir-se com ele. Quando o Estado tenta intervir na Igreja, ou vice-versa, os prejuízos são inevitáveis, com implicações que afetam a consistência doutrinária da cristandade. Foi o que ocorreu quando o imperador romano Constantino uniu a religião cristã com o Estado, incorporando elementos do paganismo. Por isso, a separação entre o Estado e a Igreja foi um ponto crucial defendido na Reforma Protestante. (Lições CPAD Jovens » 2015 » 2º Trim.)

2.2 A Idade Média.
Com o crescente declínio do Império Romano, com várias invasões por diferentes povos, gerando caos político e social, surge um cenário favorável para o fortalecimento institucional da Igreja. Esta nova era de domínio da Igreja é inaugurada com a escolha do monge Gregório para ser o papa, que muito contribuiu para a ampliação do poder pontifício e de grandes campanhas missionárias, visando a conversão ao cristianismo de extensas regiões bárbaras, inclusive a Inglaterra. Neste período surgem as primeiras universidades, a partir dos mosteiros, que desempenhavam importante papel na preservação e difusão de conhecimentos. Assim, a Igreja era a detentora do conhecimento, tendo em vista as invasões bárbaras. A Igreja era o porto seguro do conhecimento, pois nela se encontrava o conhecimento e a ciência. Mas, o verdadeiro conhecimento vem em ser um verdadeiro discípulo de Jesus e fazer parte de Sua Igreja, conforme está escrito em João 8.31-32.

Devemos ter sempre em mente que a igreja, durante esse período que estamos considerando, tinha no seu seio muita gente sem a conversão cristã; eram cristãos pagãos. Vejamos resumidamente, as causas dessa situação alarmante. Uma delas foi a atitude dos imperadores romanos que tornaram o cristianismo a religião da moda, cujo patrono era o governo imperial e à qual aderiram grandes multidões[...].
E também, os métodos missionários medievais tiveram como resultado a entrada para a igreja de multidão de germanos e de outros povos que nunca experimentaram a conversão cristã. O mal se agravou quando certos governos conquistadores passaram a obrigar os seus povos a aceitar o cristianismo, prevalecia assim, na igreja grande massa de pagãos, imbuídos das ideias pagãs a respeito da religião e da moral, gente que de cristão tinha apenas o nome. (Nichols, Robert Hastings; História da igreja cristã 11ª Ed, São Paulo, casa editora presbiteriana,2000)

Segundo o Pr. Elienai Cabral (2013) a Igreja Romana, na Idade Média, onde uma elite (o clero) governa a igreja e esta (os leigos) se torna refém daquela. É urgente resgatar o ideal da Reforma Protestante, ou seja, a “doutrina do sacerdócio de todos os crentes”, ou “Sacerdócio Universal”, reivindicada em 1 Pedro 2.9. Todos nós, obreiros ou não, temos o livre acesso ao trono da Graça de Deus por Cristo Jesus. Não tentemos costurar o véu que Deus rasgou!

2.3 Pré-reformadores.
Assim como a igreja de Tiatira (Ap 2.18-29), que se desviou da vontade de Deus e se prostituiu, a Igreja medieval foi seduzida pelo poder e se distanciou da Palavra de Deus e dos ensinos bíblicos. O papa se estabeleceu como grande imperador e a Igreja começou a monopolizar a fé. Grandes tributos eram recolhidos pelo papa, o cristianismo se transformou em uma religião litúrgica e as pessoas não tinham mais acesso às Escrituras, somente o clero. Alguns homens se levantaram contra a Igreja medieval e contra o papado, esses homens são chamados de Pré-reformadores, pois pregavam a autoridade da Bíblia e o retorno ao ideal da Igreja Primitiva. Muitos deles morreram por esse ideal.
A IGREJA DE TIATIRA – (Tempo na história 600 a 1517 d.C.) – A igreja corrupta, papal.

Os Pré-reformadores sabiam do poder da Palavra. Eles lutaram pela tradução da Bíblia ao idioma no vernáculo deles. Sabiam que somente pelo conhecimento das Sagradas Escrituras o homem pode ter um encontro real com Deus através do Cristo ressuscitado. Esses homens (João Wycliffe (1325-1384), João Huss (1372-1415), entre outros) foram estigmatizados como hereges por colocarem na Bíblia o seu padrão de autoridade. Como se encontra o nosso compromisso com Deus através de Sua Palavra?
Estamos dispostos a sermos fiéis até a morte (Ap 2.10)? (Revista do Professor).

O que dizer sobre Catarina de Siena, Tereza Dávila — mulheres que denunciaram profeticamente a corrupção de Roma —, e tanto outros gigantes da história que aprouve ao Senhor nosso Deus levantá-los como verdadeiros profetas e profetisas?
À semelhança do Antigo Testamento, o ministério dos profetas neotestamentários, e na história da Igreja, sempre foi exercido nas raias da marginalização. Indo no caminho contrário ao que foi institucionalizado como certo, quando na verdade estava corrompido e longe dos desígnios de Deus. Foi assim no Antigo Testamento; assim ocorreu em o Novo Testamento; e vem acontecendo ao longo da rica história eclesiástica. Por que teria de ser diferente na contemporaneidade? (SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO, CPAD)

3. A REFORMA PROTESTANTE 
A Igreja passou por diversas transformações, mas nenhuma delas se iguala à Reforma Protestante. Quando tudo parecia perdido, Deus levanta um homem para desestruturar o sistema eclesiástico que se desviara de seu propósito inicial.

3.1 Lutero.
Martinho Lutero foi um monge agostiniano, estudioso das Sagradas Escrituras, que, durante um momento de sua vida, ao ler Romanos 1.17 “...Mas o Justo viverá pela fé”, foi impactado pela Palavra, pois percebeu os erros que a Igreja Romana ensinava, à luz da Palavra. A mensagem do Evangelho era o critério fundamental para compreensão do cristianismo. Essa era a razão pela qual não se poderia aceitar a infalibilidade papal, as indulgências, dentre outros erros doutrinários. Ele afirmou que a Bíblia é a Palavra de Deus e por isso somente ela é infalível, pois Deus não pode mentir (Tt 1.2). Aquilo que Ele prometeu, certamente vai cumprir.

Se cumpriu a profecia de João Huss: “Podem matar o ganso (na sua língua, ‘huss é ganso), mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderão queimar”. (Heróis da Fé, p.21).

Ao fim da Idade Média, os ideais humanistas valorizavam os direitos individuais do cidadão e isso despertou nos cristãos a necessidade de reformar a Igreja, especialmente, o Clero (sacerdotes). Os abusos de Roma e a venda das indulgências deflagraram a Reforma em 1517 na Alemanha. O Monge Agostiniano Martinho Lutero rompeu com o catolicismo romano. Foi a partir da Reforma que, paulatinamente, os conceitos de liberdade, de tolerância religiosa, de democracia e de separação entre Igreja e Estado foram alçados ao status de direitos fundamentais. A Palavra de Deus mostra que a ideia de Estado e Igreja não dará bons resultados (At 4.1-7). Por isso, o Estado não deve interferir na Igreja nem a Igreja no Estado. Todavia, o povo de Deus jamais deve faltar com a sua voz profética diante das injustiças e pecados sociais. (Lições CPAD Jovens e Adultos » 2018 » 2º Trim.)

O movimento luterano espalhou-se como um forte reavivamento espiritual. [...]
Por sua grande doutrina bíblica do sacerdócio de todos os cristãos, Lutero libertou os homens do temor, libertos do medo, foram igualmente libertos do poder da igreja medieval e conduzidos a uma religião mais sincera e profunda. Cada indivíduo, ensinava ele, podia gozar de comunhão com Deus, pela fé sem intervenção do sacerdócio da igreja. O homem podia confessar os seus pecados a Deus e dele receber perdão. [...] Cada um podia andar corretamente com Deus, podia ser justificado por meio da fé sem as exigências da igreja papal. Cada homem podia entender as escrituras pela iluminação da fé, e por ela entender a vontade de Deus. (Nichols, Robert Hastings; História da igreja cristã 11ª Ed, São Paulo, casa editora presbiteriana, 2000)

3.2 O Termo Protestante.
Em 31 de outubro de 1517, Lutero afixou suas 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg, considerado marco inicial da Reforma Protestante. Nelas condenava os abusos do sistema de indulgências e desafiava a todos que tomassem conhecimento delas. Sua intensão, era que a Igreja voltasse ao ideal proposto pelo Novo Testamento. A tradução da Bíblia para o alemão e a impressão das teses divulgaram rapidamente suas ideias. Muitos príncipes seguiram Lutero e em 1526 foi promulgado a autorização de que cada governante do estado estaria livre para seguir a fé que sentisse ser a correta. No entanto, em 1529, outra decisão revogou a anterior e obrigava a todos a voltarem a ser católicos. Os príncipes seguidores de Lutero e representantes de 14 cidades leram um "Protesto". A partir daí foram chamados de "Protestantes", por seus opositores, pois os príncipes protestaram contra o edito do imperador Carlos V, que procurava reprimir o movimento da Reforma.

A Reforma se caracteriza especialmente pela luta contra as indulgências, que era uma forma de obter favores por parte de Deus. Foi nesta conjuntura que se retomou à teologia da graça, que é o favor imerecido de Deus por nós. Apesar de sermos santos e justos por meio de Cristo, o nosso relacionamento com Deus sempre é pautado na ação graciosa e misericordiosa por parte de Deus. Não somos merecedores, somos, sim, devedores a Deus e de uns aos outros. (Revista do professor)

3.3 As Bases da Reforma Protestante.
Os reformadores protestantes tinham em comum alguns fundamentos que a maioria das igrejas evangélicas trazem consigo até hoje. Roger Olson afirme que três princípios protestantes da maior importância são geralmente identificados como responsáveis por diferenciá-los da igreja da Roma e de sua teologia oficial: "a salvação pela graça mediante a fé somente" (Ef 2.5), "somente as Escrituras" (as Escrituras acima de todas as demais autoridades da fé e da prática cristã) e o sacerdócio de todos os cristãos. Cada líder interpretava esses princípios à sua própria maneira, mas todos os compartilhavam e se esforçavam para construir com eles um novo alicerce para o cristianismo. Seu propósito comum era levar a Igreja de Jesus Cristo de volta aos verdadeiros alicerces do Novo Testamento e livrá-la de todos os falsos ensinos e práticas corruptas.
Martinho Lutero (1483-1546) – Phillipp Melanchthon (1497-1560) – John Calvino (1509-1564) – Martin Bucer (1491-1551) Ulrich Zwinglio (1484-1534)

Na Inglaterra. Um dos dirigentes da Reforma foi William Tyndale. Traduziu a Bíblia para o Inglês a partir das línguas originais. Foi martirizado em 1536.
OBS: O grande desejo de Tyndale foi concretizado: “E acrescentou que se Deus lhe concedera vida, em poucos anos faria com que até mesmo um simples menino que trabalhasse detrás de um arado conheceria mais sobre as escrituras do que o próprio papa” (John FOX. O livro dos mártires, tr.Marta Doreto de Andrade e Degmar Ribas Júnior).
Na Suíça: Ulrico Zwínglio. (1484-1534) Educado por um professor que lhe ensinava que a morte de Cristo era o único resgate. Combateu a “remissão de pecados” que era ensinada por meio de peregrinação a um altar em Einsieldn. Seus escritos entraram até em um convento e as freiras converteram-se. Saíram do convento, ao observar que a vida de celibato e solidão era inútil. A Reforma prosseguiu com Calvino.
Na Dinamarca: Hans Tausen. (1494­ 1561). Frederico I permitiu a Tausen fazer o mesmo trabalho que Lutero fizera na Alemanha. Foi de especial ajuda pela publicação do Novo Testamento na língua dinamarquesa. em 1529. A ação reformadora de Tausen foi também obtida pelo apoio popular que estava inconformado com a corrupção do clero e a venda das indulgências. Em 1530, foi elaborada a confissão de fé luterana.
Na Escócia. João Knox. (1505-1572) Devido a sal ousadia em pregar o Evangelho foi preso em uma galé de escravos na França durante dezenove meses. Em 1559, assumiu a direção do movimento reformador. Não desistiu, embora sofresse a oposição da rainha Maria da Escócia.
Na Hungria. O responsável foi Mateus Devay.
Na França. Jacques Lefevre pregou e escreveu a doutrina da justificação da fé. Mais tarde, a França sofreria grande massacre.
5 fundamentos da Reforma Protestante:
OS CINCO SOLAS
Os Cinco Solas são cinco frases latinas (ou slogans) que emergiram da Reforma Protestante, pretendia resumir os princípios teológicos básicos dos Reformadores em contraste com certos ensinamentos da Igreja Católica Romana da época. “Sola” significa “sozinho” ou “somente” e as frases correspondentes são:
Sola Fide, somente pela fé.
Sola Scriptura, somente pelas Escrituras.
Solus Christus, somente por Cristo.
Sola Gratia, só pela graça.
Soli Deo Gloria, glória somente a Deus.

Estas frases podem ser encontradas individualmente expressas nos vários escritos dos reformadores do século XVI, explicitamente ou implicitamente, mas não são apresentadas como uma lista. É mais provável que a lista de Solas surgiu mais tarde.

Somente pela Fé (Sola Fide)
A justificação é pela graça somente, por meio da fé somente, por causa de Cristo somente. A justiça de Cristo é imputada a nós como a única satisfação possível da perfeita justiça de Deus. Nossa justificação não se baseia em nenhum mérito que se encontre em nós, nem nos fundamentos de uma infusão da justiça de Cristo em nós, nem que uma instituição que reivindica ser uma igreja que nega ou condena a sola fide pode ser reconhecida como uma igreja legítima.

Somente a Escritura (Sola Scriptura)
A Escritura inerrante (a Bíblia) é a única fonte de revelação divina escrita, que por si só pode ligar a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser medido. É negado que qualquer credo, conselho ou indivíduo possa vincular a consciência de um cristão, que o Espírito Santo fala independentemente ou contrariamente ao que é estabelecido na Bíblia, ou que a experiência espiritual pessoal pode sempre ser um veículo de revelação.

Somente Cristo (Solus Christus)
Nossa salvação é realizada pela obra mediadora do único Cristo histórico. Sua vida sem pecado e expiação substitutiva são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai. É negado que o evangelho seja pregado se a obra substitutiva de Cristo não for declarada e a fé em Cristo e sua obra não for solicitada.

Somente pela Graça (Sola Gratia)
Na salvação somos resgatados da ira de Deus somente pela sua graça. É a obra sobrenatural do Espírito Santo que nos leva a Cristo liberando-nos da nossa escravidão ao pecado e elevando-nos da morte espiritual para a vida espiritual. É negado que a salvação seja em qualquer sentido uma obra humana. Métodos humanos, técnicas ou estratégias por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida por nossa natureza humana não regenerada.

Somente para Gloria de Deus (Soli Deo Gloria)
Afirma-se que, porque a salvação é de Deus e foi realizada por Deus, é para a glória de Deus e que devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossas vidas inteiras diante do rosto de Deus, sob a autoridade de Deus e somente para a sua glória. É negado que possamos devidamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se o auto aperfeiçoamento, a autoestima ou a autorrealização puderem se tornar alternativas ao evangelho. (http://www.teologiasistematicabrasil.com/os-cinco-solas/)

CONCLUSÃO
Apesar de tantas ações pecaminosas dos que se dizem membros da Igreja ao longo da história, nosso Senhor continua trabalhando e guiando o Seu povo no cumprimento de Seus propósitos. Através de erros e acertos, olhar para a história é aprender com nossos próprios erros de tal forma que não venhamos a cometer os mesmos erros do passado.

QUESTIONÁRIO

1. Qual igreja é considerada como perseguida?
R.: Esmirna (Ap 2.10-11).

2. Por que muitos fabricantes de ídolos se opuseram ao cristianismo?
R.: Devido à adoração exclusiva a Cristo e à ausência de imagens (At 19.2).

3. Qual heresia a Igreja Primitiva já tinha combatido no período dos apóstolos Paulo e João?
R.: O Gnosticismo (Cl 2.8; 1Jo 2.22).

4. Qual é o caminho que nos leva a Deus?
R.: Jesus O Caminho (Jo 14.6).

5. Qual passagem bíblica impactou a vida de Lutero?
R.: Romanos 1.17 "O justo viverá pela fé".

BIBLIOGRAFIA
[1] Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal - CPAD - ARC
Bíblia de estudo pentecostal, Almeida revista e corrigida, Rio de Janeiro, CPAD
Bíblia do Culto - Editora Betel
Revista EBD Betel Dominical Professor – 2º trimestre 2019, ano 29, número 111 - Editora Betel


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